autocultura - fábio oliveira


29/11/2005


OS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ( I )



Para fins meramente ilustrativos, muitos sábios falaram em níveis de consciência. A consciência é uma só, mas ela se manifesta em vários níveis. Quando a consciência se manifesta, cada nível tem uma freqüência de onda diferente. Tudo no universo está em movimento, em constante vibração, o que significa que tudo se inter-relaciona através de uma vibração característica.



Como todos os sete estágios da consciência estão presentes no ser humano, a questão não é em que estágio ele está, mas em qual ele está funcionando AGORA. Qual está sendo a sua possibilidade AGORA. Porque num próximo momento você pode estar funcionando a partir de um outro prisma de consciência.



Nós todos flutuamos por esses estágios. Num dia só podemos estar uma hora com medo de não ter dinheiro no futuro e não ter onde morar (o medo do primeiro estágio), e depois de uma hora ter medo de ficar sozinho (o medo básico do segundo estágio), e mais adiante ter medo de perder o controle da vida ou uma profunda falta de confiança diante de tudo (terceiro estágio).



Esse artigo é só para brincar com esses conceitos e ver como a nossa mente reage diante dos outros e dos acontecimentos. Em cada nível a mente percebe o mundo de uma maneira. Aquele que vê o mundo com os olhos do amor e da compaixão abriu seu coração, e está funcionando do quarto nível para cima, muito diferente da pessoa que está só com medos da vida, sentindo-se separada de Deus, desamparada e solitária. Mas são apenas níveis mentais, não são realidades fixas.



Sempre a questão é: Quais os meus níveis preponderantes? Quais os meus níveis habituais? É apenas para isso que ajuda falar desses níveis. E para notarmos que cada um deles é natural acontecer. O universo é inteligente. Você já notou que seu cabelo cresce sem você controlar? E que sua unha cresce, seu sangue circula, sua respiração acontece, sem você escolher? O universo é mágico e surpreendente.


Quantas coisas estão acontecendo e não sendo feitas por nós, seres humanos. Por que nós achamos então que podemos controlar tudo que acontece ao redor?



Cada nível tem sua função e é perfeito em si mesmo. Nós somos os vários níveis. Mesmo que você não conheça alguns níveis, não importa. Nós precisamos conhecer bem alguns níveis, pois todos são importantes na evolução da consciência.


Não é uma questão de que você não deveria ter medo. Nós precisamos sentir medo para então conhecermos o seu oposto. O oposto do medo é o Amor. Mas como o branco pode ser conhecido sem o preto? Como o baixo pode ser conhecido sem o alto? Como o alegre pode ser conhecido sem o triste? Como o sucesso pode ser conhecido sem o fracasso? Se você não tem o contraste, não pode conhecer. Sem os três primeiros níveis de consciência, não é possível conhecer os demais. É do carvão que nasce o diamante.

 

SWAMI SAMBODH NASEEB

Escrito por Fabio Oliveira às 20h36
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Continuação ...

 

OS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ( II )

 

 

 
O primeiro estágio da consciência no ser humano é caracterizado pela busca da sobrevivência. Um teto onde morar, algo para comer. É a base para a formação de um ser humano. Um corpo sadio, um corpo saudável.


O segundo estágio da consciência em nós é o caracterizado pelo desejo de sexo e poder. O desejo de dominar, a competição, e o sexo pelo sexo. Não há encontro de dois seres, apenas o encontro de dois corpos. Se para preencher seu vazio a pessoa precisa estar sempre no controle de tudo, ela estará funcionando a partir do segundo nível de consciência. A mente vive sob o império do medo neste estágio. Medo de perder o controle. Medo de não possuir o outro. Medo de perder o poder.



O terceiro estágio na consciência humana tem como ponto marcante os relacionamentos. É um relacionamento mais profundo que o do segundo estágio, porque agora, além do sexo, há ternura, carinho, amor, atenção, cuidado. É claro, há também posse, controle, inveja e ciúme neste relacionamento, mas traz infinitas possibilidades a mais que o segundo. A grande maioria dos relacionamentos de amor que conhecemos se comporta dessa maneira: marcante troca de sentimentos que variam de bons a ruins.



O quarto estágio é o Amor. A consciência humana marcada pelo quarto estágio vibratório da mente experimenta o Amor. Este amor não é uma alternância entre amor e ódio. É um Amor, com letra MAIÚSCULA. Neste nível funcionamos numa entrega à vida. Este é o chamado chacra do coração. Você vê a vida como um milagre vivo. Há vislumbres do amor que as pessoas são, porque quando a mente está funcionando neste quarto nível de consciência muitos problemas e dificuldades desaparecem.


Há um engano de que podemos mudar os nossos problemas. Os problemas não desaparecem. Na verdade o que acontece é que você funciona em outro nível. Um outro nível de consciência. É como se você visse um filme. Às vezes é aventura, outras é drama. O que muda é o filme. Há problemas em um nível que não há em outro. A percepção de tudo muda.


Quando a percepção da mente muda, o que acontece? Todo aquele mundo que você construía é visto de uma outra forma. Porque o mundo e a vida são o conjunto de crenças e sentimentos pessoais que temos sobre o mundo e a vida. Aquilo que penso ou sinto é minha percepção. Mas há outras maneiras de sentir e ver as mesmas coisas.


Muitos terapeutas, psicólogos, estão cientes da beleza do quarto estágio. Eles podem ajudar as pessoas que ainda estão envolvidas no medo, insegurança, e em relacionamentos co-dependentes (terceiro nível), aqueles que não aprenderam a se amar e a respeitar sua personalidade como um trampolim para Deus. Mas o quarto nível é muito frágil. Nele ainda é fácil se identificar com os problemas e conflitos dos três primeiros níveis.


Você já conheceu pessoas que você sabe que são muito amorosas, mas ao mesmo tempo se metem em muitas armadilhas? Pois é, há pessoas extremamente amorosas, que conhecem muito bem a compaixão e o amor pelo outro, mas os seus próprios pensamentos e sentimentos por si mesmos as abalam muitas vezes. São pessoas amorosas, mas ainda sofrem de insegurança e medo da vida.


Então a vida vai as encaminhando para conhecer o quinto nível.
Perceba uma coisa interessante: os níveis são regidos por sentimentos e pensamentos, não é mesmo? Pensamentos e sentimentos de medo, amor, culpa, ansiedade, leveza... Estes são os filmes: Pensamentos e sentimentos são filmes, que nesse caso são o que diferenciam um nível de mente para outro. Uma necessidade de outra.
Mas quem é você neste caso? Um nível de mente ou aquele que percebe que os níveis mudam?


Se você percebe que os níveis mudam e que você está se identificando ora com um, ora com outro, note que a mudança de foco criará uma nova percepção em você. Se você é aquele que vê o filme, aquele que nota que os níveis mudam, você é a pura consciência que vê. Essa pura consciência que vê nós chamamos de observador.

 

SWAMI SAMBODH NASEEB

Escrito por Fabio Oliveira às 20h31
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Continuação ...

 

OS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ( III )

 

 

No quinto nível vibratório de mente você nota que há um observador que se identifica com a mente. Ou seja, você percebe que há algo em você que observa e que não é aquilo que observa. Este observador foi chamado por algumas religiões de Espírito Santo.


Quando você percebe que este observador é você, e você não é quem você pensava que era (o conteúdo dos três primeiros níveis, que são pensamentos, sentimentos passados, e sensações corporais), então você está tomando consciência do quinto nível, que é pura observação sem julgamento, pois não há conceitos a serem julgados neste nível.


O quinto nível vê os quatro primeiros níveis sem julgar, sem comparar, sem analisar, sem comentar, sem dar opinião, sem usar lógica, sem argumentar.

O quinto nível é a pura observação. Os buscadores aprendem a observar os pensamentos, sentimentos e sensações corporais sem julgar "bom ou mau".

Quem julga são os quatro níveis primeiros - A MENTE CONSCIENTE, que está sempre em comparação. É o nível do ego ativo. Se você apenas nota a mente julgar, você aprende devagarinho a separar o julgador, do observador que nota o julgador.


Quando você aprende a observar que quem está julgando é sua mente (quatro primeiros níveis de consciência da mente), e que seu quinto nível é puramente silencioso e cheio de amor, você percebe que pensamentos e sentimentos o incomodam quando você se identifica totalmente com eles.

