autocultura - fábio oliveira


28/02/2006


 

A rotina é nosso mundo: o território demarcado por nossos conceitos, padrões e modelos.

 

Acomodar-se ao dia-a-dia raso de nossas vidinhas, equivale a recolher-se à prisão, sob o pretexto da segurança.

 

As convicções que nos servem de cárcere, se por um lado protegem nossos interesses imediatistas e mundanos, por outro eliminam de nossas vidas a curiosidade pelo desconhecido, a satisfação da surpresa e o prazer da descoberta....

 

O senso comum governa a nossa rotina, acabando por nos conduzir como as marionetes.

 

Transformamos-nos em massa de manobra daqueles que controlam as ferramentas formadoras de opinião.

 

Com nossa atenção dispersada por incontáveis besteiras reunidas num produto chamado "aldeia global", perdemos a força que nos alçava aos vôos mais altos.

Martinho Carlos Rost

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 04h55
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27/02/2006


 

 

 

Todo aquele que percebe a inferioridade de seu ambiente em relação ao que poderia ser, assim como a imperfeição de sua natureza à luz de suas possibilidades não desenvolvidas, e que se propõe a melhorar o primeiro e sanar a segunda, deu o primeiro passo para a busca ... Num dia decisivo, ele vai perceber, com pesar, que está preso pelas atividades externas como se fosse por um polvo. Vai então empunhar a faca da determinação penetrante e implacável e cortar de uma vez por todas os tentáculos que o prendem ... Os que se interessam por idéias avançadas o suficiente para persegui-las a despeito do desprezo social, assim como os que têm coragem para explorar o que está além das idéias já aceitas, tornaram-se um contingente significativo de buscadores ... A massa é apática diante da Busca: os pobres por uma série de razões, os ricos por outra. Apenas os poucos capazes de ter juízo individual, os pensadores independentes e ousados, serão capazes de se destacar da massa ... Ele vai precisar de muita coragem para a Busca, porque será confrontado por dois inimigos poderosos. Um é ele próprio; o outro, a sociedade. No interior de si mesmo, vai ter que travar batalha contra os grandes desejos. No interior da sociedade, vai ter que lutar contra as grandes tradições... Não são muitos os que estão prontos para essa independência de atitude e de vida. É necessária, antes de tudo, certa força interior e, evidentemente, uma disposição natural ou adquirida para desertar do rebanho se necessário.

 

 

Paul Brunton

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 17h49
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26/02/2006


OS PERIGOS DA VAIDADE

Por Vera Lúcia Franco

 

 

Ao  exigir  que  o  homem  seja  brilhante  e   poderoso,   a cultura  moderna alimenta a sua vaidade. No entanto, ao voltar-se para a própria imagem e deixar-se embriagar pelo poder, ele acaba negando seus sentimentos e se deparando com a incômoda sensação de vazio. "A vaidade – este é meu pecado favorito.” Se me recordo bem, essa foi uma das frases mais contundentes do filme “O Advogado do Diabo”. Através dela o diabo escarnecia das pessoas, por conhecer profundamente a vaidade humana e saber que ela pode até levá-las a cometer atrocidades. Esse também foi o terrível retrato acerca da natureza humana pintado na conhecida história de Dorian Gray; nela o autor nos faz ver como a inocência pode ser corrompida através das promessas de poder, de riqueza ou até mesmo de amor. Após ter sido seduzido e cortejado por muitos, que lhe faziam crer ser especial por sua incrível beleza, o jovem e o belo Gray, aos poucos, vai se transformando num homem hodiendo.

 

Sermos especiais, no entanto – e aí devemos reconhecer nossa vaidade –, nos transporta para longe de nosso humano lugar comum. Ser poderoso traz certas vantagens, como ter conforto e um padrão de vida superior, já que podemos até nos servir de outras pessoas para as tarefas mais pesadas. Além do mais, “matamos” nosso vizinho de inveja... O poder e o status que dele advém, na verdade, nos revestem com uma aura de superioridade, nos elevando, muitas vezes, à categoria de semideuses. E aí reside o perigo, pois isso nos ajuda a negar nossa verdadeira condição humana. Jung mostrou claramente o perigo da inflação egóica ao cumprimentar um aluno pelo sucesso que tivera: “Parabéns”, disse ele, “você sofreu um sucesso”. A biologia, porém, nos ensina que na natureza ninguém tem poder. No mundo natural, é a posição a ser ocupada que desempenha um papel importante como regulador das relações grupais entre os animais. A melhor fêmea e o melhor alimento vão pertencer àquele que possuir maior potencial energético e vitalidade, ou seja, maior potência sexual.

