autocultura - fábio oliveira


30/11/2006


"Pai, perdoa-lhes, pois  não sabem o que fazem".

 

 

         

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No auge do sofrimento, Cristo não perde a dimensão da fragilidade do ser humano e implora o perdão pra nossas culpas. Seu sangue derramado na cruz nos torna limpos para voltar à casa paterna. Mas somos também capazes de perdoar a nós mesmos e aos outros? Quando oramos: "Perdoai-nos, assim como perdoamos", sabemos o que pedimos? Aceitamo-nos incondicionalmente como somos e nos respeitamos? Quem não perdoa a si mesmo não perdoa a ninguém mais. Quem não se aceita não aceita aos outros. Pois para isso é necessário que se reconheça as próprias dificuldades e limitações, esforçando-se para se corrigir. E, dessa mesma forma, agir sempre com os outros.

 

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 20h00
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28/11/2006


 

 

 

Se o homem soubesse as vantagens de ser bom, seria homem de bem por egoísmo.

 

Santo Agostinho

Escrito por Fabio Oliveira às 21h38
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26/11/2006


 

 

 

CITAÇÕES DE KRISHNAMURTI

 

 

É notório o que acontece no mundo... e os jovens estão sendo educados para serem encaixados nessa estrutura. E estão crescendo para adaptarem-se a essa insensatez? Está certo isto. É esta a finalidade da educação, forçá-los, de bom ou mal grado, a se ajustarem a esta insana estrutura chamada "sociedade"?

 

 

A educação não consiste apenas em aprender o que está nos livros, em memorizar fatos, mas significa também aprender a olhar, a compreender o que os livros ensinam, a perceber se o que dizem é falso ou verdadeiro. Tudo isso faz parte da educação. Educação não é apenas preparar-nos para passar em exames, obter diploma e emprego, casar-nos e estabilizar-nos; é igualmente saber escutar as aves, olhar o céu, ver a extraordinária beleza de uma árvore, a forma dos montes, o sentir com eles, estar em direto contato com todas as coisas.

 

Deveis ser educados para serdes capazes de enfrentar adequadamente todos os problemas da vida. Isto é que é educação - e não apenas passar nuns poucos exames, entregar-se a certos estudos estúpidos, aprender matérias em que não se têm o mínimo de interesse. A educação apropriada é aquela que ajuda o estudante a enfrentar esta vida, a compreendê-la, não se deixando sucumbir, ser esmagado por ela, como acontece com a maioria de nós. Pessoas, idéias, nação, clima, a necessidade de alimentação, a opinião pública - tudo isso nos constrange numa dada direção, que a sociedade quer obrigar-nos a seguir. Vossa educação deve ajudar-vos a compreender essa pressão, para que não cedais a ela, e possais rompê-la, tornando-vos um indivíduo, um ente humano capaz de iniciativa própria e não um mero seguidor do pensar tradicional. Esta é a verdadeira educação.

 

A padronização do homem conduz à mediocridade. Ser diferente do grupo ou resistir ao ambiente não é fácil, e não raro é arriscado... com o avançar da idade, a mente e o coração vão se embotando cada vez mais... este medo da vida, este medo à luta e à experiência nova, mata em nós o espírito de aventura; por causa de nossa criação e educação, temos medo de ser diferentes do nosso próximo, tememos pensar em desacordo com o padrão social vigente, num falso respeito à autoridade e à tradição... A grande maioria dentre nós não tem o verdadeiro espírito de descontentamento, de revolta.

 

O verdadeiro revolucionário é aquele que está livre de toda e qualquer influência, livre das ideologias e complicações da sociedade, que é a expressão da vontade coletiva da maioria; e vossa educação não vos está encaminhando para serdes um revolucionário com qualidade. Pelo contrário, está-vos encaminhando para vos ajustardes ao que já existe ou simplesmente para reformá-lo.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 10h34
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22/11/2006


EGOÍSMO

 

Dentre os vícios, o que se pode considerar radical, temo-lo dito muitas vezes: é o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade.

 

Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.

 

[9a p.418 q.913 - Prolegômenos]

 

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 16h15
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21/11/2006


CONSUMISMO: TER PARA SER, OU SER PARA TER ?

 Por Denise Mendonça de Melo


Todas as pessoas precisam consumir a fim de satisfazer suas necessidades básicas para a sobrevivência. O consumo apresenta-se como atividade natural e saudável, quando praticada de forma consciente e dentro do necessário, sendo assim indispensável. Até então, nenhuma novidade. O fato é que esta aquisição de bens vem, de longa data, sendo feita de maneira desenfreada pelos diversos segmentos da sociedade a ponto de abalar as estruturas financeiras das pessoas. 
O sujeito, tentando se estruturar como um ser completo, mesmo que momentaneamente, usa o recurso das compras para aliviar seus conflitos. Tal comportamento desvirtua o pensamento do indivíduo que se confunde com as noções de ter e ser. Desta forma, percebe-se uma banalização da experiência humana que vem se caracterizar, dentre outras formas de atuação, pelo comportamento consumista irracional. Acredita-se que quanto menos o sujeito se percebe como tal, não se estruturando na base do ser, mais ele precisa ter, comprar, sentir-se dono de algo concreto, palpável, então menos ele consegue ser, transformando essa questão em um círculo vicioso. 