 

Aprender a se desidentificar dos pensamentos e sentimentos passados é meditar. Os pensamentos e sentimentos estão lá, mas não são mais controlados pelo ego. E um milagre acontece: toda aquela energia que estávamos colocando para fora é guardada dentro. É por isso que as pessoas dizem que a yoga e a meditação ajudam a conservar energia. Sua mente fica mais clara. E você deixa de criar problemas desnecessários.

 

Dizem os sábios, que os sexto e sétimo estágios são experienciados pela graça divina. "Você não pode fazer nada para alcançar a iluminação", dizia Buda. Porque a iluminação é uma entrega total a Deus. Jesus Cristo entregou totalmente quando disse: "Pai, Seja feita a Tua Vontade". Gautama Buda entregou quando disse: "Descobri que não há eu, que tudo é vazio, que a vida faz tudo por mim". Krishnamurti dizia: "O pensamento é passado. Descubra o que está presente Agora". Osho disse: "Iluminação acontece quando não há nenhum desejo de ser diferente do que você é. Então Deus te ilumina com sua graça quando você relaxa e confia". O sábio Gurdjieff dizia: "Você não tem um centro. O centro é sua alma. Você é, nesse instante, muitos desejos desconexos. Você tem de trabalhar para descobrir seu centro". O sábio hindu Yogananda dizia: "Só um coração que conhece o amor pode ver Deus".

O professor pode te ajudar a conhecer o que ele conhece. Se um professor espiritual conheceu experiencialmente os cinco primeiros níveis de mente, e aprendeu a se estabelecer no observador, simplesmente relaxando e observando seus pensamentos e sentimentos, ele pode ensinar outros, ajudar amigos, a se estabelecer no observador, no quinto nível.

Este é o último ensinamento. Os outros ensinamentos são na verdade aprofundamentos na entrega do ego, aprofundamentos na confiança, que não há nada que se possa fazer pois é a vida a Grande Mestra.


Um mestre iluminado pode criar uma energia para iluminação. Ele cria um campo de energia búdica. Um mestre iluminado conhece todos os níveis, e portanto, conhece truques, e tem uma clareza total do funcionamento da grande mente cósmica, ou seja, daquilo que chamamos de níveis de consciência.

Um mestre iluminado simplesmente desapareceu como um eu, porque ele não quer mais controlar a vida. Mas ele tem um ego que o ajuda a falar com você. Quando você chama seu nome ele reconhece. A única diferença é que ele conhece os níveis e não se identifica com nenhum, pois ele sabe que não é nenhum nível, mas puramente consciência além de qualquer nível. Consciência que observa os níveis.

 

Um mestre iluminado vê a vida com uma grande brincadeira cósmica. Vê tudo como uma coisa só, e não julga aquilo que vê. E nota que todas as pessoas são na verdade iluminadas, apenas precisam realizar isto.

SWAMI SAMBODH NASEEB

Escrito por Fabio Oliveira às 20h27
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28/11/2005


AMAR NÃO É AMOR

 

O Beijo, Auguste Rodin.

 

 

Amar está correto como verbo. É ação. Amor deveria ser outro verbo. E o é no idioma da alma. Eu amoro, tu amoras, ele amora, nós amoramos, vós amorais, eles amoram. Assim é o verbo amor no presente. Fica inventado a partir de agora.

 

Pode-se amar sem amor; amar com amor; desamar com amor. Existem: amor por quem se amou; amor por quem se ama; amor por quem se amaria. Porém não se pode amar quem se amou, ou quem se amaria. Só se ama a quem se ama.

 

Amor não é igual a amar. Amar é estado ativo, e sua conjugação deveria ser imperfeita, só existir no presente e no gerúndio. As demais formas deveriam ser do verbo amor. Amor não é substantivo: é verbo subjetivo. Amar é presente, gerúndio, ativo, inebriante, pulsátil, vitalizador. Amor é mais amplo, profundo, generoso e calado. Existe até quando não mais se ama. E, até mesmo, quando não se ama. É sentimento profuso, amplo, capaz de existir ainda quando se deixa de amar. É presente mas passado, futuro. É indicativo e subjuntivo.

 

‘Eu amo’ e ‘Eu sinto amor’ não quer dizer o mesmo. O presente de amar não deveria ser amo e, sim "eu amoro", etc. Amo é o presente do verbo Amor. A plenitude só se dá quando amor e amar coincidem.

 

Amar é calor. Amor é o sol.

Amar é continente. Amor é conteúdo.

Amar é buscar. Amor é saber.

Amar é liberdade. Amor é sabedoria.

 

Para se amar, não é necessário o amor. E, sem o amor, o amar passa. Quando existe amor, o amar é melhor. E pode durar. Amar por amor eis a perfeição.

 

Amar é posse. Amor é doação. Amar foge. Amor reúne. Amar é delícia instintiva. Amor é milagre existencial. Amar tolda. Amor revela. Amar é alegria. Amor é felicidade.

 

O amor sente. O amor sabe.

O amar está. O amor é.

 

autor :  Artur da Távola

 

Escrito por Fabio Oliveira às 19h41
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VIVER NÃO DÓI

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.


autor : Carlos Drummond de Andrade

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 19h11
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O PESO DO VIVER



Viver não é uma tarefa muito fácil.
Em todas as fases da vida os desafios se apresentam.
Na infância, há os trabalhos escolares, as tarefas cada vez mais complexas.
Na adolescência, perceber o mundo pode ser bastante doloroso.
Na juventude, deve-se optar por uma profissão e desenvolver esforços para conquistá-la.
Na época da maturidade, surgem problemas com filhos e abundam desafios profissionais.
Na velhice, o balanço do que se viveu pode causar decepção, sem falar nas forças físicas
em declínio.
Permeando
tudo isso, há problemas de saúde e amorosos, além de dificuldades com a família.
A vida é repleta de encontros e desencontros, de despedidas, lutas, vitórias e fracassos.
Dependendo do ângulo que se analisa, a vida pode parecer um castigo, um autêntico peso a ser suportado.
E realmente os problemas são inerentes ao viver.
Desconhece-se alguém que tenha atravessado a existência sem enfrentar dúvidas e crises.
Entretanto, viver é uma dádiva divina.
Embora a vida também envolva dores e sacrifícios, ela não se resume nisso.
Há a emoção do nascimento de um filho, a alegria de amar e ser amado, a beleza de um pôr-do-sol.
Depende de cada um escolher quais aspectos de sua existência irá valorizar.
É possível manter a mente focada na longa enfermidade que se atravessou, ou nas lições que com ela foram aprendidas.
Podem-se destacar os esforços feitos em determinada direção, ou a satisfação da vitória.
Conforme seja enfocado o aspecto positivo ou negativo das experiências, viver será algo mais ou menos leve.
Mas há outro aspecto a ser considerado a respeito das dificuldades inerentes à existência humana.
Como tudo no universo, os homens estão em constante aprimoramento.
Todos são espíritos, em jornada para a amplitude.
A existência terrena é um diminuto instante nessa maravilhosa viagem pelo infinito.
Após estagiar por longo tempo na seara do instinto, a humanidade desenvolve sua razão e ruma para a angelitude.
Para isso, necessita aprimorar sua sensibilidade, tornar-se valorosa e nobre.
As experiências com que a criatura se depara voltam-se justamente a prepará-la para seu glorioso porvir.
É preciso que os instintos gradualmente percam sua força, dando lugar às virtudes.
Assim, amar não mais como manifestação de posse, mas de forma sublime, preocupando-se em ver feliz o ser amado.
Educar a própria libido, percebendo-a como energia criativa, em harmonia com o cosmo.
Esquecer a tendência de dominar pela força, aprendendo a convencer pela lucidez dos argumentos.
Abdicar da violência, desenvolvendo a afabilidade e a doçura.
A vida chama as criaturas para um amanhã de luz, de paz e ventura.
Ocorre não ser possível cultivar um jardim em pleno charco.
Justamente por isso viver parece tão difícil.
É que os homens são constantemente convidados a abrir mão de velhos vícios.
Tanto maior seja a resistência em aprender a lição, tanto mais contundente ela será.
Assim, se você quer ser feliz, desfrutar de bem-estar, passe a remar a favor da maré.
Dome seus vícios, conscientizando-se de que eles é que o infelicitam e tornam sua existência penosa.
Ame a vida, seja honesto, trabalhador, bondoso e puro.
Em pouco tempo seu viver se tornará leve e prazeroso, pois você terá instalado um céu dentro de sua própria consciência.