 

Na sociedade humana, associou-se a imagem da potência sexual às pessoas investidas de poder. E foi justamente essa identificação simbólica do poder com potência sexual que tornou o primeiro tão sedutor. Por isso, os que não o possuem, muitas vezes, acabam se sentindo impotentes, incapazes de se realizar na vida.

 

A cultura moderna está orientada e obcecada pelo poder, uma vez que a autoridade que regia e determinava o comportamento no século 19 entrou em colapso. Havia, então, uma rígida estrutura de classes e uma rigorosa moralidade sexual; ao mesmo tempo, as atitudes esperadas frente a esses padrões eram de submissão e austeridade. Resultou disso um severo superego, causador de culpa e ansiedade intensas em relação ao sentimento sexual, surgindo a partir daí a histeria.

 

Nos dias atuais, já não há o mesmo respeito à autoridade. Por outro lado, a conduta sexual é mais livre, a ponto de ter mais importância do que os sentimentos. Os colarinhos duros foram substituídos pelo exibicionismo, com muito menos culpa ou ansiedade em relação ao sexo.

 

Já sabemos, porém, aonde nossa megalomania nos levou: em termos pessoais, a uma profunda desconexão com a nossa natureza humana, capaz de produzir tantas doenças; em termos ambientais, à destruição de boa parte do mundo natural. Embora nosso ego vaidoso possa ser seduzido pelas promessas de um imenso prazer em obtermos sucesso, viver essa imagem nunca trará a satisfação real de nossas necessidades básicas, nem tão pouco a realização de nosso potencial humano. Em outras palavras, de que adianta sermos ricos ou famosos e nos sentirmos vazios? De que adianta vivermos num castelo dourado, se não tivermos intacta a natureza à nossa volta? De que adianta vermos o outro como rival e competir para derrubá-lo, se precisamos dele para amar? Talvez tenha razão o diabo, que elegeu a vaidade como seu pecado predileto...

 

Escrito por Fabio Oliveira às 18h32
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23/02/2006


O PARADOXO DE NOSSO TEMPO

 

O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.

 

Temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus acadêmicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas; mais medicina, mas menos saúde.

 

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma perdulária, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos.

 

Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos. Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho.

 

Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos.

 

Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Temos mais comida, mas menos apaziguamento. Construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade.

 

Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados.

 

São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, ficadas de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar.

 

É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla Del.

 

 

autor desconhecido 

Preciosa Colaboração de Edilene Campos

Escrito por Fabio Oliveira às 14h02
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22/02/2006


                                                                   PRA QUÊ A VIDA ?

                                                                           Alex Marq

 

            Itapuca...pedaço lindo de Niterói / RJ

            foto de Sérgio  Guida

 

 

O maior propósito de nossas vidas, consiste em desenvolver nossas consciências... Ampliar nossa percepção quanto ao nosso ambiente... E aumentar o poder de nossa capacidade, conforme nossas realizações... As circunstâncias, os desencontros e conflitos que temos, são apenas conseqüências do que precisamos aprender para estar "em paz" com nosso coração...

 

Temos duas opções... Agradar o mundo... Ou agradar a si mesmo... Ambas têm seu preço... Se adequar ao mundo, significa entregar sua vida em mãos de outras pessoas... Agradar a si mesmo, significa estar em guerra com a maioria das pessoas à sua volta, que são incapazes de aceitar o "atrevimento" de quem faz seu próprio caminho...

Só adquirimos habilidade ao que nos dedicamos... E só nos dedicamos ao que nos atrai... Atraímos-nos pelas coisas e pessoas que tocam nossos sentimentos...