 

O ser humano, eterno insatisfeito por excelência, apresenta-se sempre com uma vontade a ser saciada, enquanto isso não acontece, o descontentamento é inevitável, então, quando o desejo é satisfeito, a vontade cessa por pouco tempo dando lugar a uma outra vontade. Dessa maneira o sujeito tende a uma satisfação superficial e imediata de seus conflitos interiores que se apresentam sintomaticamente através do consumismo. Quando o indivíduo é consciente desta dinâmica, mas não consegue viver de outra forma, acredita-se que o seu desconforto seja bem maior.  Aos olhos da Psicanálise a pessoa apresenta-se como sujeito desejante e cheio de necessidades originadas das mais diversas etapas da vida, muitas derivadas de experiências da primeira infância. O ato de comprar, para a maioria, aparece mexendo com os sentimentos de gratificação e proteção que remetem a esta etapa inicial da vida da criança. De forma simplificada pode-se explicar da seguinte maneira: Sabe-se que o recém-nascido obtém satisfação de suas necessidades através dos cuidados de sua mãe, ou de quem desempenha esse papel. Tal atividade garante a formação das primeiras relações sociais da pessoa com o mundo. O bebê tem sensação de completude quando vivencia esse momento de forma satisfatória com sua mãe. 

 

Nessa mesma fase do desenvolvimento da criança (0 a 02 anos de idade) ela tende a incorporar e possuir os objetos que a cercam, ou seja, tende a levar tudo o que vê à boca, na tentativa de conhecer esses objetos. As pessoas que não passaram bem por essa fase, ficando fixadas nela, possivelmente, desenvolvem comportamentos consumistas, comprando muito na tentativa inconsciente de adquirir mais e mais objetos independente de sua utilidade prática. Pode-se referir-se ainda, nesse mesmo contexto, àqueles que comem demais, bebem demais, fumam demais ou tudo isso ao mesmo tempo.  Entretanto, é perceptível a manipulação que o marketing realiza com seus apelos fascinantes em cima da fragilidade humana. Este instrumento de persuasão e sedução é utilizado em larga escala, potencializando uma necessidade que o indivíduo já possui, podendo causar interferência na capacidade de distinção entre o que se deve e o que não se deve ser comprado. Incide exatamente em cima das noções de necessidade e desejo que conjuntamente às questões psicológicas já mencionadas atinge um resultado imensurável.  Quando o comportamento consumista e a concomitante fusão do ser e do ter incomodam de forma significativa, implicando na diminuição da qualidade de vida, é recomendada uma psicoterapia.

 

Principalmente quando a pessoa nunca consegue se perceber satisfeita a não ser pela via da posse de algo. O consumismo realmente descontrolado, que ocorre mesmo independente das possibilidades econômicas da pessoa, pode evidenciar um comprometimento psíquico de maior relevância, ou um simples descontrole emocional momentâneo.  É importante ressaltar, contudo, que nem todo comportamento consumista é fruto de uma psicopatologia. Muitos convivem harmoniosamente com o seu desespero aquisitivo, evidenciando que essa é sua forma de estar no mundo e que isso não os incomodam em nada. Também é interessante apontar que mesmo diante de uma sociedade basicamente consumista, muitas pessoas vivem sem se sentirem fascinadas ou mesmo hipnotizadas por vitrines extremamente bem elaboradas e promoções dos mais diversos tipos. Naturalmente, compram o que necessitam, sem depender desse procedimento para se sentirem felizes e realizadas. 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 06h02
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20/11/2006


Navegue pelo blog, ouvindo a excelente rádio holandesa. É só clicar em Play, Salvar e Abrir ...

 

 

Clássica   Concertzender 94.9 FM
   Emissora de Hilversum, Holanda.

 

 

 

Boa Viagem !

Escrito por Fabio Oliveira às 15h20
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TER OU SER ?

 

Um pai, em uma situação muito confortável de vida, resolveu dar uma lição a seu filho ensinando o que é ser pobre. Ficaria hospedado por alguns dias na casa de uma família de camponeses. O menino passou três dias e três noites vivendo no campo.

 

No carro, voltando para a cidade, o pai lhe perguntou: “Como foi sua experiência?” “Boa.” respondeu o filho, com o olhar perdido à distância.

 

“E o que você aprendeu?”, insistiu o pai.

 

O filho respondeu:

 

“Que nós temos um cachorro e eles têm quatro. Que nós temos uma piscina com água tratada, que chega até metade do nosso quintal. Eles têm um rio sem fim, de água cristalina, onde têm peixinhos e outras belezas. Que importamos lustres do Oriente para iluminar nosso jardim, enquanto eles têm as estrelas e a lua para iluminá-los. Nosso quintal chega até o muro. O deles chega até o horizonte. Compramos nossa comida e esquentamos em microondas, eles cozinham em fogão à lenha. Ouvimos CD's, Mp3, eles ouvem a sinfonia de pássaros, sapos, grilos, tudo isso às vezes acompanhado pelo sonoro canto de um vizinho trabalhando sua terra. Para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes, com grades ... Eles vivem com suas portas abertas, protegidos pela amizade de seus vizinhos. Vivemos conectados ao celular, ao computador, sempre plugados, neuroticamente atualizados. Eles estão "conectados" à vida, ao céu, ao sol, à água, ao campo, animais, às suas sombras, à sua família.”

