
VIOLÊNCIA MUNDIAL - MOMENTO DE PARAR E REFLETIR
Alexandre Perlingeiro
A ignorância de sermos dois, de estarmos separados, de sermos faltantes nos ilude e faz com que atos totalmente insanos sejam praticados contra nós próprios.
Seja pela miséria, pelo racismo, pela ganância ou pela violência, humanos são explorados, humanos morrem de fome, humanos são mortos.Também o planeta é queimado, poluído e devastado.
Por ignorância pensamos que algo nos falta.
Por ignorância buscamos nos preencher com dinheiro, com poder, com prazer e até com ódio e violência.
É a ignorância a raiz de todo sofrimento humano.
Para a ignorância, somente o conhecimento.
Somente a consciência da Unidade trará fim ao sofrimento humano.
Pois, se somos Um, não há falta, não há medo, não há raiva nem violência.
Violência gera apenas mais violência.
Ódio gera apenas mais ódio.
Ignorância gera apenas mais ignorância.
Que possamos interromper este ciclo vicioso com a consciência da Unidade.
Não somente a nação americana foi afetada com os ataques terroristas.
Não somente os povos africanos estão sendo mortos pela fome.
Não somente a população civil é arrasada pelas guerras mundo afora.
Não somente os torturados estão sendo violentados.
Não somente os excluídos estão sendo alijados do mundo.
Uma parte de nós também é excluída, violentada e assassinada covarde e brutalmente.
É o homem agindo contra o próprio homem.
É a ação a partir da ignorância de ser faltante que só faz trazer mais dor, sofrimento e ignorância.
Como disse o Cristo na cruz, 'perdoai-lhes Senhor porque não sabem o que fazem'.
Este é um momento propício para exercitarmos o amor, a compaixão e o respeito ao próximo.
Independente de nossas convicções políticas, nossas crenças religiosas, nossas nacionalidades, nossas situações sócio-econômicas, que estes fatos sirvam para nos alicerçar na consciência da Unidade e que, portanto, percebamos que tudo que for cometido ao próximo, a nós será cometido.
Que possamos agir - a partir da consciência de que já somos a felicidade que buscamos ser - na construção de um mundo melhor para nossos filhos e netos e todos que estão por vir.
Incentivo a que enviem suas orações e seu amor para a nação americana, para todos os que sofrem no mundo e também para aqueles que, agindo na ignorância, só fazem aumentar a violência e o sofrimento.

“Perguntei à terra,
ao mar, à profundeza
e, entre os animais,
às criaturas que rastejam.
Perguntei aos ventos que sopram
e aos seres que o mar encerra.
Perguntei aos céus, ao sol, à lua e às estrelas
e a todas as criaturas à volta da minha carne:
Minha pergunta era o olhar que eu lhes lançava.
Sua resposta era a sua beleza.”
autor : Santo Agostinho

Bertold Brecht ( 1898 - 1956 ) , escritor e dramaturgo. É um dos
maiores intelectuais do século XX , nasceu em 10 de fevereiro
de 1898, em Augsburg , Alemanha.
NADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singela.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.
TEMPOS SOMBRIOS
Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes,
pois implica em silenciar
sobre tantos horrores.

A AMIZADE EM ARISTÓTELES
Assim como os motivos da Amizade diferem em espécie, também diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afeto, pois na esfera de cada espécie deve haver "afeição mútua mutuamente reconhecida".
Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade; desse modo, aqueles cujo motivo é a utilidade não têm Amizade realmente um pelo outro, mas apenas na medida em que recebem um bem do outro.
Aqueles cujo motivo é o prazer estão em caso semelhante: isto é, têm Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude de seu caráter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aqueles cujo motivo da Amizade é a utilidade amam seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aqueles cujo motivo é o prazer o fazem pelo que é prazeroso a si mesmo; ou seja, não em função daquilo que a pessoa estimada é, mas na medida em que ela é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais: pois que o objeto não é amado por ser a pessoa que é, mas pelo que fornece de vantagem ou prazer, conforme o caso.
Tais Amizades são de fato muito passíveis de dissolução se as partes não permanecem iguais: isto é, os outros cessam de ter Amizade por eles quando deixam de ser agradáveis ou úteis. Ora, a natureza da utilidade não é de permanência, mas de constante variação: assim, quando o motivo que os tornou amigos desaparece, a Amizade também se dissolve; pois que existia apenas em relação àquelas circunstâncias...
