DIVERGÊNCIAS MUSICAIS
autor: Fábio Oliveira
Após divergências sobre o tema "música de qualidade" resolvi escrever sobre o fato. Todas as emoções que alguém possa sentir ao ouvir determinadas músicas, eu também sinto, apenas as músicas são outras. “Travessia” de Milton Nascimento, quando ouvi pela primeira vez me tocou profundamente e as "Bachianas Brasileiras" de Heitor Villa Lobos ainda me comovem bastante. "Noturno" de Chopin e a "Ária na 4ª corda" me convidam a transcender esse mundo denso para mundos mais etéreos, a "Aase’s Death" de Edvard Grieg me leva a refletir sobre a eternidade. Portanto, nós não somos tão diferentes assim. As emoções sentidas por nós, seres humanos, diante da beleza da música são semelhantes, embora os gostos possam ser diferentes. As nossas divergências se dão no conceito de qualidade, pois considero totalmente distinto do conceito de emoção e de gosto. Existem músicas que eu não gosto e não tolero ouvir, mas respeito pela qualidade.
Vou dar um exemplo apenas para esclarecer melhor a minha lógica: imaginem um jogo de Futebol numa pequenina cidade no interior do Ceará, Irauçuba x Brejo Santo. Com certeza, teríamos centenas de torcedores e muita emoção. As torcidas se dividiriam entre as duas equipes, ou seja, teriam gostos diferenciados. Agora, um detalhe, eu jamais poderia dizer que esse jogo teria a mesma qualidade de uma final do campeonato brasileiro no Maracanã ou uma final de copa do mundo entre Brasil e Itália. Mantendo as devidas proporções, a mesma lógica vale para a música e não é preconceito. Não posso considerar a qualidade do trabalho do Compositor X igual ao de Beethoven ou Mozart, embora muitas pessoas possam preferir o Compositor X. O gosto é relativo e depende de diversos fatores.
Assim como existem parâmetros objetivos e subjetivos no futebol, na música também existem. A música se utiliza de melodia, harmonia, ritmo, dinâmica, forma, tempo, timbre e letra (em alguns casos). Mas os utiliza de uma forma particular, com a finalidade de que o produto, uma vez terminado e composto desses fatores, satisfaça certa condição definida, ou seja, que o produto seja belo. Em toda atividade humana criativa existe os fatores subjetivos e objetivos e a música não é uma exceção. Não devemos nunca esquecer que música é arte e ciência. Quando, através do tato, percebemos o pulso, que é o ritmo que produz o fluir do sangue pela artéria, estamos realmente percebendo um ritmo não audível, mas igualmente capaz de se poder imitar com o movimento dos pés, das palmas ou da voz.
A música não pode de maneira alguma ser neutra em qualidade. Às vezes, pode revelar um misto de elementos de inspiração e degradação, mas basicamente todos os empregos do tom e todas as letras musicais podem ser classificados de acordo com a sua direção, para cima ou para baixo. É pouco comum que movimentos na música, que combinam elementos realmente ascendentes com os da direção descendente, mantenham sua estabilidade por muito tempo. Quase sempre, uma força sobreleva a outra, como se vê em toda história da arte. Na realidade, parte da natureza essencial da maioria dos estilos e movimentos da música consiste em erguerem as pessoas para uma consciência da beleza e sublimidade, ou lhes inculcarem, sutil ou declaradamente, sentimentos de indisciplina e hedonismo. Para dizê-lo com maior franqueza, a música se inclina a ser Boa ou Ruim. A história registra que das duas músicas, a Boa e a Ruim, somente uma costuma permanecer na memória da civilização, ou seja, a “Música Boa”.