autocultura - fábio oliveira


31/10/2006


CITAÇÕES DE ALBERT EINSTEIN

 

 

"Um ser humano é uma parte do todo a que chamamos Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele concebe a si mesmo, suas idéias e sentimentos, como algo separado de todo o resto, uma ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão é um tipo de prisão para todos nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais, reservando a nossa afeição a algumas poucas pessoas mais próximas de nós. Nossa tarefa deve ser libertarmo-nos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de COMPAIXÃO de maneira a abranger todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza."

 

"Na medida em que as leis da matemática referem-se à realidade, elas não são exatas e, na medida em que não são exatas, não se referem à realidade. A imaginação é mais importante que o conhecimento."

 

Paz, Luz e Discernimento

MARINA FAIRTH

http://planeta.terra.com.br/arte/marinafairthhp

Escrito por Fabio Oliveira às 21h32
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28/10/2006


       

                              Umberto Boccioni - La Risata , (1911)

 

 

O Ser Humano do futuro não vai querer ganhar e possuir coisas; vai querer sentir, criar, construir, aprender sem limites. Não vai querer possuir, ter, controlar; esse humano compreenderá que há milhões de formas de desenvolver a emoção e o pensamento, que há uma inimaginável diversidade de formas de sentir e pensar.

 

Mário Rodrigues Cobos, o Silo, pensador argentino humanista

 

Nossa missão é respeitar todas as formas de vida na Terra. Respeitar a liberdade, os direitos, as escolhas e as chances dos outros. Não é preciso rotular ninguém como rebelde ou como aquele que nunca vai mudar. Nossa missão é ajudá-los a avançar e prosperar, porque é na prosperidade deles que acontece a transformação do mundo. Se eles não estão conosco, não podemos seguir em frente.

 

BK Surendran, 'The unseen chaos, pathos and mythos', The World Renewal, November 2003

Escrito por Fabio Oliveira às 06h51
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27/10/2006


 

 

 

O PRECIOSO TESOURO

SAKYA PANDITA


 

Se você é um homem talentoso, 
todo o mundo se reúne ao seu redor sem ser chamado. 
Uma flor perfumada, ainda que distante, 
atrai uma nuvem de enxames de abelhas. 

Um homem sábio, ainda que possuindo imensas perfeições, 
aprende de outros. Através de tal prática ininterrupta, 

ele ficará afinal onisciente.

 

Se um homem sábio se comporta prudentemente, 
como pode ser superado pelos seus inimigos? 
Até mesmo um único homem, por ação certa, 
pode superar legião de inimigos. 

Um homem valente, sábio e afortunado, 
embora só, supera tudo. 
O leão, o rei dos selvagens e  o monarca universal
não tem nenhuma necessidade de assistência. 

Se você é sábio, 
você pode fazer do grande um escravo - 
Como o garuda, ainda que pássaro forte e poderoso,  
é feito veículo do deus Vishnu. 

O sábio, ao estudar, sofre dores; 
sem esforço, é impossível se tornar sábio. 
Aquele que se apaixona por um prazer pequeno 
nunca pode alcançar grande paz. 

Se você é inteligente, ainda que fraco,  
o que pode fazer um inimigo poderoso a você? 
O Rei dos animais selvagens, ainda que forte, 
foi morto por uma inteligente lebre.

O oceano nunca está tão cheio de água. 
O tesouro do rei nunca está tão demasiadamente cheio de dinheiro.  A pessoa nunca está satisfeita de prazer. 
Homens sábios transbordam com ditos elegantes. 

Até mesmo das crianças, 
homens sábios recebem declarações boas. 
Para o doce cheiro,  
o centro do almíscar deve ser aberto. 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 05h25
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21/10/2006



Rubem Alves

 

A música produz silêncio.  Toda palavra é profanação.  Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do divino. Ouvir música é oração.

 

Rubem Alves

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 10h26
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20/10/2006


 

Santo Tomás de Aquino

 

"Devemos amar uns e outros:
aqueles cujas opiniões partilhamos
assim como aqueles cujas opiniões rejeitamos.
 Pois tanto uns como outros trabalham
na procura da verdade e nos ajudam a encontrá-la."