 

É preciso lucidez e raciocínio para compreender o mundo e interagir positivamente com ele... É preciso sentimento puro e coração sincero; para desfrutar da vida, as melhores coisas que ela nos oferece... É preciso ser justo com o meio à nossa volta... É preciso dar mais amor e mais carinho... É preciso desfrutarmos melhor o benefício que temos de "Ser" em detrimento de desgastarmos nossa saúde e consumirmos nossa vida buscando Ter... Na verdade não temos nada.. Apenas somos...

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 05h57
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20/02/2006


 

 

Não sei por que queremos uma finalidade para a vida. O viver, em si, não é a finalidade? Mas nossa vida é tão sórdida, tão mesquinha, tão feia, tão medíocre! Nossa vida é um campo de batalha, e por isso desejamos uma finalidade superior, algo a que dedicarmos nossa vida: um ideal, uma utopia, um céu maravilhoso. Se conseguísseis libertar-vos de toda essa agitação, eu gostaria de saber se ainda perguntaria qual é a finalidade da vida. Acho que não o perguntaríeis, porque, então viveria uma vida de plenitude, de riqueza, e não uma vida de sofrimento, angústia e confusão. É porque nos vemos confusos que desejamos claridade, mas não descobrimos um meio de nos libertarmos da confusão. Desejamos algo além e, assim, nos vemos de novo empenhados na batalha dualista do que é e do deveria ser.

Eu diria que a vida é sem finalidade, mas isso não significa que devais aceitar a vida sórdida que agora estais vivendo. Pelo contrário, deveis romper através dela, destruir completamente a estrutura psicológica da sociedade. Descobrireis então, por vós mesmos, que coisa extraordinária é a vida.

 

Krishnamurti

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 06h28
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18/02/2006


       SOMOS PARTE DO MEIO AMBIENTE

 

    foto : Sérgio Guida - Itapuca / Rio de Janeiro

 

 

Somos mais parte do meio ambiente do que vocês podem imaginar. Querem ver? Tenho certeza que não haviam pensado no que vou contar...Acomodados? Então vamos a mais uma estória...

 

O nosso corpo é uma associação de moléculas, formadas elas próprias de agrupamentos de átomos.

 

Os átomos são partículas minúsculas governadas por forças específicas. Eles entram no nosso organismo pela respiração e pelos alimentos, renovam incessantemente os tecidos, são substituídos por outros, e quando eliminados, vão pertencer a outros corpos.

 

Alguns cientistas e pesquisadores acreditam que, em cerca de três meses o corpo humano é totalmente renovado, e nem no sangue, nem nos músculos, nem no cérebro, nem nos ossos resta mais uma única célula que constituía o todo 90 dias antes.

 

Por intermédio da atmosfera, principalmente, os átomos viajam sem cessar de um para outro corpo. A molécula de ferro é sempre a mesma, quer esteja incorporada ao sangue que pulsa sob a têmpora de um homem ilustre ou pertença a um vil fragmento enferrujado. A molécula de oxigênio é idêntica, quer preencha os pulmões de um recém-nascido, ou reunida ao hidrogênio, projete sua flama em uma vela de aniversário, ou ainda, caia em gota de água do alto das nuvens.

 

Os corpos vivos atualmente são formados da cinza dos mortos, de fragmentos de meteoros e até mesmo de estrelas e dinossauros. E, durante a vida mesmo, numerosas mudanças ocorrem entre homens, animais, plantas e qualquer outra coisa que esteja em nossa atmosfera, inclusive lixo e poluição. Estas trocas causariam grande espanto se pudéssemos enxergá-las.

 

Tudo o que você respira, come ou bebe, já foi respirado, bebido ou comido milhares de vezes. Tal é o corpo: um complexo de moléculas que se renovam constantemente! Convencido agora de que você faz parte da Natureza assim como todas as outras coisas do Planeta e do Universo? Por isso, é bom cuidar dele direitinho porque assim você estará cuidando de si mesmo.