A perfeita Amizade é a que subsiste entre aqueles que são bons e cuja similaridade consiste na bondade; pois esses desejam o bem do outro de maneira semelhante: na medida em que são bons (e são bons em si mesmo); e são especialmente amigos aqueles que desejam o bem a seus amigos por si mesmo, porque assim se sentem em relação a eles, e não por uma mera questão de circunstâncias; assim, a Amizade entre esses homens permanece enquanto eles são bons; e a bondade traz em si um princípio de permanência...
São poucas as probabilidades de Amizade dessa espécie, porque os homens dessa espécie são raros. Além disso, pressupõem-se todas as qualificações exigidas, essas Amizades exigem ainda tempo e intimidade; pois, como diz o provérbio, os homens não podem se conhecer "até que tenham comido juntos a quantidade de sal necessária"; nem podem de fato admitir um ao outro em sua intimidade, muito menos serem amigos, até que cada um se mostre ao outro e dê provas de ser objeto apropriado para a Amizade.
Aqueles que iniciam apressadamente uma troca de gestos amigáveis querem ser amigos, mas não o são, a menos que sejam também objetos apropriados para a Amizade e se reconheçam mutuamente como tal: ou seja, o desejo de Amizade pode surgir rapidamente, mas não a amizade propriamente dita.
Aristóteles - filósofo grego. Nasceu em 10 de janeiro de
Podemos viver sem convenções ?
Leonardo Boff
O filósofo Ludwig Wittgenstein ensinava que nossa comunicação não passa de um grande jogo de palavras. Não há relação direta entre palavras e coisas. Palavras são inventadas arbitrariamente. Seu sentido é fruto de uma convenção e tudo depende do uso que fazemos delas. Estabelecem-se, pois, convenções, a partir de algo arbitrário.
Há anos numa aula de filosofia em Munique escutei a seguinte história que faz pensar. Havia um professor que após a aposentadoria se entediava muito porque tudo lhe parecia chato e sem graça. A mesa era sempre mesa, as cadeiras, cadeiras, a cama, cama, o quadro, quadro. Por que não poderia ser diferente? Os brasileiros chamam a casa de casa, os franceses de maison, os alemães de Haus e os ingleses de home. E resolveu dar outros nomes às coisas já que tudo nessa área é mesmo arbitrário.
Assim chamou à cama de quadro, a mesa de tapete, a cadeira de despertador, o jornal de cama, o espelho de cadeira, o despertador de álbum de fotografias, o armário de jornal, o tapete de armário, o quadro de mesa e o álbum de fotografias de espelho. Portanto: o homem ficava bastante tempo no quadro, às nove tocava o álbum de fotografias, se levantava e punha-se em cima do armário para não apanhar frio nos pés, depois tirava a roupa do jornal, vestia-se, olhava para a cadeira na parede, sentava-se no despertador junto ao tapete e folheava no espelho até encontrar a mesa da filha.
O homem achava tudo aquilo muito engraçado. As coisas começaram de fato a mudar. Treinava o dia inteiro para guardar as significações novas que dava às palavras. Tudo se chamava de outra maneira. Ele já não era um homem, mas um pé, e o pé era uma manhã e a manhã um homem. E continuou a dar significações diferentes às palavras: tocar a campainha diz-se pôr, ter frio diz-se olhar, estar deitado diz-se tocar, estar de pé diz-se ter frio e pôr diz-se folhear.
E a coisa ficou então assim: Pelo homem, o pé ficou bastante tempo tocando no quadro, às nove pôs o álbum de fotografias, o pé teve frio e folheou-se no armário para não olhar para a manhã. E o aposentado se divertia com as novas designações que atribuía às palavras. Fez tanto que acabou realmente esquecendo a linguagem comum com a qual as pessoas se comunicam entre si. Quando conversava com os outros tinha que fazer muito esforço porque somente lhe vinham à mente os sentidos que havia dado às palavras. Ao quadro dele, as pessoas chamavam de cama, ao tapete de mesa, ao despertador de cadeira, a cama de jornal, a mesa de quadro e ao espelho de álbum de fotografias. Ria muito quando ouvia as pessoas falarem:"hoje vou assistir o jogo de abertura da copa mundial de futebol" ou "como faz frio hoje". Ria porque não entendia mais nada.
Mas o triste da história é que ninguém mais o entendia e ele também não entendia mais ninguém.
Por esta razão decidiu não dizer mais nada. Retirou-se para casa, só falava consigo mesmo e se entendia.
Pergunta: dá para viver juntos e nos comunicar sem criar convenções? Até que ponto podemos inventar sentidos a nosso bel prazer?