 

                                                          S. Tomás de Aquino 

 

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 18h04
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17/10/2006


Andréa Havt Bindá, doutoranda em Educação pela UFC, integrante do projeto Labirinto, desenvolvendo o conceito de diálogo. Graduada e Mestre em antropologia pela UNB.  Professora Universitária. Cientista social e assessora da Coordenação de Políticas do Livro e de Acervos da Secult – Secretaria de Cultura do Estado.

 

* Lamentável: Andréa Havt Bindá, 38, morreu nesta terça-feira, depois de levar um tiro no peito, no cruzamento da Avenida Padre Antonio Thomaz com a Via Expressa. A polícia não soube informar quantos assaltantes participaram da ação e se a vítima reagiu. Após o disparo, Andréa perdeu controle do carro, que atravessou a Avenida Engenheiro Santana Junior e caiu no Parque do Cocó.

 

 

CINCO SENTIDOS

Andréa Havt Bin

 

O uno e o múltiplo. "Pensar é entrar no labirinto". Conhecer é inventar percursos. É perambular por encontros com coisas e com pessoas. O caminho a percorrer é único para cada ser, mas se faz de escolhas entre vários rumos e não somente numa bifurcação entre certo e errado. Não é como uma praça com jardins em que as calçadas são colocadas para determinar os lugares por onde se pode andar, mas como jardins por onde o próprio andar desenha trilhas que viram calçadas, marcando os lugares por onde se preferiu andar. "O labirinto é labirinto em movimento, 'em ato'", em interminável construção.

 

O exterior e o interior. "O labirinto é um local maravilhoso que permite a descoberta de uma verdade". Do sagrado passa-se ao profano. Ao exterior se junta o subjetivo e o labirinto transforma-se em projeção do próprio ser. Conhecer é conhecer-se, é a possibilidade de ser revelado a partir do outro. O labirinto externo é representação das armadilhas que se usa para colocar as sombras, o que há de não domesticado no próprio ser. Educar pode ser ato de amor, no sentido de permitir a cada um descobrir-se. Ou, ao contrário, no sentido de transformar o outro em espelho.

 

A realidade e a aparência. "Basta cessarmos de crer, para que a realidade se torne muito problemática. Se nos retirarmos do círculo da crença, entramos na série infinita das perguntas". Aqui se põe a decisão do que fazer com o real; de como lidar com a complexidade do mundo que muda com o tempo e são mundos nos espaços. Simplificar é o contrário de argumentar? Argumentar é o mesmo que encarar essa complexidade? O que é ser didático? Como permitir as descobertas? O real se impõe? Ou se impõe um real? Conhecer é saber-se conhecendo, imaginando que o mundo é mundo. Educar é tornar outros mundos presentes, é dar vida a outras imaginações.

 

O finito e o infinito. "Esse gosto pela auto-análise, essa tentação do descaminho, marcam uma acentuação do individualismo e do egocentrismo, ao mesmo tempo que um apagar do princípio garantidor e organizador do mundo". O normal brinca com os possíveis e a busca de um sentido único do mundo vira miragem com que não se consegue deixar de sonhar. O revelado, o seguro, é aconchego e prisão; a liberdade permite a errância, mas desorienta na imagem das grandes cidades. Briga-se com o poder sem deixar de esperar que ele dê respostas. Conhecer é arriscar, educar exige confiança e desprendimento. Trocar é maior que dar e receber. O labirinto permite experimentar "uma pluralidade vertiginosa de possíveis".

Escrito por Fabio Oliveira às 18h30
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Huberto Rohden

 

 

O processo de evolução espiritual da humanidade é muito lento. Alguns dão um passo para frente em mil anos. Se alguém se realiza plenamente, é um redentor da humanidade. Jesus estava a ponto de chegar a essa perfeição. Quem entre nós, seres humanos, poderia desafiar publicamente amigos e inimigos, perguntando, como Jesus o fez: "Quem de vós é capaz de me acusar de um só pecado?" Para se fazer um desafio como este é preciso estar em absoluta sintonia com as leis cósmicas. Isso, para mim, é plenitude, bondade. Bondade é estar em sintonia com as leis do infinito. As religiões chamam as leis cósmicas de Deus, eu chamo de leis cósmicas. Esta é a diretriz que o homem integral deve ter em mente: a auto-realização de uma pessoa favorece outras. Ninguém pode converter ninguém com palavras. Podemos converter alguém pelo que somos, nunca pelo que dizemos.