 

Artigo da Revista de Ciência On-line

Escrito por Fabio Oliveira às 18h06
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17/02/2006


 


Henry Bergson 

 

 

A inteligência é caracterizada por uma incompreensão natural da vida.

 

Há coisas que só a inteligência é capaz de procurar, mas que por si mesma nunca achará. E essas coisas só o instinto as acharia, mas nunca as procura.

 

 

Nada é menos do que o momento presente, se entendermos por isso o indizível instante que separa o passado do futuro.

 

O riso é a mecânica aplicada no ser vivo.

 

 

Se consciência significa memória e antecipação, é porque consciência é sinônimo de escolha.

 

Pense como um homem de ação, atue como um homem de pensamento.

 

Falhamos ao traduzir exatamente o que se sente na nossa alma: o pensamento continua a não poder medir-se com a linguagem.

 

A contemplação é um luxo, a ação uma necessidade.

 

A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes.

 

Os costumes são uma das fontes da moral.

 

A coesão social deve-se, em grande parte, à necessidade de uma sociedade se defender de outras.

 

O nosso espírito tem uma irresistível tendência para considerar como mais clara a idéia que mais frequentemente lhe serve.

 

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 19h44
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15/02/2006


CAMINHOS

 

KS10110

 

Nós somos as pessoas,   cada uma com um caminho a percorrer; entretanto, todos os caminhos conduzem ao mesmo epicentro.   De minha estrada, vejo o centro a partir de uma perspectiva diferente da sua, mas nós ambos vemos o centro. Você não pode me fazer caminhar por sua estrada, de maneira que eu a veja como você. Você não pode bloquear o meu caminho, de maneira que eu não mais percorra o meu. Entretanto, você pode me dizer como é o cenário, visto de sua perspectiva, e eu lhe direi o que vejo da minha. E se você me ver sentado no fundo de um fosso, por favor me diga para levantar e continuar a andar. Se eu perceber que você se desviou do centro, poderei tentar apontar a direção correta para você. Porém, se você escolher mudar seu ritmo, percorrer um caminho completamente diferente, eu nada poderei fazer, exceto desejar-lhe uma viagem segura. Assim é conosco. Nós partilhamos a continuidade de existência nesta terra. Nós nos preocupamos com o futuro daqueles que ainda não nasceram e ouvimos aqueles que se foram antes. Somos milhares de indivíduos, cada qual único, mas todos relacionados. Estamos caminhando na direção do mesmo centro, num círculo sem fim.

 

(De "Indian to Indian", editorial no Saskatchewan Indiam, direitos autorais, Onaway Trust.)

Escrito por Fabio Oliveira às 22h52
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14/02/2006


OS CEGOS E O ELEFANTE

 

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas os consultavam. Embora fossem amigos, havia certa rivalidade entre eles, que de vez em quando discutiam sobre qual seria o mais sábio.

 

Certa noite, depois de muito debaterem acerca da verdade da vida, e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:

 

- Somos cegos para que possamos ouvir melhor e compreender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí brigando como se quisessem ganhar uma competição. Não agüento mais! Vou-me embora.

 

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.

 

O primeiro sábio apalpou a barriga do bicho e declarou:

 

- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar em seus músculos e eles não se movem: parecem paredes.

 

- Que bobagem! - disse o segundo sábio, tocando na presa do elefante. - Este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra. Ele se parece com um tigre-dente-de-sabre!

 

- Ambos se enganam! - retrucou o terceiro sábio, que apalpava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia.

 

- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante!

 

- Vejam só! Todos vocês, mas todos mesmo, estão completamente errados! - irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma cordinha presa no corpo. Posso até me pendurar nele.

 

E assim ficaram debatendo, aos gritos, os seis sábios, durante horas e horas. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança. Ouvindo a discussão, ele pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e errados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

 

- Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que é o todo e continuam sempre tolos.