 

autor : Desconhecido

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h53
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26/11/2005


REFLEXÕES SOBRE O BRASIL CONTEMPORÂNEO (I)

 

O Brasil é o país dos contrastes. O país de uma economia crescente, onde a produção de suas riquezas internas atinge quantias até anos atrás inconcebíveis, que dá sinais de crescimento vertiginoso e de enriquecimento, enquanto sua população mais carente, que por sinal é a maioria, sofre de um empobrecimento crônico enraizado por uma política de conservação do capital em mãos de poucos. O país que tem um governo que    propõe-se a pagar juros altíssimos e a poupar quantias magníficas de dinheiro anualmente, que poderia ser aplicado em programas que melhorassem a distribuição de renda e a desigualdade social, tudo em nome da conservação de um capital especulativo que atraia investidores internacionais. Um cidadão faminto recebe a ajuda mensal do governo de uma quantia irrisória, enquanto o mercado, quando se açoita, recebe quantias bilionárias. Como dizia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “se o mercado está nervoso, daremos calmantes para ele”, e então lá se vão milhões de reais para saciar a fome desse leão intragável. Parece que aqui o cidadão já não tem mais importância, o bom mesmo é o mercado, a opinião internacional.

O país que decide ajudar a outros países, ao enviar exército para garantia da paz, professores que garantam uma boa educação, remédios e alimentos que garantam uma boa saúde daqueles povos, enquanto o nosso aqui morre numa guerra não-declarada todos os dias, crianças ficam fora das escolas por não terem vagas para estudar, e muitos morrem de fome e doentes sem ter o mínimo de assistência que deveriam receber. O país que possui em suas entranhas o estúpido câncer da bandalhagem, que corrói a possibilidade de um crescimento digno e sustentável, e da possibilidade de uma equiparação que fosse justa para todos.

O país de um povo aculturado e alienado, que dedica-se mais em acompanhar a trajetória de garotos-prodígios que tornam-se mestres em dribles desconcertantes e rápida acumulação de milhões, enquanto tantos outros digladiam-se em ruas e becos país afora por uma ideologia esportiva que não lhes rende absolutamente nada; a heróica vitória de um simples cidadão que, com a ajuda de uma mídia manipuladora, consegue saltar vários níveis da sociedade ao atingir a fama e a riqueza em tão pouco tempo, e tornar-se uma “estrela cadente” pela simples convivência com outros populares em um reality show (porque em inglês é mais bonito); ou até mesmo a mobilização nacional para acompanhar o desfecho de uma história eletrizante, onde o mais importante é saber quem assassinou determinado personagem; enquanto a corja que domina a nação aprova na surdina leis, decretos e criações de novos impostos que vão influenciar diretamente a vida de todos os cidadãos, mesmo que os próprios nem tenham conhecimento do que será tudo aquilo, e terão que aceitar forçosamente como pagamento pela sua inoperância social.

   autor  :  Evilásio Tenório

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 23h52
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REFLEXÕES SOBRE O BRASIL CONTEMPORÂNEO  ( I I )

 

O país onde a inexistência de um governo social é visível, mas a incapacidade da sociedade em buscar os seus direitos faz com que perpetue-se estes costumes, e passem a tornar-se algo comum e aceitável. O país da falta de oportunidades, dos analfabetos e da falta de uma vida digna. O país que prega que o mundo precisa de paz, e inclusive propõe-se a ajudar outros países a alcançá-la, enquanto aqui esse propósito não passa de uma utopia ilusionária. O país onde a polícia é mais corrupta do que os malfeitores, e os livros com as leis servem apenas como meros enfeites na sala de magistrados e estudiosos, e que, infelizmente, não possuem nenhuma aplicação (a não ser aquelas que atinjam, diretamente, ao pobre cidadão que não pode sem tirar o pé da jaca). O país que ainda possui leis da idade da pedra, a terra do “cada-um-por-sí-e-Deus-por-mim-porque-sou-melhor-do-que-você”, e do “cala-a-boca-e-engula-porque-eu-sou-mais-forte”, onde aquela antológica cena do velhinho apontando para a tela da televisão e dizendo, em alto e bom tom, “Vocês vão ter que me engolir”,  reflete o real pensamento governamental em relação ao povo.

O país onde pessoas são meros números censorias que apenas servem para ilustrar belas apresentações computadorizadas mostrando possíveis atuações governamentais que, teoricamente, teriam alguma influência na sociedade, ou ainda que atuariam como simples marionetes em momentos onde campanhas eleitorais ministradas por verdadeiros mágicos do ilusionismo conseguem tornam o pior dos políticos na melhor das opções (ou até por falta dela ele realmente seja).

O país onde a sociedade conhece mais sobre a vida de um determinado ícone surgido através de um programa que cultua o sexo e a boa forma do que a própria história de sua formação, e uma nação que não conhece o seu passado dificilmente poderá trilhar um bom futuro.

O país que gastou bilhões para poder dizer ao mundo que possui um sistema eleitoral computadorizado e de última geração, enquanto milhões de habitantes ainda vivem em condições pré-históricas, e muitos deles não sabem nem o que significa a palavra informática.

O país que se auto-intitula “a nação do futuro”, mas que, assim como o piloto de automobilismo que a representa, nunca será o do presente, e sim sempre do futuro. Um futuro distante, talvez inexistente, ou apenas imaginável. Talvez não, quem sabe.

 autor  :  Evilásio Tenório

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 23h41
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REFLEXÕES SOBRE O BRASIL CONTEMPORÂNEO  ( III )

 

Aqui há muito o que fazer, e que tem um potencial que poderia elevá-lo a categoria dos melhores países do mundo, mas que por conta de todos esses poréns descritos anteriormente, não sai da estaca zero, ou podemos dizer ground zero, já que o chique nesta terra é ser poliglota. Um país com mania de grandeza, que gosta de brincar de Davi e Golias com os outros gigantes do mundo capitalista, e que acha que tem potencial para vencer.

O país que se orgulha de dizer que não possui ameaça de terrorismo, mas que internamente sofre com uma perda de muito mais de 10 WTC’s em termo de população, anualmente, por conta da violência desenfreada. Ou será que esse não seria uma espécie de terrorismo    não-declarado, já que agora todos vivemos trancados dentro de nossas próprias casas, rodeados de cercas elétricas e cachorros raivosos, ou que saímos de casa todos os dias pedindo a proteção divina e a possibilidade de voltarmos para casa com a bênção de não ter sofrido nenhum ato criminoso? Aqui não se pode ter nem uma vida noturna tranqüila, já que toda saída acaba por tornar-se uma tortura para aqueles que vão esperar em casa, sem saber se os filhos voltarão bem, e também para aqueles que saem, que preocupam-se a todo instante com toda e qualquer movimentação que ocorra nas ruas.

Muitos dizem que o único modo de mudar esse quadro é simplesmente recomeçando tudo de novo. Mas como fazer isso? A idéia passa então a ser inviável, do ponto de vista lógico. Isso é uma coisa que não vai acontecer de uma hora para outra, mas sim um processo que durará muitas gerações, começando na divulgação de uma consciência renovadora que busque a valorização da pessoa e da imposição de uma ética realmente pautada por uma conduta íntegra e respaldada pela aceitação (daí subtende-se também cumprimento) de toda a sociedade.

Somente o consenso coletivo de que as coisas não estão bem, e que unicamente uma radical transformação e uma mobilização geral, que tem realmente de ser coletiva, e não uma simples parcela populacional que vai de encontro a ideologia de outros, acomodados com os benefícios econômicos e sociais que esse caos generalizado no qual vivemos hoje lhes é conveniente.

Um país que pode mudar, e que pode deixar de ser dos contrastes, para ser dos exemplos. Mas não dos maus, e sim dos bons exemplos de como uma nação realmente é. Não quero dizer que nos transformemos em uma República de Platão, mas simplesmente em um lugar mais justo, mais digno, mais humano. Não é tão difícil, e fazer isso é realmente algo possível, se todos nós quisermos. Resta saber se a sociedade aceitaria sair de frente da televisão, e deixar de assistir a mais um capítulo da saga do brasileiro que vive num mundo de fadas, fora do país, e ir às ruas construir o seu mundo real, aqui.

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 23h35
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Linda música, uma reflexão sobre o sofrimento da grande maioria da população brasileira.

 

Gente Humilde ( 1969)

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 22h19
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 foto de Giovanna Leal

 

A foto acima foi exposta no Congresso Nacional na exposição “UMA VIDA SEM VIOLÊNCIA”. Porém, alguns deputados acharam que a foto era imoral e pediram ao Presidente da Câmara que fosse colocada uma tarja preta nos seios da bela foto. Aproveito a oportunidade para propor que alguns deputados coloquem uma tarja preta nas suas bocas, assim não mentiriam tanto. Imoral é a corrupção que impregnou o Congresso Nacional, é o interesse pessoal em detrimento da grande maioria da população brasileira, é a violação do painel do Senado, é a compra de votos para reeleição, é o mensalão,  são os anões do orçamento e muitas outras coisas.