 

A maior crise do homem moderno continua sendo existencial, uma caótica frustração existencial. No passado o homem tinha perdido seu caminho, agora ele perdeu também o próprio endereço. Não sabe mais qual o seu destino nem a finalidade da sua existência. Chega até a negar a existência de uma finalidade. O homem está perdendo a noção da sua existencialidade. Escritores e filósofos proclamam abertamente que a vida humana não tem finalidade alguma e que o homem é um mero joguete no acaso de nascer, viver e morrer. Esta é a típica visão anticósmica da existência. É o resultado da instrução do ego periférico, sem a educação do homem integral. Não adianta correr cada vez mais. O que falta ao homem moderno é uma orientação, no meio dessa desorientação geral. Por exemplo: é preciso saber se todo esse progresso científico tem uma razão de ser. O progresso da ciência, para Einstein, é uma coisa maravilhosa. Mas a ciência não pode dar ao homem nenhuma finalidade certa da sua existência terrestre. Esta é a razão da crise existencial que está levando a humanidade à agonia. Os profetas e clarividentes de todos os tempos prevêem uma catástrofe universal para o fim do segundo milênio (entrevista dada em março de 1979). Essa tragédia não é outra coisa senão o resultado final da caótica frustração que o homem vive. O homem da frustração existencial é sempre infeliz, mesmo no gozo do sucesso social. O homem da realização existencial é sempre feliz, mesmo sem o gozo do sucesso social.

 

Huberto Rohden (1893 – 1981) nasceu em Tubarão, Santa Catarina, Brasil. Fez estudos no Rio Grande do Sul.  Formou-se em Ciências,  Filosofia  e Teologia em  Universidades da Europa - Innsbruck (Áustria), Valkenburg (Holanda) e Nápoles (Itália). De regresso ao Brasil, trabalhou como professor, conferencista e escritor. Publicou mais de 60 obras sobre ciência, filosofia e religião,  editadas pela Ed. Vozes, União Cultural, Editora Globo,  Livraria Freitas Bastos, Fundação Alvorada,  Editora Martin Claret e outras editoras. Vários de seus livros foram  traduzidos em  outras línguas,  inclusive o Esperanto;  alguns existem  em Braille, para institutos de cegos.  Rohden não está  filiado a nenhuma igreja, seita ou partido político. Fundou e dirigia o movimento mundial Alvorada, com sede em São Paulo.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 17h13
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15/10/2006


HILDEGARD VON BINGEN

 

 Hildegard von Bingen era uma monja beneditina que viveu no século XII, compositora que fez mais de setenta sinfonias e que achava que a música era uma forma de readquirir a divindade perdida quando Adão saiu do Paraíso.

“A alma é uma sinfonia.”
(Hildegard von Bingen)

 

 

A leitura da história da música e dos compositores me deixa intrigada. Tantas intérpretes e quase nenhuma referência quanto às compositoras. Um vazio feminino no universo divino da padroeira Santa Cecília. Longe dos verbetes, descubro o nome de Hildegard von Bingen, monja beneditina que viveu no século XII, compositora que fez mais de setenta sinfonias e que achava que a música era uma forma de readquirir a divindade perdida quando Adão saiu do Paraíso. Encontro num sebo o livro Hildegard de Bingen (“A consciência inspirada do século XII”), de Régine Pernoud, e empreendo uma longa viagem no tempo, às trevas da Idade Média, período das cruzadas, para encontrar a primeira grande compositora de música. No claustro, o encontro com a voz libertadora. Na contemporaneidade, o resgate de sua obra por Christopher Page.

 

Décima filha de uma família nobre, Hildegard foi para o mosteiro dúplice Disibodenberg para ter educação religiosa com oito anos. Monja beneditina teve sempre sua vida marcada pelas horas monásticas e pelos cantos em louvor a Deus. Tornou-se abadessa e teve a vida marcada por visões, ouvia a voz divina e desenhava mandalas com as imagens: um homem no centro do globo (mundo), espelhos, asas, muros... As mensagens que a visionária recebia não eram guardadas no claustro, Hildegard as escrevia em livros e fazia pregações e sermões públicos. A última visão do livro ‘Scivias”, escrita como peça teatral ou ópera, inspirou a obra musical “Ordo Virtutum”, na qual as virtudes são personificadas e sofrem ataques dos demônios.