 

História do folclore hindu

Escrito por Fabio Oliveira às 14h15
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13/02/2006


 

 

 

                             Sri Aurobindo

 

O autoconhecimento é impossível se não formos além da nossa existência superficial, que é o mero resultado de experiências exteriores selecionadas pela memória, uma representação inexata ou uma tradução apressada, incompetente e fragmentária de uma pequena parte do nosso grande ser - precisamos ir além disso e lançar a nossa sonda bem fundo no inconsciente, precisamos abrir-nos ao superconsciente para conhecer a relação que existe entre essas coisas e o nosso ser superficial. Porque é entre essas três coisas que a nossa existência se movimenta, e é nelas que encontra a sua totalidade.

 

O primeiríssimo passo para sair da ignorância consiste em aceitar o fato de que esta consciência exterior não é a nossa alma, não é a nossa verdadeira pessoa, mas simplesmente uma formação temporária que ocorre na superfície em vista do jogo que decorre na própria superfície. A alma, a pessoa, está lá dentro, não na superfície - a personalidade exterior só pode ser considerada a pessoa no sentido estrito da palavra latina persona, que significava originalmente uma máscara.

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h56
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11/02/2006


 

 

Qualquer um que seja capaz de fingir com convicção, que consiga ser hipócrita, se tornará um líder político , se tornará seu sacerdote religiosamente. Tudo que ele precisa é de hipocrisia, tudo o que ele precisa é de dissimulação, tudo que ele precisa é de uma "fachada" para se esconder por trás.

 

Os políticos vivem vidas duplas, os sacerdotes levam vida dupla - uma pela porta da frente, a outra pela porta dos fundos. E aquela vivida pela porta dos fundos é a vida real deles. Aqueles sorrisos pela porta da frente são pura falsidade, aquelas caras tão inocentes são puramente cultivadas.


Se você quiser ver a realidade do político, precisará olhá-lo pela porta dos fundos. Deste ângulo ele aparece na sua nudez, do jeito como ele é; e para o sacerdote a coisa é assim também. Esses dois tipos de pessoas dissimuladas têm dominado a humanidade. Muito cedo eles descobriram que, se você quer dominar a humanidade, deve torná-la fraca, fazê-la sentir-se culpada, não-merecedora. Destrua a sua dignidade, tire-lhe toda a glória, humilhe-a. E encontraram maneiras tão sutis de humilhar, que eles nem aparecem "na foto"; você mesmo fica encarregado de se humilhar, de se destruir. Eles lhe ensinaram uma forma de suicídio lento. Você reconhece este homem?

Com exceção dos mais inocentes e sinceros de nós, todos temos um

 político de tocaia em algum lugar da nossa mente.

 

De fato, a mente é política. É de sua própria natureza planejar, montar esquemas, e tentar manipular situações e pessoas de maneira a conseguir o que quer.

 

Nesta carta, a mente é representada pela serpente recoberta de nuvens, que "fala com uma língua bífida". O que é importante perceber, porém, a propósito desta figura, é que ambas as caras são falsas. A face cândida, inocente, do tipo "confie em mim", é uma máscara, e a face diabólica, venenosa, do tipo "vou tirar vantagem de você", também não passa de uma máscara.

 

Políticos não têm faces verdadeiras. Seu jogo é na totalidade uma mentira. Dê uma boa examinada em si mesmo para verificar se você tem estado fazendo esse jogo. O que você vai encontrar poderá ser doloroso de ver, mas não tão doloroso quanto continuar agindo igual. No final, esse jogo não serve ao interesse de ninguém, e muito menos ao seu.

O que quer que você consiga por esse caminho, irá transformar-se em pó em suas mãos.

 

Osho

 

Obs.  As palavras do Osho expressam as mais profundas verdades. Porém, todos sabem que existem algumas  exceções no meio político e no sacerdócio. Acredito que alguns  (pouquíssimos) estejam isentos das palavras tão fortes e verdadeiras referidas acima.

 

Fábio Oliveira

Escrito por Fabio Oliveira às 06h51
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10/02/2006


 

Mudras Buddhistas - Dhyana Mudra - O Gesto da Meditação. Gesto muito comum na prática meditativa Buddhista, sobretudo nas tradições Zen. Este Gesto é feito pousando-se a mão direita (o Mundo Búddhico) sobre a palma da mão esquerda (o Mundo Humano), e com os polegares (o direito, o Dharma Superior, o esquerdo sendo o Dharma Inferior ou Mundano) tocando-se levemente, e é amiúde representado em várias estátuas de Buddha. Considera-se que ele atingiu a Iluminação nesta postura.

