CRIANÇA GEOPOLÍTICA OBSERVANDO O NASCIMENTO DE UM NOVO HOMEM

Criança Geopolítica Assistindo ao Nascimento do Novo Homem - Salvador Dali -1943
Este quadro, segundo Nathaniel Harris, soa como uma paródia de todas as previsões otimistas feitas durante a Segunda Guerra Mundial sobre o “novo mundo” que emergiria depois da derrota do fascismo. Por meio de sua obra, Dalí nos revela a sua conexão com as teorias científicas do século XX, e que chegou a estabelecer relações estreitas com alguns dos matemáticos e físicos mais importantes desse século. “A ciência para Dalí foi uma obsessão, tão importante quanto sua companheira Gala”, lembra Joan Ubeda, produtor de Dimensió Dalí, documentário, exibido em Barcelona por ocasião da celebração do 1º centenário de seu nascimento. “Ele realmente tinha grande prazer em ler sobre ciência e conversar com cientistas”. Buscava sempre inspiração nas modernas idéias científicas. “No trabalho dele, há uma mistura de discursos diferentes sobre morfologia, biologia, física, psicanálise”, explica o historiador de arte Gavin Parkinson. As descobertas científicas continuavam sua evolução particular na cabeça de Dalí, de onde emergiam transformadas.
No quadro, o novo homem está saindo do globo, cuja pele mole é diferente de uma casca de ovo. Os continentes são fluidos a ponto de se derreterem. A África ocidental deixa cair uma lágrima. O toldo pontiagudo e a mulher, uma figura renascentista, ajudam a dar ao quadro uma atmosfera bastante ameaçadora (as guerras, o terrorismo, a fome, a AIDS) do nosso tempo, mas a presença de uma criança assistindo ao nascimento de um novo homem, serve de suporte para justificar essas reflexões e reforçar a esperança de que essa criança geopolítica seja um modelo para nossas crianças, esperando que de fato possam se transformar em indivíduos mais integrados com o seu mundo. À guisa de conclusão, com essa tela, chamamos a atenção para a importância dos diálogos que podem ser estabelecidos com artistas que reinventam, ao seu tempo, a sociedade e promovem uma mudança profunda na maneira de olhar o mundo e o ser humano. Nossos diálogos com Cervantes, Neruda, Paulo Freire, Afonso Romano de Sant' Anna, Dalí, dentre outros, são fundamentais, tanto para a prática pedagógica, quanto para o estabelecimento de uma relação mais criativa com os educandos, pois instigá-os a serem mais críticos, mais reflexivos, mais preocupados com o contexto social, e despertá-os para outros mundos, principalmente para a literatura e culturas hispano-americanas e a arte universal.
Nota: o Ensaio acima foi escrito a partir das reflexões feitas para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização







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