 “Assim, o homem é o fecho das maravilhas de Deus.”

 

Hildegard denunciava a corrupção da Igreja, os falsos padres, a luxúria, o surgimento de novas seitas no cristianismo que enfatizavam o dualismo e o maniqueísmo, a riqueza ostensiva do clero. Suas palavras despertaram paixões e polêmicas por toda a Europa, com sua concepção inovadora da relação do homem com o cosmo e do papel da mulher com plena participação na vida do Espírito.

Não foi apenas na música e na teologia que a abadessa Hildegard von Bingen destacou-se. A monja escreveu dois trabalhos sobre medicina, mostrando um vasto conhecimento sobre plantas medicinais. Os livros que escreveu são os mais conhecidos tratados sobre medicina no ocidente durante o século XII. Uma de suas grandes preocupações clínicas era a cura da melancolia que perigosamente solapava a “viridez”.

Os últimos anos de sua vida foram marcados por um incidente trágico. O enterro de um revolucionário que havia sido excomungado gerou a interdição do mosteiro Rupertsberg e a proibição de celebrar os cânticos de louvor divino. O arcebispado de Mayence impôs que o defunto fosse desenterrado, mas a abadessa Hildeberg von Bingen, após ter uma visão, recusou-se a cumprir a ordem, pois afirmava que o morto havia morrido em plena comunhão com Deus e que havia recebido todos os sacramentos.

Durante a interdição do mosteiro, Hildegard von Bingen escreveu uma carta aos prelados com a história reconstituída do enterro realizado sem contradição com todos os sacramentos, a descrição de sua visão e um grande elogio à música.

 

“O corpo, com efeito, é vestimenta da alma que tem uma voz viva, e é por isso que é conveniente que o corpo cante com a alma, pela voz dela, os louvores a Deus. Do que resulta que o espírito profético ordene expressamente que Deus seja louvado pela alegria dos címbalos e por outros instrumentos de música que sábios e estudiosos inventaram, pois todas as artes úteis e indispensáveis aos homens provêm desse sopro de espírito que Deus insuflou no corpo do homem; e é por isso que é justo que todo o tempo eles louvem a Deus. E, posto que o homem ao ouvir certos cantos às vezes suspira e freqüentemente geme, recordando a natureza da harmonia celeste em sua alma, o profeta, considerando e conhecendo a natureza do espírito – posto que a alma é de natureza sinfônica -, exorta-nos que cantamos com a cítara e salmodiamos com o desacordo.”

 

Hildegard von Bingen é o exemplo de uma grande mulher que compõe, com o tempo e os contextos históricos, a narrativa sublime da humanidade.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 14h49
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11/10/2006


UM HOMEM QUE QUERIA SER BOM

 

 

 

" - Lembra-te de mim, Senhor, quando entrares no teu reino...

- Em verdade te digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso..."

 

Diálogo mais estranho nunca se travou no mundo do que este, de cruz à cruz, entre dois moribundos. "Lembra-te de mim" - quem pede apenas uma gotinha de amor no meio dum inferno de dores não é homem mau. O homem intimamente mau maldiz os seus sofrimentos e os autores dos mesmos. O homem mesquinho pede libertação dos tormentos ou aceleração da morte. O ladrão na cruz pede apenas uma lembrança, um pouco de amor... Pede uma migalha daquilo cuja falta o tornara celerado, perverso, cruel... um pouco de amor... Desde pequeno, queria ele ser bom, mas os homens o fizeram mau, porque lhe negaram compreensão e amor... Deu um passo em falso - e as leis desumanas dos homens o condenaram como malfeitor... A companhia perversa do cárcere induziu a ser mau quem queria ser bom... E, quando terminou a sua pena, andou pelo mundo, com o estigma de criminoso - e nunca mais encontrou entre os "homens honestos" quem lhe desse uma migalha de amor... Arrastou-se pela existência noturna com a alma gelada duma frialdade polar...