ESPIRITUALIDADE
Walt Whitmann
" Quero fazer os poemas das coisas materiais,
pois imagino que esses hão de ser
os poemas mais espirituais.
E farei os poemas do meu corpo
E do que há de mortal.
Pois acredito que eles me trarão
Os poemas da alma e da imortalidade."
E à raça humana eu digo:
-Não seja curiosa a respeito de Deus,
pois eu sou curioso sobre todas as coisas
e não sou curioso a respeito de Deus.
Não há palavra capaz de dizer
Quanto eu me sinto em paz
Perante Deus e a morte.
Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
Embora de Deus mesmo eu não entenda
Nem um pouquinho...
Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa demais?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres...
Cada momento de luz ou de treva
É para mim um milagre,
Milagre é cada polegada cúbica de espaço,
Cada metro quadrado de superfície
Da terra está cheio de milagres
E cada pedaço do seu interior
Está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
Os peixes nadando, as pedras,
O movimento das ondas,
Os navios que vão com homens dentro
- existirão milagres mais estranhos? "
CAMINHANTE, NÃO HÁ CAMINHO
Antônio Machado
Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.
Antônio Machado nasceu a 26 de Julho de 1875 em Sevilha / Espanha e, refugiado, morreu a 27 de Janeiro de 1939, em Coullioure (França).
San Francisco - California / EUA, foto de Fábio Oliveira
PÁSSARO
Cecília Meireles

"O que me assusta, não é a violência de poucos, mas o silêncio de muitos." Martin Luther King
Portugal, foto de Felipe Oliveira
Reinvenção
Cecília Meireles
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
O Meu Olhar
Alberto Caeiro
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
FRAGMENTO DO TEXTO "AMAROMAR " DE RUBEM ALVES
Preciso do mar, das florestas, do vento. Há pessoas que, quando se fala em pátria, pensam em paradas militares, aviões de combate e bandeiras. ”Auriverde pendão... que a brisa do Brasil beija e balança”. Mas, e se a brisa tiver o cheiro da decomposição? Então a bandeira será infinitamente triste.
Desejo o mar, para poder ficar mais tranqüilo, e para ter esperança. Também isso pertence àquilo que se chama pátria... E quando penso no que desejo do futuro, quero dizer que nada desejo dos homens que fazem guerra. Sei que nunca transformarão suas espadas em arados. Nada desejo também dos banqueiros. Sei que nunca abrirão mão dos seus lucros, ainda que sua riqueza se faça com a carne dos pobres. Nada desejo também da polícia. Sei que ela nunca amará a virtude da autocontenção e da mansidão. Mas espero muito do povo, pois é só nele que se gera a renovação da vida - como no mar...
Mas o que vi me despertou o horror. Não, não amam o mar, amam a praia. Se amassem não fariam o que fazem. Como nas privadas onde as pessoas escrevem obscenidades, sem se dar conta de que ali mesmo, na parede pornográfica, está uma revelação de sua própria alma.
Não vão para ouvir. Trazem consigo os demônios da agitação. Os rádios urram, cada qual a seu modo, sem que ninguém os ouça, sem que ninguém se importe. Porque não é a música que se está buscando: é o barulho que silencia o silêncio. Para que as vozes que moram nele não se façam ouvir. E a areia, pele branca e lisa do mar, se cobre de lixo: latas vazias, garrafas eternas de plástico, vidros quebrados, fraldas descartáveis, cascas de frutas, sobras de comida. E ninguém percebe que a areia sente, que o mar sofre. Espaço invadido por demônios incontroláveis, os mansos perdendo sempre: chegam os rádios, vai-se o silêncio; a correria põe um fim à contemplação; o lixo se espalha sobre o branco. Ao fim do dia, a praia é um campo de batalha, coberto de destroços.
Tristeza: ali estava a revelação de uma alma, pesadelo... E o povo me pareceu tão feio,
e me senti longe dele... Mas eu preciso que não seja assim,
que o povo seja belo, tão belo quanto o mar...
E os seus sonhos, mais bonitos surgindo de onde estavam escondidos...
E é isto que eu pediria do futuro: que o povo fosse belo, porque então a esperança renasceria, e eu amaria o povo, ali na praia, ao amar o mar.
HINO DA CRIAÇÃO
1
Então o não-ser não existia
nem tampouco existia o ser.
Não existia o espaço etéreo
nem, mais além, a abóbada celeste.
Havia algo que se agitasse?
Onde?
Sob a proteção de quem?
Existia a água,
esse profundo e insondável abismo?
2
Não existia a morte,
nem existia a imortalidade,
nem sinal que distinguisse a noite do dia.