 

O pai ficou impressionado com a profundidade de seu filho e então o filho terminou: “Obrigado, pai, por ter me ensinado o quanto somos pobres! “

 

Aí estão, as grandes obras de Deus. Um tapete sobre nossos pés e estendido nos céus. Temos olhos para enxergar, ouvidos para escutar, mas falta a humildade em nossa mente e coração para poder sentir.

 

Esta é a diferença entre o pobre e o rico, entre o ter e o ser.

 

Que possamos nos sentir verdadeiramente pobres para poder crescer.

 

autor desconhecido

Escrito por Fabio Oliveira às 13h35
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PENSAMENTOS DE VICTOR HUGO

 

 

"Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas".  

 

"Pode-se resistir a invasão dos exércitos, não a invasão das idéias".

 

"Escuta tua consciência antes de agir, porque a consciência é Deus presente no homem". 

 

"Dante uma vez fez um Inferno com a poesia, e eu escrevo sobre o Inferno que é a vida real de nossa época".

 

"Do céu ao inferno, do limbo a Deus. A matéria é o ponto de partida, e o ponto de chegada é a alma".

 

“O tempo não só cura, mas também reconcilia”.

 

“Inocente é aquele que não foi apanhado em flagrante”. 

 

“O homem é forte pela razão; a mulher invencível pela lágrima. A razão convence; a lágrima comove”.  

 

“O homem é um oceano; a mulher um lago. O oceano tem pérola que o embeleza; o lago tem a poesia que o deslumbra”. 

 

“O século é grande e forte”.

 

“O homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta. Voar é dominar os espaços; cantar é conquistar a alma”.

 

"Toda a minha alma lhe pertence. Se minha inteira existência não fosse sua, a harmonia do meu ser ter-se-ia perdido e eu teria morrido". (em carta a Adèle Foucher)  

 

"Deus é o invisível evidente".

 

"Nada neste mundo é tão poderoso como uma idéia cuja oportunidade chegou".

 

"O artista, retirando do universo as formas e as cores, com sua sensibilidade em sua arte, procura traduzir-nos as realidades invisíveis essenciais que estão presentes e que nossos olhos acostumados com as aparências, muitas vezes, não conseguem captar e admirar".  

 

"Colocar formas e cores naquilo que sente, é sublime revelação de sua capacidade de enxergar o invisível aos olhos, portanto, o essencial. Um grande artista é um grande homem... uma grande criança..."

Escrito por Fabio Oliveira às 06h21
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19/11/2006


Buddha Shakyamuni

O valor de uma religião depende de sua capacidade de conter a ambição, o ódio e a insensatez. Não se deve confiar na mente que está cheia de cobiça, ira e estultícia. Não se deve deixar a mente desenfreada, deve-se mantê-la sob rígido controle. É muito difícil ter o perfeito controle mental. Aqueles que buscam a Iluminação devem livrar-se primeiro do fogo de todos os desejos. O desejo é como fogo devastador, e aquele que está trilhando o caminho da Iluminação deve evitar o fogo do desejo, assim como o homem que carrega um fardo de feno evita as chamas. É loucura um homem arrancar seus olhos, pelo temor de ser tentado pelas formas bonitas. A mente é o senhor e se ela estiver sob controle, os menores desejos desaparecerão.

Feliz aquele que vence o egoísmo, alcança a paz, encontra a verdade. A verdade liberta-nos do mal; não há no mundo libertador igual. Confia na verdade, mesmo que não sejais capazes de compreendê-la, mesmo que no começo vos pareça amarga a sua doçura.

Tudo é, portanto criado, controlado e regido pela mente. Assim como o carro segue o boi que o puxa, o sofrimento segue a mente que se cerca de maus pensamentos e de paixões mundanas.

Não busco recompensa alguma, nem mesmo renascer num paraíso; procuro, porém, o bem dos homens, procuro reconduzir os que saíram do Caminho, alumiar os que vivem nas trevas e no erro, banir do mundo toda pena e sofrimento.

Buddha Shakyamuni

Escrito por Fabio Oliveira às 17h47
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17/11/2006


 

 O sol há de brilhar mais uma vez.
A luz há de chegar aos corações.
Do mal será queimada a semente.
O amor será eterno novamente.


( Guilherme de Brito & Nelson Cavaquinho )

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 22h04
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FREI TITO, 30 ANOS DO MARTÍRIO

autor : Frei Betto

 

Tito de Alencar Lima ou Frei Tito, nasceu no dia 14 de setembro de 1945, em Fortaleza - Ce. Em 10 de agosto fez 30 anos da trágica morte de Frei Tito de Alencar Lima em L`Arbresle, no Sul da França. Em sua dor gravou-se o que de mais hediondo produziu o militarismo brasileiro e, nele, reflete-se a venerável indignação de quantos acreditam na política como expressão coletiva de princípios éticos.