 

Imagem da mostra “Uma vida sem violência”, que está na Câmara dos Deputados. A mostra é composta por 16 imagens que remetem, de forma artística e poética, às diversas formas de agressão contra a mulher. O número de imagens da exposição é uma alusão à Campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, realizada pela ONG Agende.

Escrito por Fabio Oliveira às 11h42
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AOS QUE VIEREM DEPOIS DE NÓS 

Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)


Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores, deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência, retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos, lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes, desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós com indulgência.


Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, Alemanha, em 1898. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista "Baal", de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morre em Berlim, em 1956.

Escrito por Fabio Oliveira às 00h02
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25/11/2005


AQUI.  HOJE.

Jorge Luis Borges


Já somos o esquecimento que seremos.
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.
Não sou o insensato que se aferra
ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 21h06
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24/11/2005


Península Valdés - Patagônia Argentina

 

UMA ORAÇÃO

Jorge Luis Borges


Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.

Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.


Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e é, sem dúvida, um dos mais importantes escritores da literatura mundial.

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 18h56
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ceciliachapeu.jpg (30254 bytes)
autora : Cecília Meireles

Não queiras ter Pátria.
Não dividas a Terra.
Não dividas o Céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto.
Que as coisas todas são tuas.
Que alcançarás todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte
Te ponha em tudo,
Como Deus.


Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens ...
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
É a eternidade.
És tu.

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h48
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23/11/2005


 

 

Leia o texto, ouvindo a música (clique) :  Luzes da Ribalta

 

O Último Discurso
O Grande Ditador

Charles Chaplin

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progreso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

 

 

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 22h20
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A mais alta habilidade é a realização do estado sem ego.


A mais elevada nobreza está em subjugar sua própria mente.


A mais elevada excelência está em ter uma mente que procure ajudar os outros.


O mais elevado preceito é a contínua vigilância e plena atenção serena.


O mais elevado remédio está em compreender a ausência de realidade de todas as coisas.


A mais elevada atividade está em não se conformar com preocupações mundanas.


A mais elevada realização é a diminuição e transmutação das paixões.

A mais elevada generosidade se encontra no desapego.


A mais elevada disciplina é uma mente pacífica.


A mais elevada paciência é a humildade.


A mais elevada persistência é abandonar o apego a todo fazer.


A mais elevada meditação é uma mente sem pretensões ou inclinações.


A mais elevada sabedoria é não se agarrar a algo assim que aparecer.

 

   Buda

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 20h50
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22/11/2005


 

  Roberto Crema

 

O século 19 enfatizou, de forma obsessiva, o tema da competição. Darwin apontou para a competição entre as espécies; Marx, para os conflitos entre as classes; e Freud, para a guerra entre as potências psíquicas, entre instinto e civilização. Competitividade passou a ser uma fascinação excludente e dilacerante: para um ganhar, o outro precisa perder. Basta olhar para o cenário hipnótico da Copa do Mundo. E agora, diante de um abismo que pode ser fatal para a sobrevivência das novas gerações, precisamos aprender o sentido de palavras esquecidas, como cooperação, parceria, sinergia, amor. Precisamos aprender com os bandidos que, após um primeiro breve encontro, já trocam cartões, figurinhas, iniciando as negociatas. Os que lutam pela paz e integridade têm sido muito lentos nesta prática de agregação, trocas e de mutualidade. Neste sentido, é muito bom constatar o início de integração e dialogicidade destes três setores de uma mesma sociedade. Só uma rede de amor pode fazer frente à rede de terror, esta face tenebrosa e tão presente neste início de século e de milênio.

 

Quando eu falo em espiritualidade, não estou me referindo a nenhuma igreja, a nenhuma religião particular, embora respeite todas. Refiro-me à espiritualidade como o fazia Einstein, apontando para uma vivência cósmica; ou, ainda, outro físico contemporâneo, Fritijof Capra, que denominou seu penúltimo livro de Pertencendo ao Universo. Espiritualidade é uma consciência não-dual, uma consciência de participação, da parte no todo, que na essência é o amor, e na prática é solidariedade. Uma pessoa que despertou para essa dimensão espiritual é uma pessoa que não se vê separada do outro, da comunidade e do Universo. Eu pergunto: em sã consciência, você colocaria fogo no seu corpo? Se você sente-se não-separado do outro, você jogaria fogo em alguém que está dormindo num banco? E se você se sente não-separado da natureza, você iria empestá-la, destruir ecossistemas por uma neurose de progresso compulsivo, que foi decantada no século passado por Comte e que, agora, testemunhamos o lado sombrio dessa religião do progresso a qualquer custo, progresso a custa da hecatombe? Você empestaria a natureza se você se sentisse não-separado dela?

 

Sem sombra de dúvida. Nestes últimos séculos temos investido, de forma unilateral, no mundo da matéria, e os frutos são notáveis, sintetizados na tecnociência maravilhosa que dispomos. A grande tragédia, entretanto, é que não houve praticamente nenhum investimento significativo no mundo da subjetividade, da alma, da ética, da consciência, da essência. O resultado encontra-se nos noticiários tristes e apocalípticos de cada dia: escalada de violência e guerras infindáveis; a exclusão desumana de uma maioria, que morre de fome, por uma minoria, que morre de medo; extinção em massa de espécies; rota da colisão do ser humano com a natureza e todo tipo de aplicações tecnológicas irresponsáveis. O investimento maciço na alma é a única estratégia que poderá viabilizar a perpetuação, com qualidade e dignidade de nossa espécie. Antigas e esquecidas lições: para que serve ganhar o mundo inteiro se você perdeu a sua alma, se você se perdeu de si mesmo, se você se esqueceu do ser que lhe faz ser? Felizmente, crise é também oportunidade de aprender e de evoluir. Gosto de confiar que o ser humano será a maior descoberta do terceiro milênio!

 

Roberto Crema, Psicólogo e antropólogo do Colégio Internacional dos Terapeutas, analista transacional didata, criador do enfoque da Síntese Transacional. Mentor da Formação Holística de Base da UNIPAZ. Diretor da Holos Brasil. Educador e autor de vários livros, entre os quais "Análise Transacional Centrada na Pessoa", "Introdução à visão holística" e "Saúde e plenitude". Vice -reitor da UNIPAZ.

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 18h50
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21/11/2005


Homenagem ao grande músico brasileiro Altamiro Carrilho :

 

http://paginas.terra.com.br/arte/ligiatomarchio/homenagem_altamiro.htm

 

Classificação:

 

Categoria: Link
Escrito por Fabio Oliveira às 21h19
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drummond2.jpg (12648 bytes)

autor : Carlos Drummond de Andrade

A FOLHA

A natureza são duas.

Uma,

tal qual se sabe a si mesma.

Outra, a que vemos. Mas vemos?

Ou é a ilusão das coisas?

 

Quem sou eu para sentir

o leque de uma palmeira?

Quem sou, para ser senhor

de uma fechada, sagrada

arca de vidas autônomas?

 

A pretensão de ser homem

e não coisa ou caracol

esfacela-me em frente à folha

que cai, depois de viver

intensa, caladamente,

e por ordem do Prefeito

vai sumir na varredura

mas continua em outra folha

alheia a meu privilégio

de ser mais forte que as folhas.

 

O MUNDO É GRANDE

 

O mundo é grande e cabe

nesta janela sobre o mar.

O mar é grande e cabe

na cama e no colchão de amar.

O amor é grande e cabe

no breve espaço de beijar.

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 20h53
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O melhor comercial do ano

 

Classificação :

Escrito por Fabio Oliveira às 20h43
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As mais belas serestas brasileiras :

http://www.boemio.com.br/

Classificação:

 

Categoria: Link
Escrito por Fabio Oliveira às 20h36
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20/11/2005


AS COISAS


Jorge Luis Borges

A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.


Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986. É considerado o maior poeta argentino e, sem dúvida, um dos mais importantes da América Latina.

"Seu texto é sempre o de uma pessoa que, reconhecendo honestamente a fragilidade e as limitações do ser humano, nos coloca diante de reflexões nas quais, com freqüência, está presente o nosso próprio destino." (Miguel A. Paladino).