Somente o Uno respirava,
sem ar, por sua própria força.
À parte dele
não existia coisa alguma.
3
No começo só existia
treva envolta em treva.
Tudo era água indiferenciada.
Princípio do vir-a-ser
rodeado pelo vazio,
o Uno surgiu
pelo poder de seu próprio ardor interno.
4
No começo
brotou nele o desejo,
que foi a primeira semente da alma.
Buscando em seus corações,
graças a sua sabedoria,
os sábios encontraram
o vínculo que une o ser e o não-ser.
5
Transversalmente estenderam seu cordel.
Existia um embaixo?
Existia um encima?
Existiam fecundadores,
existiam energias.
Embaixo estava o poder,
encima estava o motivo.
6
Quem sabe a verdade?
Quem pode dizer-nos
de onde nasceu esta criação?
Os deuses nasceram depois
e graças à criação do universo.
Quem pode, portanto, saber
de onde surgiu?
7
Aquele que é o guardião do céu supremo,
somente aquele, sabe
de onde surgiu esta criação,
tendo ele a criado, ou não.
Ou talvez nem mesmo ele o saiba.
Rig Veda X, 129 (Cerca de
Coeur d'Alene - EUA
foto de Felipe Oliveira
A INSENSATEZ E A ESTUPIDEZ DOS TOLOS Sutra Samyuktaratnapitaka Havia, certa vez, um homem que se irritava com facilidade. Um dia, dois outros homens estavam conversando a respeito do homem irritadiço, em frente à casa onde ele vivia. Um dizia ao outro : "Ele é um belo homem, mas é impaciente demais; tem um temperamento explosivo e se zanga rapidamente." O homem irritadiço, ouvindo a observação, irrompeu da casa e atacou os dois amigos, batendo, chutando e magoando-os. Este fato nos ensina que quando um sábio é advertido sobre seus erros, refletirá sobre isso e melhorará sua conduta. Quando, entretanto, um insensato tem sua má conduta apontada, não somente desprezará o aviso, como também continuará a repetir o mesmo erro. Era uma vez um homem rico, porém tolo. Ao ver uma bela mansão de três pavimentos, invejou-a e decidiu construir uma igual a ela, julgando-se suficientemente rico para tal empreendimento. Contratou um carpinteiro e lhe ordenou que construísse a sua mansão. O carpinteiro começou imediatamente a construir o alicerce para depois fazer, sucessivamente, o primeiro, o segundo e o terceiro andares. O homem rico, vendo isso com irritação, disse : "Não quero um alicerce, nem o primeiro, nem o segundo andares; apenas quero o lindo terceiro pavimento. Construa-o rapidamente." Um tolo, portanto, pensa apenas nos resultados, impacientando-se com o esforço necessário para se conseguir bons resultados. Nada de bom pode ser conseguido sem esforço, assim como não se pode construir um terceiro pavimento sem que se façam primeiramente o alicerce, o primeiro e o segundo andares. Um outro tolo estava, certa vez, fervendo mel. Recebendo a inesperada visita de um amigo, ele lhe ofereceu algum mel, mas como estivesse muito quente, tentou esfriá-lo com um abanador, sem retirar o mel do fogo. Da mesma maneira, é impossível obter-se o mel da fresca sabedoria, sem que primeiro se remova o fogo das paixões e desejos mundanos.
PARA REFLETIR
A harmonia no mundo físico e matemático dos sentidos é justiça no mundo espiritual. A justiça produz harmonia e a injustiça discórdia; a discórdia, numa escala cósmica,
significa caos - aniquilação.
Ísis sem Véu
A idéia da Absoluta Unidade estaria inteiramente fragmentada em nossa concepção se não tivéssemos algo concreto, diante de nossos olhos, que contivesse essa Unidade. E a deidade, sendo absoluta, deve ser onipresente; por isso é que nenhum átomo deixa de contê-la em si. As raízes, o tronco e seus muitos galhos são três objetos distintos, e, no entanto formam uma árvore.
A Doutrina Secreta

Eu quero que vocês pensem. Eu quero que vocês criem
conceitos, critiquem, questionem. Mas vocês desperdiçam
a possibilidade de toda reflexão séria que lhes proponho.
Acham que estou apenas brincando quando levanto estas
questões, quase sempre de forma bem-humorada, em textos
leves, curtos, poéticos. Quando eu lhes digo para que reflitam
seriamente sobre as coisas mais importantes de suas vidas :
que são o Amor e a Liberdade ,vocês acham
que eu estou ficando louco... Eu ? !
Edson Marques