 

Tao Te Ching
Lao Tse



O homem ao nascer é tenro e brando
ao morrer é rígido e duro.
A erva, a madeira e os dez mil seres ao brotarem
são como a suave penugem do ventre do pássaro
ao morrer são secos e murchos
por isso, os rígidos e duros são companheiros da morte
Os tenros e brandos são companheiros da vida.

Sendo assim
as armas duras não vencem
as árvores duras são comuns

por isso, rígidos e duros moram embaixo
tenros e brandos situam-se em cima

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 16h24
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O ato de pensar é a mesma coisa metaforicamente falando que jogarmos pedras

em um lago, formam ondas concêntricas mais rápidas que a luz, influenciando

para o bem ou para o mal todas aquelas consciências que estiverem

 na mesma sintonia vibratória que a nossa.

A luz se movimenta a 300.000 km/s, nossa sagrada Mãe Terra tem + ou - 510.000.000 km².

Pense então na nossa responsabilidade como co-criadores

e que possamos cooperar com a EXISTÊNCIA utilizando com 

sabedoria esta força incomensurável ...

A vida é um processo de inter-relação e como disse um dia o Grande Chefe Seattle:

“O homem não teceu a teia da vida. Ele faz parte de um fio desta teia, e o que ele

 fizer a ela é a si mesmo que esta fazendo”.

 

Que possamos celebrar a vida com amor , gratidão , paz e como Mahatma Gandhi que possamos dizer:

 

"Seja o milagre que você quer ver no mundo"

 

ou melhor

 

“Seja a Paz que você quer ver no mundo”

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 06h11
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06/02/2006


 

   Ken Wilber


O paradoxo é simplesmente a maneira como o não dualismo
encara o mundo mental.
 
 
O que há de particular em relação a uma fronteira
é que, independente de quão complexa e rarefeita ela seja, na realidade,
ela não demarca mais que um dentro verso um fora. Por exemplo, podemos desenhar
a forma muito simples de uma linha limite, tal como um círculo,
e constatar que ele revela um interior verso um exterior.
Mas observe que os opostos interior verso exterior não existirão em si
até o momento em que traçamos a fronteira do círculo.
Em outras palavras, é a própria fronteira que criou um par de opostos.
Em resumo, traçar fronteiras é criar opostos.
 
 
O último segredo metafísico, para exprimi-lo de uma maneira simples,
é que não existem fronteiras no universo. As fronteiras são ilusões, produtos não da
realidade, mas da maneira pela qual traçamos mapas e arrumamos a realidade.
 
 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 06h34
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04/02/2006


O artigo abaixo  “ A PRESENÇA DE RADAMÉS ”  me foi enviado pelo grande músico brasileiro, um dos melhores flautistas do mundo e pessoa de qualidades humanas raras “Altamiro Carrilho”. Embora eu considere que a música não tenha fronteiras e que não deveriam existir limites entre as  nacionalidades na música, respeitando logicamente as raízes culturais de cada nação, resolvi colocá-lo no blog autocultura. O artigo foi escrito por Luis Nassif e suas palavras retratam grandes verdades, quando escreve sobre o descaso que a mídia brasileira dá aos seus grandes valores. O texto é oportuno e concordo totalmente. Leiam abaixo:

 

Fábio Oliveira

Escrito por Fabio Oliveira às 08h48
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A PRESENÇA DE RADAMÉS

Por Luís Nassif

03/02/2006

 

Tudo bem que se comemorem os 250 anos de nascimento de Mozart, patrimônio da humanidade. Mas o descaso com que foi tratado o centenário de nascimento de Radamés Gnatalli é significativo do subdesenvolvimento brasileiro. Não adianta: a um subdesenvolvimento cultural corresponde um econômico.

Radamés não foi apenas um grande compositor e intérprete. Foi um dos músicos fundamentais da história da música brasileira no século 20. Nascido em 1906 em Porto Alegre, filho de imigrantes italianos, desde cedo impressionou pelo virtuosismo ao piano. Junto com a irmã Aída, gravou peças históricas a quatro mãos.