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 12h23
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Altamiro Carrilho indica :

O novo CD de choro do bandolinista Carlos Henrique Machado, "Vale dos Tambores", que vem recebendo muitos elogios da crítica, acaba de ser coroado com o Prêmio Rival Petrobrás de Música Brasileira. Esse trabalho vem com um estojo, dois CDs e um livro.

http://www.carloshenrique.mus.br/

Classificação :

Categoria: filme, livro e cd
Escrito por Fabio Oliveira às 09h58
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Clique aqui para ver Espectro da Consciência, O, de KEN WILBER no Submarino.com.br 

O ESPECTRO DA CONSCIÊNCIA - KEN WILBER   


 

Este trabalho de Ken Wilber pode ser considerado a principal teorização no campo da Psicologia Transpessoal, numa abordagem que amplia as concepções sobre a consciência desenvolvidas pela psicologia ocidental. Neste livro notável, o autor compara a consciência ao espectro eletromagnético. A partir dessa analogia, tal como qualquer radiação eletromagnética, a consciência é "una" e se manifesta por uma multiplicidade de aspectos, de níveis ou de faixas, que correspondem aos diferentes comprimentos das ondas eletromagnéticas.


Categoria: filme, livro e cd
Escrito por Fabio Oliveira às 09h49
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18/11/2005


AS ÚLTIMAS PALAVRAS DE BUDA

 



 Não vos entristeçais. Ainda que permanecesse no mundo durante milhares de anos, isso não me livraria da morte. Nada do que se reúne escapa à separação. Já foram ensinados todos os Dharmas que trazem proveito a quem os pratica e todos os que trazem proveito a outrem. Ainda que eu permanecesse vivo, nada mais teria que fazer. Todas as pessoas que eu devia ensinar já foram ensinadas. Quanto às que eu ainda não ensinei, já criei condições para que elas sejam ensinadas. Se vós, meus discípulos, persistirdes na prática da Lei após minha morte, meu Corpo de Lei continuará eternamente vivo.

Deveis saber que, no mundo, nada existe de permanente, tudo o que se reúne está sujeito à separação. Não vos entristeçais, pois assim é o mundo. Esforçai-vos por obter a libertação. Eliminai as trevas da ignorância com a Luz da Sabedoria. O mundo é algo perigoso e incerto, sem nada de estável. Eu agora alcançarei a extinção como aquele que se livra de uma moléstia maléfica. Vou deitar fora o pior dos males, aquilo que se chama corpo e se encontra mergulhado no oceano da doença, da velhice e da morte. O sábio que destrói isso é semelhante àquele que mata um salteador. Essa destruição deve ser motivo de alegria.

Esforçai-vos sem cessar na prática que leve à libertação. Todas as leis imutáveis e mutáveis deste mundo são isentas de garantia de estabilidade.

Permanecei em silêncio. O tempo passa, e é chegada a hora de eu me extinguir.

 

Siddhartha morreu aos 80 anos de idade. Assim como Sócrates e Jesus, não deixou nada escrito, tendo seus discípulos se reunido 100 anos após sua morte  para escrever o que haviam ouvido de seu mestre, e fizeram assim o Tipitaka, que é a "bíblia" da escola Theraveda de ensino budista.

As últimas palavras de Buda foram: "Tudo o que foi criado está sujeito à decadência e à morte. Tudo é impermanente. A única coisa verdadeira é trabalhar a própria salvação com amor, perseverança e, sobretudo, muita disciplina".

 

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 20h40
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16/11/2005


Lição 1 – Violência contra a humanidade através de um toco de lápis.

Quando Arun tinha 13 anos, ele morava com seu avô. Um dia, enquanto voltava para casa, ele jogou na rua um toco de lápis de três centímetros que o Gandhi havia lhe dado. Arun achava que o lápis era muito pequeno e por isto, merecia um novo. Nesta noite, ele solicitou um novo e Gandhi perguntou sobre o lápis e a razão dele tê-lo jogado, solicitando que o neto o procurarasse. Em meio a escuridão e somente com uma lanterna, Arun vasculhou por duas horas antes de achá-lo.

Então, o avô lhe ensinou duas lições que se tornaram valiosas para ele. A primeira foi de que mesmo um pequeno e simples objeto, como um lápis, requer o uso dos recursos naturais do mundo. Descartá-lo é sinônimo de descartar os recursos do mundo e isto é uma violência contra a natureza. A segunda foi que embora possamos ter condições de adquirir inúmeros bens, algumas vezes os utilizamos de forma indiscriminada, consumindo recursos além do necessário.

Quando os consumimos em excesso, estamos privando que estes possam ser direcionados para pessoas que vivem na miséria e esta é uma violência contra a humanidade. Gandhi ensinou que, muitas vezes, as nossas pequenas ações diárias são atos de violência e que somente tomando o devido cuidado com os pequenos detalhes é que seremos capazes de resolver as grandes violências que ocorrem no mundo.

Lição 2 – Árvore Familiar da Violência

Gandhi ensinou ao jovem Arun que nós devemos compreender o que é a violência, antes de compreendermos o significado da não-violência. Ele sentia que isto era necessário para que pudéssemos compreender o volume de atos violentos que praticamos todos os dias. Gandhi sugeriu para que o neto desenhasse uma "Árvore Familiar da Violência", sendo que a violência seria o tronco e a violência física e a violência passiva como dois ramos. Em seguida, ele explicou que a violência física é fácil de ser compreendida, pois causa feridas na pessoa atingida. Entretanto, a violência passiva - como a opressão, repressão, ódio, insulto e preconceito - não pode ser necessariamente observada. Assim, a violência passiva - a qual geramos a todo momento - faz brotar o sentimento de raiva na vítima e provoca a violência física. A violência passiva é o combustível que faz acender a violência física.

Desta forma, Gandhi ensinou que para cessarmos a violência, é fundamental rompermos a sua fonte, ou seja, a violência passiva. O pacifista indiano ensinou que devemos ser os precursores das mudanças que gostaríamos de presenciar e que isto somente é possível através do ato de compreendermos o quão violentos somos. Ele acrescentou que se vivermos negando nossa violência, somente iremos permitir que ela continue presente. Arun compartilhou esta compreensão com Gandhi desde a tenra infância, construindo esta "Árvore Familiar da Violência". Ele escrevia diariamente sobre os seus sentimentos, ações e palavras, assim como os fatos que presenciava. Por fim, ele compreendeu o quão violento ele era e através deste exercício, começou a mudar o seu comportamento.

Lição 3 – Confiança e Ação Construtiva

Gandhi ensinou que cada indivíduo possui um talento, na qual pode ser adquirido ou inerente. Entretanto, as pessoas geralmente acreditam que este talento pode ser dispendido de acordo com o seu próprio desejo. Gandhi acreditava que nós não éramos proprietários deste talento, mas que este nos era confiado.

Logo, este deveria ser utilizado em prol do bem estar social. Isto significa muito mais do meramente distribuir algo para alguém necessitado. Uma atividade compassiva é diferente, pois requer a interrupção do que estamos realizando neste momento e o redirecionamento de nossas energias em prol de uma solução para quem necessita de nossa ajuda. Requer que possamos encontrar a causa de uma determinada situação e de forma concreta, colaborar para que o indivíduo utilize o seu talento, com o objetivo de transformar esta circunstância para melhor. Tudo isto requer um sacríficio de tempo pessoal, para que possamos tanto conhecer o outro, como ajudá-lo na resolução do seu problema.

Lição 4 – Jornal da Raiva

Gandhi ensinou que a raiva é positiva, quando ela é compreendida e direcionada de forma efetiva e inteligente. Ele declarou que a raiva é como a eletricidade, na qual se utilizada de modo inadvertido pode destruir a todos; mas, se canalizada de forma inteligente, pode ser utilizada para o bem da sociedade. Gandhi sugeriu que Arun mantivesse um "Jornal da Raiva", na qual ele escreveria todas as vezes que estivesse irado, ao invés de  mantê-la viva dentro de si e que para o seu neto pudesse aprender a canalizar esta emoção de forma construtiva e enriquecedora.