 

 

No sofrimento de Tito, tornado símbolo das vítimas de torturas elencadas no livro “Brasil, Nunca Mais” (Vozes), inscreve-se a esperança de quantos acreditam na política como mediação de utopias libertárias. Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infra-estrutura a Carlos Marighella, Tito é submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (DEOPS), em companhia de seus confrades.

 

 

Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontra em mãos da Justiça Militar, é retirado do Presídio Tiradentes e levado para a Operação Bandeirantes (Oban), mais tarde conhecida como Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na rua Tutóia. Durante três dias, batem sua cabeça na parede, queimam sua pele com brasa de cigarros e dão-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, "para receber a hóstia", gritam os algozes.

 

Fernando Gabeira, preso ao lado, tudo acompanha. Querem que Tito denuncie quem o ajudou a conseguir o sítio de Ibiúna para o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1968, e assine depoimento atestando que dominicanos participaram de assaltos a bancos. No limite de sua resistência, Tito corta, com a gilete que lhe emprestam para fazer a barba, a artéria interna do cotovelo esquerdo. É socorrido a tempo no hospital militar, no Cambuci.

 

As incessantes torturas não abrem a boca do frade dominicano de 28 anos, mas lhe cindem a alma. Cumpre-se a profecia do capitão Albernaz, da Oban: Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis. Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de seu silêncio.


 

Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, seqüestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Lamarca,Tito é banido do Brasil pelo governo Médici.

Escrito por Fabio Oliveira às 06h36
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Continuação ...

 

De Santiago do Chile ruma para Paris, sem jamais recuperar sua harmonia interior. Nas ruas da capital francesa, ele "vê" o espectro de seus torturadores. Transferido para L`Arbresle, próximo a Lyon, em seu estreito quarto no convento construído por Le Corbusier, Tito estremece aos gritos do pai espancado no Departamento de Ordem Político e Social (DOPS), geme aos berros da mãe dependurada no pau-de-arara, arrepia-se de pavor aos espasmos de seus irmãos eletrocutados, contorce-se em calafrios sob o fantasma do delegado Fleury. Sua mente naufraga em delírios.

 

Tito não recupera, no exílio, a paz que lhe fora seqüestrada. No dia 10 de agosto de 1974, um estranho silêncio paira sob o céu azul do verão francês, envolvendo folhas, ventos, flores e pássaros. Nada se move. Entre o céu e a terra, sob a copa de um álamo, balança o corpo de Frei Tito, dependurado numa corda.

O suicídio foi o seu gesto de protesto e de reencontro, do outro lado da vida, da unidade perdida. Deixara registrado nas páginas de sua Bíblia que :           

 

         

 

De retorno ao Brasil, em março de 1983, os restos mortais de Frei Tito tiveram solene acolhida na catedral da Sé, em celebração presidida pelo cardeal D. Paulo Evaristo Arns. Repousam agora em Fortaleza. Não se apagou, todavia, a luz de seu exemplo.

 

A criatividade artística captou o rastro de sangue que se faz caminho. O curta-metragem Frei Tito, dirigido por Marlene França, recebeu aplausos em festivais do exterior, conquistou em Cuba o prêmio de melhor curta-metragem, no Festival Latino-Americano de Cinema e, no Brasil, o prêmio Margarida de Prata, da CNBB.

Premiada pelo Serviço Nacional de Teatro, a peça de Licínio Rios Neto, Não Seria o Arco do Triunfo um Monumento ao Pau de Arara?, em memória de Tito, foi proibida pela Censura Federal durante o regime militar, impedindo Ricardo Guilherme de montá-la para percorrer o país.

 

Adélia Prado homenageou-o num comovente poema. Oriana Fallaci dedicou a ele o livro - Um Homem - em que narra a paixão dela por Panagoulis, líder da resistência à ditadura grega. O senador italiano Raniero La Valle escreveu, sobre Tito, Fora do Campo, editado no Brasil pela Civilização Brasileira. Clara de Góes encontrou em Tito a força de inspiração para um de seus livros de poesia.

Frei Tito é venerado por muitas pessoas de fé, que recorrem à sua intercessão em busca de graças. Recordá-lo é resgatar o sacrifício de todos que, no Brasil, lutaram pela restauração da ordem democrática. Ela ainda é frágil, porém promissora, considerando que a sociedade civil prossegue se organizando e mobilizando na conquista de cidadania e na consolidação da democracia.

 

Celebrar neste ano a memória de Frei Tito é homenagear o sacrifício de todos que, no Brasil, viveram na bem-aventurança da sede de justiça e da fome de liberdade. E não temeram dar a vida para que todos tivessem vida, e vida em plenitude (João 10, 10).

 

Escrito por Fabio Oliveira às 06h33
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16/11/2006


Estava ouvindo uma música clássica, quando revelei uma angústia ao meu companheiro:- Puxa, quem é o Beethoven da nossa era? Ele abriu um sorriso, foi até o sonzinho e me convidou para conhecer o Beethoven dele: Sentamos num banquinho fora de casa, tendo como companhia as estrelas e ouvimos juntos, eu pela primeira vez, a música Coração, tocada no piano por Egberto Gismonti.