Aos 14 anos entrou no Conservatório de Porto Alegre; aos 16 anos, tornou-se pianista do Cine Colombo. Por falta de recursos não seguiu a carreira de concertista. Tivesse seguido, teria sido um dos grandes pianistas do século. Suas gravações de Nazareth são superiores inclusive às de Arthur Moreira Lima – sem nenhum demérito para Arthur.

Conseguiu algum sucesso no Rio em 1923, mas acabou voltando para Porto Alegre. Em 1929 retornou ao Rio, para uma apresentação com orquestra. Insuflado pelo clima nacionalista trazido pela Revolução de 30, Radamés deu início a uma promissora carreira de compositor erudito da escola nacionalista, com seu “Rapsódio Brasileira”.

A falta de espaço na música clássica acabou por enredá-lo na música popular. Passou a tocar nas orquestras de Romeu Silva – um dos primeiros chefes de orquestra a excursionar pela Europa – e Simon Boutman, maestro judeu legendário, tocando o que aparecesse pela frente, de operetas a bailes de carnaval.

Nesse período enveredou pelo campo dos arranjos populares. O século terminaria com Radamés sendo reconhecido como o grande arranjador brasileiro, modernizando uma escola de arranjos que tinha em Pixinguinha seu ponto mais alto – mas muito fincado no sotaque dos dobrados.

Radamés passou a escrever arranjos para o maior cantor brasileiro, Orlando Silva, incorporando definitivamente o sotaque americano na música brasileira, mas sem deixar de lado nossas características.

Os cassinos abriram campo profissional para Radamés, que passou uma temporada em Lambari, onde conheceu Luciano Perrone, o bateirista que integraria todos seus conjuntos dali para frente.

Com a inauguração da Rádio Nacional, ficou 13 anos como líder da “Orquestra Brasileira de Radamés Gnatalli”, que se apresentava no programa “Um milhão de melodias”. Praticamente compunha um arranjo por dia. Esse misto de erudito e popular o fez amado pelos músicos populares, e visto com desconfiança pelos eruditos de casaca.

Conheci Radamés quando ele já tinha 80 anos. Um dia veio se apresentar na Funarte, em São Paulo.Fomos apanhá-lo na saída. Nem me lembro quem foi o amigo que me apresentou a ele, provavelmente o Pelão, que conheceu todos os deuses do Olimpo. De lá, saímos para comer uma pizza. Eu olhava o mestre e tentava encontrar algum botão no cérebro que permitisse registrar cada segundo da conversa.

Foi ele quem me informou que o autor da valsa “A Louca” era Chico Neto, palhaço de circo que tocava cavaquinho, e que o arranjo para violão foi de Teodoro Nogueira, paulista que fez carreira no Rio e faleceu poucos anos atrás. Contou também que, ao contrário do que se espalhava no Rio, a primeira esposa de Garoto, o Aníbal Augusto Sardinha –outro dos músicos fundamentais do século -, era uma senhora simples e boa.

Problemas terríveis ele enfrentava com a segunda, que queria impedi-lo a todo custo de mandar ajuda para a ex e para o filho. Muitas vezes, Garoto passou dinheiro escondido para Radamés mandar para sua família paulista. Ele e Garoto foram sócios em uma chácara no Rio.

Radamés revolucionou o choro, incorporou no choro do pós guerra os avanços que aconteciam no jazz. Mas, até então, considerava o choro uma escola pobre, comparada com o jazz. A rigor, respeitava apenas Pixinguinha como músico à altura dos americanos.

Não sei se mudou de opinião com o tempo, principalmente depois da grande revolução harmônica do pós-guerra, quando o choro se moderniza harmonicamente, e os improvisos se desenvolvem sem perder o elo com a melodia, enquanto o jazz se perdia em estereótipos que tiraram toda sua vitalidade.

Pouco saiu na mídia. Mas no coração de cada chorão brasileiro se comemorou o centenário de uma das referências musicais do século.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 08h41
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