 

Só na hora suprema da vida, no alto do patíbulo, encontrou, finalmente, um homem humano - seu companheiro de suplício... Encontrou um homem que mais cria nas saudades de sua alma do que nas maldades de sua vida... Encontrou um homem que o amava e lhe queria bem... E o "bom ladrão" sentiu uma tépida aura de benevolência a envolver-lhe a alma gelada... E, por entre o degelo primaveril desse olhar de amor, pediu ao companheiro de tortura que dele se lembrasse à luz do seu reino... Não pediu vingança para seus inimigos, não pediu alívio na atroz agonia - pediu aquilo cuja falta fizera de sua vida um inferno: uma migalha de amor. Uma lembrança apenas... Um pensamento carinhoso... Uma gotinha de amizade...

 

"Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino"...

 

E conseguiu na morte, de um moribundo, o que em vida jamais conseguira dos vivos... E, pelo pouco que pediu, recebeu o muito que não ousara pedir:

 

"Ainda hoje estarás comigo no paraíso"...

 

Sobre as cabeças da multidão ululante trava-se, então, de cruz a cruz, entre dois moribundos, uma amizade sincera, sagrada, eterna... Amizade entre um homem divinamente bom - e um homem que queria ser bom, e que se fez bom pelo amor... Entre o Cristo redentor - e um homem redento.

 

“Alma para Alma” de Huberto Rohden

 

Escrito por Fabio Oliveira às 18h37
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10/10/2006


PENSE NISSO !


Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: 


 “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?

 

Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse:

 

"Quem dentro de vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra". E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo. Então Jesus se levantou e disse:

 

“Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" Ela respondeu: "Ninguém, Senhor".

 

Então Jesus lhe disse: "Eu também não te condeno. “Pode ir, e de agora em diante não peques mais”.

 

Bíblia

Escrito por Fabio Oliveira às 14h54
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07/10/2006


OS HUMILDES ILUMINADOS

 

    Jesus Cristo

"A sua condição de seres supra-históricos os converteu em eternos contemporâneos."Karl Jaspers – Die Grossen Philosophen, 1960.

 

 

Ambos vieram de famílias humildes. A mãe de Sócrates era parteira, o pai de Jesus Cristo um marceneiro. Ofícios que modelaram a atuação pública deles. O grego Sócrates, explicou no diálogo Teeteto, chamava o seu método de ensino de maiêutica, a arte da parteira: mais ou menos como extrair com habilidade o conhecimento de dentro do próprio indivíduo. Era assim, pela dialegesthai, a conversação, que alguém podia alcançar a "Ilustração", isto é, pensar por si mesmo.

 

Jesus de Nazaré, por sua vez, auxiliando o pai, com quem aprendeu a carpintaria, convenceu-se da eficácia da repetição, bater e bater os pregos. O mesmo procedimento, o da pregação, que ele adotou. Falar repetidamente por horas e horas para convencer os incrédulos da eminente chegada do Reino dos Céus.

 

 

Separados quatro séculos um do outro, eles atuaram nas cidades mais importantes da cultura em que nasceram. O palco de Sócrates foi as ruas de Atenas, capital do Helenismo e sítio do Pártenon; o de Jesus foi as vielas de Jerusalém e o pátio do Beit Hamikdash, o Templo Sagrado do Judaísmo. Cidades, diga-se, em que nenhum dos dois foram muito populares. Sócrates era um impertinente que levava a maioria dos que o cercavam à exasperação. Com pouca paciência para com a ignorância e a pose presunçosa, como a dos sofistas seus rivais, os seus questionamentos e indagações, feitos em logradouros públicos ou em banquetes, agiam como um cortante bisturi expondo os seus contraditores à mofa.

 

 

Jesus por sua vez, além de detestar os fariseus, os hipócritas. Brigara com meio mundo na entrada do Templo, expulsando com seu cajado os vendilhões que, negociando ali, conspurcavam aquele local sagrado. Mas afinal, como ele mesmo disse, "não há profeta sem honra, exceto em sua pátria e em sua casa" (Mateus, 13).

Escrito por Fabio Oliveira às 08h09
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03/10/2006


Cecília Meireles

 

 

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

 

 



Escrito por Fabio Oliveira às 05h00
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