 

autor : Arun Gandhi, neto do pacifista Mahatma Gandhi

Categoria: artigo
Escrito por Fabio Oliveira às 21h56
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UNS, UNS OUTROS  e UNS POUCOS (  I  )

 

autor: Fábio Oliveira

 

Uns buscam a felicidade em atos corruptos e espertezas, tirando a merenda escolar de crianças pobres e famintas; Uns buscam a felicidade na comercialização e uso de drogas; Uns buscam a felicidade, escondendo dinheiro em cuecas e malas pretas; Uns buscam a felicidade na desonestidade, aceitando propinas e favorecimentos ilícitos;  Uns buscam a felicidade, construindo castelos encantados e vazios, quando a grande maioria da população carece de tudo que é básico: escola, saúde, segurança, alimentação e etc. Uns buscam a felicidade, propagando a pseudo-cultura que aliena e restringe a consciência humana, tendo como motivação apenas o interesse pessoal e não o coletivo; Uns buscam a felicidade com o uso de armas e a promoção de guerras; Uns buscam a felicidade, procurando a ilusão da fama e do sucesso; Uns buscam a felicidade, tomando uma coca-cola no artificialismo de um Shopping Center; Uns buscam a felicidade, conhecendo o mundo e tendo o conhecimento racional das coisas terrenas; Uns buscam a felicidade no acúmulo de dinheiro, de bens materiais, na prepotência, egoísmo e egocentrismo; Uns buscam a felicidade, aderindo à competição irracional do capitalismo selvagem; Uns buscam a felicidade nos divertimentos efêmeros, na embriagues e nos prazeres sensuais momentâneos e passageiros; Uns buscam a felicidade, fugindo da dor e dos problemas existenciais;

 

A Felicidade dos Uns pertence à consciência do dormir (pontual) e está impregnada na ilusão. Tem origem na ignorância e não consegue enxergar, além de suas vísceras e excreções.

 

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 18h00
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Continuação ...

 

UNS, UNS OUTROS  e UNS POUCOS ( II )

 

autor: Fábio Oliveira

 

 

Uns Outros buscam a felicidade, sendo gente, sendo pleno, vivendo apaixonadamente e amando incondicionalmente; Uns Outros buscam a felicidade, ouvindo belas músicas, lendo bons livros e vivenciando a introspecção; Uns Outros buscam a felicidade, sendo simples, espontâneo e curtindo o momento presente; Uns Outros buscam a felicidade, na justiça, na retidão e na prudência; Uns Outros buscam a felicidade na fé, na crença em Deus e freqüentando templos religiosos; Uns Outros buscam a felicidade na convivência harmônica com a natureza; Uns Outros buscam a felicidade no aconchego da família; Uns Outros buscam a felicidade no desapego das coisas materiais e de idéias condicionadas;

 

 

A Felicidade dos Uns Outros  pertence à consciência do despertar (circular). Tem início na percepção das ilusões originadas pela ignorância e já consegue enxergar os processos mentais, além de suas vísceras e excreções.

 

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 14h06
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Continuação ...

 

UNS, UNS OUTROS  e UNS POUCOS ( III )

 

autor: Fábio Oliveira

 

 

Uns Poucos buscam a felicidade, na consciência da unidade, ou seja, buscam a união com o universo e toda a criação; Uns Poucos buscam a felicidade, tentando eliminar a ignorância e conseqüentemente as ilusões da vida; Uns Poucos buscam a felicidade, considerando que a dor e o prazer são realidades da vida, mas são fontes de aprendizagem, portanto não merecem tamanha preocupação; Uns Poucos buscam a felicidade, compreendendo a vida, pois têm a consciência que um mundo de opostos separados é completamente frustrante; Uns Poucos buscam a felicidade, rompendo as fronteiras do mundo, pois vivemos num mundo de limites entre os opostos; Uns Poucos buscam a felicidade, abraçando e aceitando a dor; Uns Poucos buscam a felicidade na sabedoria, alterando a sua natureza humana em direção a sua natureza divina; Uns Poucos buscam a felicidade, acreditando que o presente é a única realidade; Uns Poucos buscam a felicidade, descobrindo os processos da vida. O significado é encontrado, não nas ações ou posses exteriores, mas nas correntes interiores que irradiam do seu próprio ser; Uns Poucos buscam a felicidade, descobrindo que o verdadeiro significado da vida é aceitar a morte, acalentando a impermanência de tudo aquilo que existe; Uns Poucos buscam a felicidade, subestimando progressivamente os valores materiais e apego ao dinheiro, substituindo o “TER” pelo o “SER”. Uns Poucos buscam a felicidade, acreditando que algo grande, respeitável e sagrado acontecerá no universo; Uns Poucos buscam a felicidade em experiências mais elevadas que não podem ser descritas com a linguagem semântica usual;

 

A Felicidade dos Uns Poucos pertence à consciência do acordar (espaço sem fronteiras, multidimensional). As ilusões originadas pela ignorância são dissipadas, percebendo a realidade profunda, invisível, além dos processos mentais e de suas vísceras e excreções.

 

Percebemos então, três níveis de felicidade: Uns (consciência do dormir), Uns Outros (consciência do acordar) e Uns Poucos (consciência do despertar). A separação em níveis é para facilitar a compreensão, pois na realidade não estão separados, mas interconectados. E necessariamente não são três níveis. A felicidade é dependente do nível de consciência em que nos encontramos na escala evolutiva. Acredito que aqueles que se encontram em nível mais elevado (consciência do despertar) são mais felizes. Entendo a felicidade, não como a ausência de dor e sofrimento, mas a dádiva da percepção de verdades mais sábias, sublimes e profundas.

 

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 13h46
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15/11/2005


SERENIDADE

 

    Estou imóvel.

 

Já não corro atrás da juventude que me foge com asas.

Não tenho medo, mas não batalho com o inevitável.

A velhice me acerca.

Perdi-me num espelho.

Hoje não me olho, sinto-me.

Recordo-me é verdade...

Sinto ternura daquela que fui,

do rosto de outrora, da mente confusa,

a procurar razões.

Hoje sou a razão de tudo.

Já não me queima o desejo, determino-me.

Fiz o que pude. E o que não pude também fiz.

Tentei viver o que precisava ser vivido.

Não tenho culpas, sou imortal.

Continuo o caminho, mas já não tenho pressa,

acho que nunca tive. Vivi lentamente,

parando pra olhar ao meu redor.

Hoje olho a todos com ternura, tentando vê-los realmente.

E me vejo tanto em todos!

Não me desespera mais as misérias do mundo.

Penso, enfim, que alcancei a fé.

Sinto um profundo sentimento de que tudo tem uma razão,

de que Deus nos ama e que tudo está bem,

de que um dia entenderemos tudo.

Estou imóvel. Observo.

Sinto-me mais viva do que quando me debatia entre emoções confusas.

Meus olhos têm um maior alcance, porque não me limito a ver apenas com eles,

busco auxílio no discernimento que obtive até agora.

E tudo olhando, agora vendo, me emociono com a vida,

saboreando cada sensação: rio porque devo rir e choro porque devo chorar.

Compadeço-me das dores grandes e das pequenas,

acho-as, ambas, importantes porque doem.

Alegro-me com as grandes alegrias e com as pequenas,

ambas são importantes porque aquecem o coração de quem as sente.

Aprecio os cotidianos atos heróicos que antes me passavam despercebidos,

porque esses atos nascem do sentimento que nos mantém atentos: a esperança.

Estou imóvel.

A morte, irmã inseparável da vida, não a temo.

Só a temem aqueles que não viveram, que não se esgotaram de cansaço,

e como num dia comum deitam-se e dormem um sono profundo,

que os há de refazer para uma próxima etapa da qual nada sabemos de concreto.

 

autora : Ligia Eloy

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h20
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TRAJETÓRIA

Hermann Hesse

Hermann Hesse

A trajetória de nossa vida pode parecer definitivamente marcada por certas situações.

Nossa vida, entretanto, conserva sempre todas as possibilidades de mudança e conversão que estiverem ao nosso alcance.

E tais possibilidades são tanto maiores, quanto mais abrigarmos em nós de infância, de gratidão, de capacidade de amar.

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 08h23
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A VIDA

Mário Quintana

A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais
para ser reprovado...
Se me fosse dada, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada
inútil das horas...

Dessa forma eu digo, não deixe
de fazer algo que gosta devido
a falta de tempo, a única falta
que terá, será desse tempo que
infelizmente não voltará mais.

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 07h56
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11/11/2005


VOAR

  

Passamos uma vida presos,
qual pássaros em suas gaiolas!
Medo de amar,
de olhar a vida de frente...
E naquele pequeno espaço,
cantamos nossas dores e sonhos!

Muitas vezes,
as portas de nossas gaiolas se abrem...
Mas permanecemos ali,
acostumados,encolhidos as nossas vontades e sonhos!
Não tenham dúvidas amigos,
à primeira oportunidade,
devem alçar o vôo das águias,
calmo, confiante, determinado!

