Navegue pelo blog, ouvindo músicas maravilhosas. É só clicar (lado direito do vídeo ) em "Rádio Autocultura" ou "Músicas Inesquecíveis", nos OUTROS SITES.
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Vencendo As Maldades
Sutra Dhammapada Atthakatha

Certa vez, o Buda Sakyamuni encontrava-se pregando na cidade de Kausambi. Nessa cidade vivia um homem que o odiava e, transtornado por esse ressentimento, e usando subornos, induziu algumas pessoas malvadas para que divulgassem boatos malévolos a respeito do Buda.
Como conseqüência, ficou muito difícil para os discípulos de Sakyamuni obterem, naquela cidade, alimentos suficientes através da mendicância, pois a população havia sido contaminada com as mentiras e abusos sobre o Buda e seus discípulos.
Ananda, um dos principais discípulos de Sakyamuni, disse para o Mestre: "Seria melhor não ficarmos nesta cidade; há outras e melhores cidades para onde podemos ir; saiamos daqui."
O Buda replicou : "Suponhamos que a outra cidade seja como esta; que faremos então ?"
"Então iremos para outra" - disse Ananda.
O Iluminado retrucou : "Não, Ananda, assim nunca conseguiremos nosso intento. É melhor que permaneçamos aqui e suportemos pacientemente o abuso, as mentiras e as infâmias, até que se esgotem por si mesmas. Só então iremos para outro lugar."
Continuando, o Buda falou, ainda : "Há lucro e perda, difamação e honra, louvor e abuso, sofrimento e prazer neste mundo; os seres humanos que alcançam a Budicidade não são controlados pelas coisas externas, pois que elas desaparecem tão rapidamente como surgem."
Preciosa Colaboração de Marcio Barros - RJ marciojgbarros@zipmail.com.br
Com ilustração de Sandro Neto Ribeiro sandro@vertex.com.br
Assistam os vídeos até o fim e percebam a dimensão da insanidade humana. Quanta ignorância, meu Deus! Liguem o som.

Os monges zen, quando querem meditar, sentam-se diante de uma rocha: “Agora vou esperar esta rocha crescer um pouco”, pensam.
Diz o mestre:
Tudo à nossa volta está mudando constantemente. A cada dia, o sol ilumina um mundo novo. Aquilo que chamamos de rotina está repleto de novas propostas e oportunidades. Mas não percebemos que a cada dia é diferente do anterior.
Hoje, em algum lugar, um tesouro o espera. Pode ser um pequeno sorriso, pode ser uma grande conquista - não importa. A vida é feita de pequenos e grandes milagres. Nada é aborrecido, porque tudo muda constantemente. O tédio não está no mundo, mas na maneira como vemos o mundo.
Como escreveu o poeta T. S. Eliot: “Percorrer muitas estradas voltar pra casa e olhar tudo como se fosse pela primeira vez”.

TUDO MUDA, COMO NÓS
Um poema de Luís Vaz de Camões, a Vós
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
AS DOCES VOZES DO SILÊNCIO
Artur da Távola
Onde andará em nossa vida atribulada de hoje o espaço do silêncio, no qual podemos ouvir, não apenas a voz de Deus (já seria tanto), mas, igualmente, a nossa.
Somos vítimas da impossibilidade de silêncio. Instância ao mesmo tempo esmagadora e transcendente, o silêncio desaparece da vida extrovertida em sociedades contemporâneas. Os espaços intrapessoais foram invadidos por sons, imagens, atividades, obrigações, estudos, leituras. Sempre há alguém falando direta ou indiretamente com esse habitante do século vinte e um, no afã de fazer-lhe a cabeça, ganhar-lhe a vontade, ocupar-lhe o bolso ou a opinião... É sempre de fora para dentro. Sempre. O homem de hoje já não sabe deixar fluir de dentro para fora os pensamentos livres de sua cabeça, que não tenham necessidade de levar a algum fim útil ou a alguma conclusão pragmática. Já não mais sabemos ouvir as vozes do silêncio.
Temos duas formas de pensar. Uma, quando nos dedicamos a pensar diretamente em algo, problema a resolver, dificuldade a solucionar. Outra, quando somos pensados pelo que emerge de dentro, sem a orientação da lógica. E só somos pensados pelo próprio pensamento, quando obtemos uma instância de silêncio na qual o resultado desse fluxo criativo, caótico, luminoso e incessante pode emergir e ocupar o lugar dos pensamentos dirigidos e pensados (sempre motivados por realidades externas a nós). É meditação, no sentido oriental do termo.
Vivemos tempos de ditadura do pensar dirigido, objetivo e pragmático. Mas, sem deixar fluir o mistério individual, jamais seremos nós mesmos e sim, o que os demais e os sistemas querem que sejamos.
Os pensamentos dirigidos a algum fim são muito importantes. Enérgicos e implacáveis, eles se impõem sem pedir licença. São uma espécie de diretor-executivo da cabeça. Já os pensamentos que nos pensam, por virem de dentro, são "pessoas" educadíssimas, finas, incapazes de aparecer se não deixamos. Só surgem quando lhes dedicamos uma instância de silêncio e paz. Qualquer abalo externo os fará recolherem-se, sensitivos.
É neles que está a nossa verdadeira verdade.