 

Mais simbólico do que isto só se você me revelar:

 

Quem é o seu Beethoven?

 

SOL DO MEIO DIA

 

"As músicas neste álbum são dedicadas a Sapain e os Índios do Xingú, cujos ensinamentos foram muito importantes para mim durante o período que estive com eles na selva amazônica: O som da selva, suas cores e mistérios, o sol, a lua, a chuva e os ventos, o rio e o peixe, o céu e os pássaros, mas acima de tudo, a integração do músico, da música e do instrumento dentro do indivisível Todo."

 

Egberto Gismonti

 

 

 

Egberto Amin Gismonti  ( Carmo,  5 de  dezembro de 1947 )  é um compositor, músico, cantor e arranjador brasileiro, considerado um virtuoso da música instrumental popular, destacando-se pela sua capacidade de experimentação. Gismonti nos anos 80 recomprou todo o seu repertório de composições e tornou-se um dos únicos compositores do país donos de seu próprio acervo. Ele relançou parte de sua discografia pelo seu próprio selo, Carmo. Muitos músicos vêm gravando suas composições recentemente.

 

 

 

Lançado em 1978.

"-velho, né pai? - não, meu filho, Eterno."

Clique no link e ouça um trecho da música Coração. Um poema.

04 Coração

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 22h29
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VOCÊ SABIA QUE ...

 

Toda vez que o jovem Beethoven estudava violino, uma pequena aranha descia de sua teia e parava em cima de uma mesa, onde ficava escutando Beethoven tocar. Beethoven se encantava com a presença do inseto, até que um dia, sua mãe ao ver a aranha se assustou e esmagou-a. O jovem Beethoven ficou tão desolado, que parou de tocar violino.

 

O Compositor Eric Satie foi sempre um excêntrico. Por ocasião de sua morte, seus colegas foram ao apartamento no qual  residia e encontraram uma moradia extremamente simples, com uma cama, uma mesa com uma vela e no guarda-roupa somente um par de sapatos, 7 ternos e 7 camisas exatamente iguais. Foi ele também fundador de uma nova religião na qual ele era o único pastor e único fiel.

 

O Compositor Heitor Villa-Lobos, em visita à França,  foi questionado por uma jovem francesa,  se os Brasileiros ainda cultivavam o hábito da antropofagia (comer pessoas). Villa-Lobos respondeu: - Claro Senhorita, ainda gostamos muito e nosso prato preferido são criancinhas francesas!

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 14h21
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15/11/2006


UMA ABORDAGEM ÉTICA À PROTEÇÃO AMBIENTAL

Dalai Lama

A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por atividades humanas não compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus recursos é resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo.

 

Nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que ela realmente é. Muita gente no passado também via a natureza como inexaurivelmente sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode ser efetivamente uma fonte inesgotável de recursos.

 

Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdamos, quais são nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações vindouras. Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats, animais, plantas, insetos e microorganismos da Terra. Temos a capacidade e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com nossos semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente.

 

E não apenas por uma questão moral ou ética, mas pela nossa própria sobrevivência. Para a geração presente e para as futuras, o meio ambiente é fundamental. Se o explorarmos exaustivamente, podemos receber algum benefício hoje, mas, a longo prazo, sofreremos as conseqüências. Quando o meio ambiente se altera, as condições climáticas também se alteram e, por conseguinte, nossa saúde está sendo muito afetada. Repetindo, a conservação não é meramente uma questão moral, mas sim da nossa própria sobrevivência.

 

Portanto, para conseguirmos proteção e conservação ambiental mais eficazes, é essencial que o ser humano desenvolva um equilíbrio interno. O desconhecimento em relação à importância da preservação do meio ambiente causou graves danos à humanidade. Precisamos agora ajudar as pessoas a compreenderem a necessidade urgente da proteção ambiental para a nossa sobrevivência.

 

Se você quer ser egoísta, então seja sábio e não mesquinho em seu egoísmo. A chave está no nosso senso de responsabilidade universal. Essa é a verdadeira fonte de luz, a verdadeira fonte de felicidade. Se esgotarmos tudo o que estiver disponível na Natureza, como árvores, água e sais minerais, e não fizermos um planejamento adequado para as próximas gerações, para o futuro, certamente estaremos em falta. Entretanto, se tivermos um verdadeiro senso de responsabilidade universal como força motriz, nossa relação com o meio ambiente e com nossos vizinhos serão bem mais equilibradas.

 

Por último, a decisão de salvar o meio ambiente deve brotar do coração do homem. Clamemos a todos para que desenvolvam um senso de responsabilidade universal fundamentado no amor, na compaixão e na clareza de consciência.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 20h54
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14/11/2006


TUDO É UM E O UM É TUDO

 

autor : Fábio Oliveira

 

 

 

A realidade se reduziu em fragmentos, podendo ser analisada separadamente. Assim, é a visão mecânica do mundo (visão equivocada). Os diversos órgãos do corpo humano, as diversas nações, as diversas raças, as diversas religiões e etc. são consideradas isoladas umas das outras. Porém, na realidade, nada existe isolado no universo, pois tudo é interdependente.