Amem sem medo,
brinquem um pouco com a vida!
Não tenham medo dos rochedos e sobre eles,
estendam a suas asas corajosas de águia!
soltem-se ao vento,
e deixem-no, levá-los ao sonho!

Como a águia,
tente enxergar as pequeninas coisas a sua volta
e saber apreciá-las,
dando um sentido novo a sua vida!
Não sejam passarinhos de gaiola,
mas, águias do céu!

A cada dia existe uma renovação constante,
e nunca um será como o outro...
Não há dores eternas,
lágrimas eternas,
perdas eternas!
Há sorrisos,
os esperando, dias de sol,
o abraço dos amigos,
dos filhos e tantos sonhos lindos!
Um amor os espera,para com vocês, voar, voar...
Porque a vida é um recomeçar diário de um vôo!
E gaiolas não foram feitas para os pássaros...

Tampouco para as ÁGUIAS!

autor : Leonardo Boff

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 22h11
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Tao-Te-King
Lao Tsé

Quando não glorificamos os homens de valor evitamos  a rivalidade entre as pessoas.

Quando não valorizamos os artigos difíceis de obter, estamos impedindo que sejam roubados.

Eliminando o que possa provocar desejos, os homens permanecem sem perturbações mentais.

Portanto, ao governar, o sábio esvazia a mente do seu povo. À medida que lhe enche a barriga e lhes fortalece os ossos sua vontade enfraquece.

Mantém sempre o povo isento de conhecimento e livre do desejo. Para que o inteligente nunca ouse agir, pois quando nos abstemos da ação reina suprema a boa ordem universal.

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 21h53
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AS MAIS BELAS HISTÓRIAS BUDISTAS

http://www.vertex.com.br/users/san/

Classificação:

Dentre milhões de páginas na Internet você veio parar aqui, saiba que sua presença neste site não é mero acaso, certamente você deve ter travado relações com o Budismo ...

Categoria: Link
Escrito por Fabio Oliveira às 21h42
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09/11/2005


O Beijo, de Gustav Klimt

 

  AMAR BONITO 
 
Artur da Távola



Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar:

Aprenda a fazer bonito seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.

Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.

Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender...

Tenho visto muito amor por aí.

Amores mesmo: bravios, gigantescos, escomunais,profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva.

Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos.

Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados,tratados com carinho, cuidado e atenção.

Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam, descuidam, reclamam,deixam de compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem, enchem-se de razões.

Sim, de razões.

Ter razão é o maior perigo no amor.

Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão.

Nem queira!!!

Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada.

Amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está fazendo o seu amor bonito?

De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro,da dor do desencontro a maior beleza possível?

Talvez não. cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.

Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de amar bonito.

Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.

E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo.

Derrube as cercas da opinião alheia.

Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.

Saia cantando e olhe alegre.

Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações,adiar sempre...se possível com beijos

-'aquela conversa importante que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.

Para quem ama, toda atenção é sempre pouca.

Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível.

Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos);

Não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.

Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade, abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente; não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito). Jogue por alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele que a vida impede de ser.

Seja você cantando desafinado, todas as manhãs.

Falando besteiras, mas criando sempre.

Gaguejando flores.

Sentindo o coração bater como no tempo de Natal infantil.

Revivendo os caminhos que intuiu em criança.

Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade.

Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo que você é.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.

Não se preocupe mais com ele e suas definições.

Cuide agora da forma.

Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide de você.

Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.
 
 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h53
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05/11/2005


RELIGIÃO DO CONSUMO  

 

autor : Frei Beto

 

          O "Financial Times", de Londres, noticiou que a Young & Rubicam, uma das maiores agências de publicidade do mundo, divulgou a lista das dez grifes mais reconhecidas por 45.444 jovens e adultos de 19 países. São elas: Coca-Cola (35 milhões de unidades vendidas a cada hora), Disney, Nike, BMW, Porsche, Mercedes-Benz, Adidas, Rolls-Royce, Calvin Klein e Rolex.

          "As marcas constituem a nova religião. As pessoas se voltam a elas em busca de sentido", declarou um diretor da Young & Rubicam. Disse ainda que essas grifes "possuem paixão e dinamismo necessários para transformar o mundo e converter as pessoas em sua maneira de pensar".

          A Fitch, consultoria londrina de design, no ano passado realçou o caráter "divino" dessas marcas famosas, assinalando que, aos domingos, as pessoas preferem o shopping à missa ou ao culto. Em favor de sua tese, a empresa evocou dois exemplos: desde 1991, cerca de 12 mil pessoas celebram núpcias nos parques da Disney World, e estão virando moda os féretros marcas Halley, nos quais são enterrados os motoqueiros fissurados em produtos Halley-Davidson.

          A tese não carece de lógica. Marx já havia denunciado o fetiche da mercadoria. Ainda engatinhando, a Revolução Industrial descobriu que as pessoas não querem apenas o necessário. Se dispõem de poder aquisitivo, adoram ostentar o supérfluo. A publicidade veio ajudar o supérfluo a impor-se como necessário.

          A mercadoria, intermediária na relação entre seres humanos (pessoa-mercadoria-pessoa), passou a ocupar os pólos (mercadoria-pessoa-mercadoria). Se chego à casa de um amigo de ônibus, meu valor é inferior ao de quem chega de BMW. Isso vale para a camisa que visto ou o relógio que trago no pulso. Não sou eu, pessoa humana, que faço uso do objeto. É o produto, revestido de fetiche, que me imprime valor, aumentando a minha cotação no mercado das relações sociais. O que faria um Descartes neoliberal proclamar: "Consumo, logo existo". Fora do mercado não há salvação, alertam os novos sacerdotes da idolatria consumista.

          Essa apropriação religiosa do mercado é evidente nos shopping-centers, tão bem criticados por José Saramago em A Caverna. Quase todos possuem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas. São os templos do deus mercado. Neles não se entra com qualquer traje, e sim com roupa de missa de domingo. Percorrem-se os seus claustros marmorizados ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Ali dentro tudo evoca o paraíso: não há mendigos nem pivetes, pobreza ou miséria. Com olhar devoto, o consumidor contempla as capelas que ostentam, em ricos nichos, os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode pagar à vista, sente-se no céu; quem recorre ao cheque especial ou ao crediário, no purgatório; quem não dispõe de recurso, no inferno. Na saída, entretanto, todos se irmanam na mesa "eucarística" do McDonald's.

          A Young & Rubicam comparou as agências de publicidade aos missionários que difundiram pelo mundo religiões como o cristianismo e o islamismo. "As religiões eram baseadas em idéias poderosas que conferiam significado e objetivo à vida", declarou o diretor da agência inglesa.

          A fé imprime sentido subjetivo à vida, objetivando-a na prática do amor, enquanto um produto cria apenas a ilusória sensação de que, graças a ele, temos mais valor aos olhos alheios. O consumismo é a doença da baixa auto-estima. Um São Francisco de Assis ou Gandhi não necessitava de nenhum artifício para centrar-se em si e descentrar-se nos outros e em Deus.

          O pecado original dessa nova "religião" é que, ao contrário das tradicionais, ela não é altruísta, é egoísta; não favorece a solidariedade, e sim a competitividade; não faz da vida dom, mas posse. E o que é pior: acena com o paraíso na Terra e manda o consumidor para a eternidade completamente desprovido de todos os bens que acumulou deste lado da vida.

          A critica do fetiche da mercadoria data de oito séculos antes de Cristo, conforme este texto do profeta Isaías: "O carpinteiro mede a madeira, desenha a lápis uma figura, trabalha-a com o formão e aplica-lhe o compasso. Faz a escultura com medidas do corpo humano e com rosto de homem para que essa imagem possa estar num templo de cedro. O próprio escultor usa parte dessa madeira para esquentar e assar seu pão; e também fabrica um deus e diante dele se ajoelha e faz uma oração, dizendo: "Salva-me, porque tu és o meu deus!" (44, 13-17).

          Da religião do consumo não escapa nem o consumo da religião, apresentada como um remédio miraculoso, capaz de aliviar dores e angústias, garantir prosperidade e alegria. Enquanto isso, Ele tem fome e não lhe dão de comer (Mateus 25, 31-40).