 

Tudo no universo só tem existência devido aos seus relacionamentos. A verdadeira realidade não pode ser vista fora de um sistema interdependente. Essa realidade é ecológica (integral ou profunda) no mais amplo sentido. O velho ditado que diz  “o todo sempre é maior do que a soma de suas partes”, não faz mais sentido após as descobertas recentes da física quântica.

 

Portanto, não devemos ter dúvidas de que “Tudo é Um e o Um é Tudo”.  Essa grande verdade já era do conhecimento de sábios e místicos da sabedoria mais antiga que temos conhecimento.

 

Para facilitar a melhor compreensão do referido ditado, vou dar um pequeno exemplo: pegue uma folha de uma árvore e dedique todo o seu amor. Mas, e o ramo que produziu a folha?  E a haste que sustenta o ramo? E as raízes que alimentam a casca, os ramos e as folhas? E o solo que envolve as raízes? E o sol, o ar e a água que dão vida ao solo? Muitas vezes, as quantidades dos ingredientes são variáveis, mas são as mesmas. Apenas mudam suas quantidades relativas e a forma de preparação.

 

Da mesma maneira, quando olhamos o mundo a nossa volta, vemos uma variedade incrível de seres vivos e objetos inanimados, de um grão de areia a galáxia, de um vírus a uma baleia. Quantos tipos de "ingredientes" diferentes são necessários para produzir esse mundo? ...

 

De tudo isso fica uma bela lição “O amor que corta uma fração do todo não é verdadeiramente amor! ”

 

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 20h11
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13/11/2006


 

AS RATAZANAS ESTÃO CHEGANDO EM GUARAMIRANGA ( II )

 

COLUNA
Lêda Maria

 

1. As notícias dadas pela coluna sobre os muitos pecados cometidos contra a natureza nas praias e serras do Ceará e mais a consciência de muitos profissionais estão dando origem a um pequeno movimento de alguns grupos trabalhando nos levantamentos e denúncias.

 

2. O arquiteto Marrocos Aragão questiona sobre a ‘autorização’ de construções na Serra de Guaramiranga: ´que aprovação premiou o capital especulativo imobiliário? Qual a formação profissional do arquiteto para interagir com o meio ambiente? O Complexo será um legado à natureza para a convivência do homem com seu habitat natural? Existe uma consciência ambiental da flora e fauna? Ficam as indagações provocadas pela observação desta colunista.

 

Fonte : Jornal Diário do Nordeste,  13 / 11 / 2006

 

Escrito por Fabio Oliveira às 15h32
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12/11/2006


 

Joseph Campbell

 

“O mito é o sonho público e o sonho é o mito privado.

Se o seu mito privado, o seu sonho, acabar coincidindo

com o da sociedade, você está em harmonia com o

seu grupo. Se não coincidir, você tem uma longa

aventura numa floresta negra a sua frente.”

 

Joseph Campbell (1904 - 1987)  foi  uma  das  maiores autoridades

no  campo  da mitologia em nosso século.  Pesquisador incansável,

professor e escritor, considerava a mitologia "o canto do universo;

a música da imaginação inspirada nas energias do corpo" , e a ela

se dedicou durante toda sua vida.

 

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 14h50
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Queimada na Amazônia - Foto: Margi Moss

Queimada na Amazônia, Foto: Margi Moss

 

 

O  homem é  parte da natureza e sua guerra  contra a  natureza é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo... Temos pela frente um desafio como nunca a humanidade teve, de provar nossa maturidade e nosso domínio, não da natureza, mas de nós mesmos.

 

 

Rachel Louise Carson, escritora, cientista e ecologista norte-americana,   nasceu  em  1907 na   cidade  rural  de  Springdale, Pensilvânia.Devemos a ela o livro que marcou o início da revolução ecológica nos Estados Unidos  : The Silent Spring (A Primavera Silenciosa).

Escrito por Fabio Oliveira às 10h03
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11/11/2006


   Henryk Skolimowski

 

 

O mito da abundância econômica para todos é ilusório. Tal abundância é um produto específico da cultura tecnológica do Ocidente; é parte do plano ideológico ocidental de salvação através da saturação material. Devemos reexaminar os mitos de outras culturas. Devemos olhar para a visibilidade das culturas tradicionais diante da inviabilidade da atual cultura tecnológica.

 

É necessário olhar para as sutis e profundezas fontes de energia espiritual que as culturas tradicionais possuem e preservam sob várias formas; devemos, também, compreender que essas fontes não são alimentadas pela cultura tecnológica e por uma civilização homogênea.

 

Após termos refletido sobre a natureza da cultura e a necessidade da diversidade dentro da espécie humana, podemos expressar nosso julgamento sobre a possibilidade do mito da cultura tecnológica - a abundância econômica para todos e a salvação através da saturação material - ser superior e mais duradoura do que os muitos mitos potentes das culturas tradicionais.

 

A natureza e a cultura são ambas produtos da mesma mente que tudo abrange. Quando a mente torna-se doente, abre-se uma fenda entre as duas. Quando a mente volta a ser saudável, as duas complementam-se mutuamente.  

 

Henryk Skolimowski – nascido na Polônia, Doutor em Filosofia na Universidade de Oxford, consultor da UNESCO, Editor Associado da revista The Economist.

Escrito por Fabio Oliveira às 23h17
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Rivkah Cohen

 

 

"Prefiro ser louca e ver o que ninguém vê, do que ver o que todos têm visto".

 

"Tem vezes que a tristeza é tanta que me encolho entre as letras e soluço no ponto".

 

"Um dia... aparecerá alguém que consertará o mundo!

Que pena que não fomos nós..."

 

Rivkah Cohen

 

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 18h01
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PELA ESTRADA DA VIDA

Rivkah Cohen

        

No decorrer da vida passamos por tantas almas... Encontramos pessoas amigas, pessoas tranqüilas, pessoas complicadas, pessoas sofridas, pessoas amadas. É sempre um aprendizado em cada relação. Existem pessoas que são negativas, que se nutrem da escuridão, mas existem outras que são só luz, pessoas abençoadas,  felizes, positivas.

 

Quando você acha que já viu de tudo, vem mais desilusão! Mais um aprendizado, mais uma lição. Percebi que depende da dor o crescimento, nunca vi uma pessoa aprender rindo! Quase nunca numa festa se apresenta o ensinamento, mas na labuta, na mágoa, se ferindo!

 

Assim você vai pela estrada da vida, ora ensinando, ora aprendendo, ora se decepcionando, ora se surpreendendo, é uma estrada às vezes árida, outras vezes bem florida.

 

Hoje aprendi mais um pouquinho, não foi uma grande ferida... foi uma feridinha.  Mas foi mais uma dor,  mais uma ausência de carinho e num mundo com tanta gente...  me senti sozinha...

Escrito por Fabio Oliveira às 17h33
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S_Girassói.jpg (21789 bytes)
                Girassóis - Vincent Van Gogh

 

 

VINCENT

Rivkah Cohen   

     

 

De quem, senão dele mesmo,

aquele olhar distante?

De uma vida onde lhe cobravam

para ser igual aos outros,

quando na verdade,

ele era melhor!

Em meio a tristeza,

ele transmutou a dor em arte,

a incompreensão em beleza,

a vida sem cor em traços marcantes!

O que, afinal, aconteceu a Vincent?

Será que se enamorou

por alguém que nunca viu

para se perder até de si mesmo?

A verdade é que num dado momento,

alguém o tirou das trevas

e ele pintou a luz nos girassóis!

Continuou obscuro para muitos,

mas esse alguém soube dar-lhe valor!

Valor que não se via na época

e que só vemos agora!

Hoje, só nos resta a angústia

de quem não soube entender,

Vincent Van Gogh..!

Escrito por Fabio Oliveira às 17h26
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09/11/2006


“As  pessoas  de  sua  cultura  se  agarram  com  uma tenacidade fanática à idéia de que o homem é especial. Querem desesperadamente perceber um imenso abismo entre o homem e o resto da criação. Essa mitologia da superioridade humana justifica que façam o que bem quiserem com o mundo, assim como a mitologia de Hitler sobre a superioridade ariana justificou que fizesse o que bem quisesse com a Europa. Mas essa mitologia não é muito satisfatória, afinal. Os Pegadores são um povo profundamente solitário. O mundo, para eles, é um território inimigo, e vivem em todos os lugares como um exército de ocupação, alienados e isolados por serem tão extraordinários e superiores”.

 

Daniel Quinn, Ismael

 

Escrito por Fabio Oliveira às 20h28
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AS RATAZANAS ESTÃO CHEGANDO EM GUARAMIRANGA  ( I )

COLUNA
Lêda Maria

Mais de mil...

 

... residências (apartamentos, chalés e casas) deverão ser construídas em Guaramiranga, até o próximo mês de julho). Os zeladores da serra estão apavorados com a liberação de licenças de construção e o silêncio da SEMACE que há muito “entregou os pontos” na fiscalização intensiva e permanente que antes executava, mesmo recebendo o protesto dos especuladores imobiliários. O Maciço de Baturité, privilegiado com a beleza natural, temperatura amena e riqueza de vegetação e tranqüilidade, permanece na mira dos “empreendedores”.

 

Fonte : Jornal Diário do Nordeste ,  09 / 11 / 2006

Escrito por Fabio Oliveira às 19h34
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07/11/2006


 

 

 

O VAZIO

Hsing Yün

 

 

O Tratado sobre a Compreensão do Meio diz: “Porque o vazio existe, todas as coisas vêm a existir. Se o vazio não existisse, nada viria a existir”.

 

O vazio não é, de forma alguma, um termo de negativismo ou pessimismo. O mundo dos fenômenos e dos sentidos depende do vazio para existir. Ao compreender o vazio, conseguimos ver além da relatividade, da dualidade e de todas as oposições do mundo dos fenômenos. O vazio nos ensina a ver quem realmente somos.