Escrito por Fabio Oliveira às 12h03
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04/11/2005


A SOCIEDADE DOS MORTOS VIVOS

Vivemos em uma sociedade estranha. O individualismo patrocinado pela sobrevaloração do material e do consumo como fim em si próprio reduziu o homem à condição de simples macaco. Já não há mais vontade própria, mas apenas a imitação barata de modelos forjados e tacanhos. O bizarro e a vulgaridade tomaram conta do cenário social. Os conceitos de ética são cada vez mais desprezados em todos os setores da vida. O certo e o errado tornaram-se subjetivos. O Estado ausente perdeu sua função reguladora e edificadora da sociedade. Transformou-se em um amontoado disforme de estatísticas econômicas.

Cesar Boschetti

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h01
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O natural conflito de gerações é apenas um pequeno apêndice de uma problemática bem maior. Os valores humanos foram reduzidos ao salve-se quem puder e que se dane o próximo. Uma estratégia maquiavélica para desclassificar competidores na olimpíada dos mortos vivos. Com raras exceções, ninguém mais dá a mão a ninguém. Ninguém mais tem coragem de apontar o erro do seu semelhante, não para humilhá-lo, mas para reerguê-lo, numa verdadeira expressão de amor ao próximo. Este ato, moralmente correto, choca-se com o paradigma covarde e irracional do "dedo duro". Uma atitude justificada, mas própria de uma sociedade estupidificada de espectros humanos.

 

Cesar Boschetti - Brasil

 

César Boschetti é formado em Física pela USP - Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado na área de materiais semicondutores e dispositivos optoeletrônicos para o infravermelho. Trabalha como Tecnologista no LAS - Laboratório Associado de Sensores e Materiais do INPE e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em São José dos Campos, desde 1979.

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 17h48
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03/11/2005


NOTÁVEL !  UM FILME PROFUNDO.

PARA QUEM ACREDITA QUE UM MUNDO MELHOR É POSSÍVEL.

A CORRENTE DO BEM

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 Sinopse:  Haley Joel Osment  interpreta  Trevor McKinney,    um bom aluno na escola que sofre problemas em casa com a mãe alcoólatra  (Helen Hunt).  Quando seu professor  Eugene Simonet  (Kevin Spacey)   pede um trabalho no qual ele deve  consertar  algo de que não gosta no mundo, ele propõe uma corrente de bondade: cada pessoa teria de fazer três boas ações. Como forma de retribuição, os beneficiados fariam o bem para mais três pessoas e assim por diante. Seus planos são colocados em prática e uma revolução ocorre em sua cidade.
 
 
Classificação :
 

Categoria: filme, livro e cd
Escrito por Fabio Oliveira às 20h19
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UM BELO FILME !

 

SAMSARA de Nalin Pan
É uma reflexão profunda sobre o desejo e a necessidade de auto-satisfação, transformado em filme "cult" surpreende pela riqueza e beleza.

Bernardo Krivochein (RJ)

http://www.zetafilmes.com.br/criticas/samsara.asp?pag=samsara

Classificação : 

Categoria: filme, livro e cd
Escrito por Fabio Oliveira às 19h03
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02/11/2005


O QUE É ECOLOGIA PROFUNDA ?

 

A Ecologia Profunda é algo muito abrangente e envolve a integração de todas as variáveis que compõem a Vida, a Natureza e o Universo. A Ecologia Profunda, também chamada Integral, lida com o interior do ser humano, as causas de nossos problemas ambientais, seus efeitos e a nossa  conexão com o Universo. A Ecologia Profunda envolve a nossa transformação interior e a integração com o exterior. Acredito na transformação do homem, pois tudo está em constante mutação. Não devemos esquecer que o coletivo é feito do individual. O que está fora é feito do que está dentro. Não existem inimigos externos, o que existe é nós mesmos.

 

Fábio Oliveira

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 19h35
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INSTANTES

 

Jorge Luis Borges

 

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,

na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser perfeito; relaxaria mais.

Seria mais tolo do que tenho sido; na verdade,

bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,

subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a lugares onde nunca fui,

tomaria mais sorvetes e menos lentilhas,

teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente

cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabes, disso é feita a vida, só de momentos,

não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,

uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas;

se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço

no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres

e brincaria com mais crianças,

se tivesse outra vida pela frente.

Mas vejam, tenho 85 anos

e sei que estou morrendo...

   

Jorge Luis Borges (poeta argentino) , 1986 / SUÍÇA

Prêmio Nobel de Literatura

Escrito por Fabio Oliveira às 08h09
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01/11/2005


   SER HUMANO

Você receberá um corpo físico. Você  pode  amá-lo  ou  detestá-lo, mas ele  será seu ao longo de toda a sua existência.

 

Você receberá lições. Você estará matriculado na escola da vida em período integral.

 

Você terá oportunidades para aprender a cada dia que passa. Você poderá usar estas oportunidades ou deixá-las passar simplesmente. Não há erros, apenas lições.

 

O crescimento é resultado de um processo de  tentativa  e  erro : uma experimentação. Os  experimentos  fracassados são tão parte do processo, tanto quanto os experimentos que funcionam.

 

Uma lição se repetirá até que tenha sido aprendida. Esta  lição  será  apresentada  a  você sob várias formas até que você a tenha aprendido.

 

Quando conseguir isso, poderá então passar para a próxima lição. Aprender lições é um processo interminável. Não há nenhum evento na vida que não contenha uma lição.  

 

Se você está vivo, sempre haverá uma lição para aprender. Lá não é melhor que aqui.

 

Quando o seu lá se transformar em aqui, você apenas estará obtendo outro lá que, mais uma vez, parecerá melhor que aqui.

 

Os outros são apenas espelhos da sua própria imagem. Você  não  pode  amar  ou  detestar  alguma coisa em outra pessoa, sem que isso reflita alguma coisa que você ama, ou detesta em si mesmo.

 

É você quem escolhe o que quer fazer da sua vida. Você tem todas as ferramentas e recursos de que precisa. O que faz com eles, é problema seu.

 

A escolha é sua. As respostas estão dentro de você. As respostas às questões da vida estão dentro de você.

 

(from Kabbalah Group)

Escrito por Fabio Oliveira às 22h59
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SOBRE A TOLERÂNCIA

 
 
Tolerância é continuar mesmo quando você é jogado contra uma parece dura. Um quadrado não consegue pular porque é feito de linhas retas, mas uma bola consegue porque é redonda e geralmente leve. Seja qual for o seu tamanho, ela pulará de volta.Trabalhar em linhas retas significa perder as implicações das coisas, ser limitado e ditado pelo presente. Essa vida é tudo o que existe. E os cantos do quadrado, as mudanças repentinas de direção, podem machucar as pessoas. Não associamos uma bola com machucar, mas com jogar.Tolerância vem de percebermos que tudo é um enigma e que todas as coisas funcionam em círculos, o que é incômodo agora, logo mudará. Há um movimento constante na tolerância, uma flexibilidade por gostar de mudanças. Um quadrado encontra a sua posição e isso é tudo.Alguém tolerante pode se ajustar a qualquer situação, pode introduzir um elemento de diversão ou humor. O humor vem de muitas coisas: de uma necessidade de superar imperfeições ou mágoa, ou desespero, mas o humor da tolerância vem do otimismo.Como é possível ter tolerância, exercê-la em momentos difíceis? Primeiro, é necessário um pouco de quietude. Pensar, percorrer a jornada interior. Pensar no nascimento, em como as coisas começaram, para onde foram e porque foram e brincar com esse ciclo de eventos como se fosse uma bola. Depois, amar as pessoas, como seres diferentes, com um intrincado de experiências pessoais e internas, seres com talentos singulares muitas vezes encobertos. Olhar nos olhos das pessoas sem medo e perceber a raridade de cada uma delas.
 
"Tolerância é dizer sim ao jogo, aproveitá-lo e aprender, mesmo que ele seja duro".
 
Anthea Church ("O livro das Virtudes")

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 19h06
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STEVE REICH

Steve Reich é um compositor americano nascido em 1935. Estudou filosofia na Universidade de Cornell (1953-57) e composição na Julliard School (1958-61) e no Mills College (1962-63). Tornou-se numa das principais figuras da Música Minimal Repetitiva, criando trabalhos para o seu grupo com uso progressivo de instrumentos de percussão e, após uma visita ao Gana, iniciou tournées mundiais. Obras sublimes, poéticas, texturas de repetição modal, extrema delicadeza na concepção rítmica e trabalhos encantatórios para pequenos grupos orquestrais ou instrumentos de solo. Hoje é considerado um avatar da Nova Música Minimal Repetitiva e a sua influência estende-se, diáfana, em todos os círculos vanguardistas. 

www.stevereich.com/

cotação :

Categoria: grandes músicos
Escrito por Fabio Oliveira às 12h49
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