 

Na realidade o vazio não é negativo. O vazio descreve o mundo em que vivemos. O universo inteiro é vazio. Isso não é negativo, é simplesmente a verdade.  O vazio não implica niilismo. Tampouco é uma rejeição da vida, uma vez que toda vida depende do potencial criativo do vazio. O vazio é essencial para que qualquer coisa possa existir. Se as coisas fossem imutáveis, nada poderia vir a existir. Se não fosse pelo vazio, os seres humanos não existiriam. O vazio precede a existência. Sem o vazio não haveria vida e morte, forma, ausência de forma, nascimento ou mudança.

 

Vazio é uma palavra revolucionária. Esse não é um termo que aponte para uma vida de alienação e passividade. A plena compreensão do vazio nos possibilita abrir mão do apego ferrenho ao ilusório mundo dos fenômenos e fitar a plenitude da vida com novos olhos.

Escrito por Fabio Oliveira às 21h16
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OS DEZ SIGNIFICADOS DO VAZIO

Hsing Yün

 

O vazio nada obstrui. O vazio tudo permeia, em todos os lugares, mas nada obstrui, em lugar algum.

 

O vazio tudo permeia. Pode ser encontrado em todas as coisas.

 

O vazio é o mesmo em tudo. Não tem preferência por lugares ou coisas em detrimento de outros lugares ou coisas.

 

O vazio é imenso. Não tem começo, fim nem limitações.

 

O vazio não tem forma. Não tem face ou forma em lugar algum.

 

O vazio é puro. Não tem nenhuma impureza ou mácula.

 

O vazio é imóvel. É imutável e existe além da vida e da morte.

 

O vazio é uma negação absoluta, a negação absoluta de todas as coisas formadas e limitadas. Em última instância, todas elas se dissolvem no vazio.

 

O vazio é vazio. Nega sua própria natureza e destrói todos os apegos a ela.

 

O vazio é inconcebível. Não pode ser contido, reprimido ou controlado por nada.

Escrito por Fabio Oliveira às 21h15
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05/11/2006


 

 

“Pensar em Deus é desobedecer a Deus,

porque Deus quis que não o conhecêssemos,

por isso se nos não mostrou...”

 

"Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
e Deus amar-nos-á fazendo de nós
belos como as árvores e os regatos
e dar-nos-á verdor na sua primavera
e um rio aonde ir ter quando acabemos".


Alberto Caeiro

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 20h34
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Queenstown, Lake Wakatipu and The Remarkables, South Island, New Zealand - aerial 

 

 "Perguntei à terra, ao mar, à profundeza,

e, entre os animais,  às criaturas que rastejam.

Perguntei aos ventos que sopram,

e aos seres que o mar encerra.

 Perguntei aos céus, ao sol, à lua, às estrelas

e a todas as criaturas à volta da minha carne:

Minha pergunta era o olhar que eu lhes lançava.

Sua resposta era a sua beleza".

 

Confissões, de Santo Agostinho

  

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 20h27
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01/11/2006


O  fato é  que  a  ignorância  não  tem  a ver  diretamente   com o conhecimento (ou falta dele), mas sim com a maneira como somos capazes de sofisticar saudavelmente a nossa compreensão e discernimento das coisas, e assim aprender a arte de conhecer corretamente.

 

Toda pessoa capaz de praticar profundamente o discernimento e a compreensão em sua mente, independentemente de sua condição material, social, cultural, racial ou geográfica, será capaz de adquirir o conhecimento mais pleno, natural e saudável possível.

 

Por trás de todo o meu esforço em apresentar esta proposta contemplativa de correto conhecimento está minha constante surpresa em perceber como é difícil lidar com a intelectualidade e a percepção sob o prisma de uma proposta humana realmente sutil e sofisticada, sem os excessos mentais que caracterizam a falta de sabedoria. Considero que uma atenta e constante prática em desaprender aquilo que se torna desnecessariamente complexo, excessivo, em nossas mentes é uma profilaxia essencial para a saúde mental da humanidade.

 

Todas as misérias sociais, políticas e religiosas que tem assolado o mundo ao longo de milênios derivam invariavelmente de um modelo de aprendizagem e compreensão que prioriza o acúmulo – seja de forma analítica ou passional – de conhecimento em detrimento de uma prática mais plena do exercício de despojamento cognitivo. 

 

Nós, seres humanos, ainda não conseguimos lidar adequadamente com o nosso potencial interpretativo e analítico. Oscilamos entre racionalismos frios e mecânicos ou metafísicas complexas e passionais, todos rigidamente presos às nossas idealizações – e às linguagens. O grande segredo que subjaz a prática do desaprender vem a ser o fato de que o conhecimento correto transcende a linguagem embora jamais a negue. O praticante do conhecimento adequado faz uso das várias facetas concretas de linguagem em muitos momentos, mas precisa vivenciar uma nova abordagem lingüística de forma a viver o processo de interpretação do conhecimento com fluidez. É o que eu denomino de aprender a linguagem do mundo, uma experiência de compreensão sutil que é a mais rica de todas, uma experiência de expansão e esclarecimento que está muito distante do simples exercício intelectual cumulativo de conhecimentos vários, mesmo que tal exercício seja elaboradíssimo e brilhantemente realizado.

 

Tam Huyen Van

 

Escrito por Fabio Oliveira às 19h13
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