autocultura - fábio oliveira


29/10/2008


 

 

EM O ESPELHO

Machado de Assis

 

 

"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.

 

Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir.

 

A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavarina, um tambor etc.

 

Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja.

 

Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.

 

Shylock, por exemplo. A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia a morrer. "Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um punhal que me enterras no coração". Vejam bem esta frase; a perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele. Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...

 

- Não?

 

- Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell.

 

São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável.

 

Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos.

 

Pela minha parte, conheço uma senhora, — na verdade, gentilíssima, — que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a Rua do Ouvidor, Petrópolis..."

Escrito por Fabio Oliveira às 17h32
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26/10/2008


 

 

CREIO EM MIM

José Fernando Zornitta* - arquiteto

 

Creio em mim, todo poderoso, responsável pelo céu e pela Terra;

 

Pela biosfera e por todas as formas de vida que existem nela;

 

Que aqui estou materializado, para cumprir com o que me foi designado;

 

Para acabar com a irracionalidade humana, com as injustiças e com o egoísmo materialista;

 

E, para deixar um planeta muito melhor para os meus e para as gerações futuras;

 

Creio nos animais, nos vegetais e nos minerais;

 

Creio em todas as formas de vida e na perfeita ordem que vem do caos;

 

Creio na inteligência dos átomos, nas ondas eletromagnéticas e na luz;

 

Creio nos fungos e bactérias, nas traças e baratas; nos ratos e répteis, nos cachorros e gatos;

 

Creio nos elefantes e nos peixes, nas tartarugas e aves, nas árvores, em seus frutos e sementes;

 

Creio no homem e na sua sabedoria, na manifestação da plenitude da sua inteligência (Que até então tem servido a uma irracional forma de avançar e à destruição);

 

Creio também que através do poder que me foi designado, posso servir de instrumento para lembrar a humanidade e ao homem a sua humilde missão e responsabilidade; Amém!

 

 

*Menção Honrosa Prêmio Lila Ripoll de Poesia 2007 da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.  Fica  autorizada pelo autor  a  reprodução  e a difusão para quaisquer  fins didáticos.

Contatos com o autor:

fzornitta@hotmail.com / fzornitta@uol.com.br

 

Escrito por Fabio Oliveira às 12h00
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23/10/2008


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(5) Vários Comentários

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 19h35
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AMOR E ÓDIO

Artur da Távola

 

Tema antigo. Ainda e sempre, ódio e amor, andam juntos através da facilidade através da qual o amor que não encontra resposta apodrece e vira veneno. O que salva e o que eleva é constituído da mesma matéria que fermenta, apodrece e mata. Qual será a química explicativa da transformação súbita do que era busca, procura, sentimento de proteção e dedicação em imediata deterioração e ódio? 

                                

A química da transformação do afeto em raiva e da raiva em ação destrutiva, ainda não foi medida por nenhum laboratório da ciência. Apenas pela literatura e pela dramaturgia. Ou pelo jornalismo diariamente a espelhar os casos de amor terminados com a destruição de uma das partes.

           

A psicanálise também examina a questão. E com profundidade. Para ela, o mecanismo de autodestruição ou de destruição do próximo, já estava presente quando as pessoas resolveram se gostar. O mecanismo destrutivo está, já presente, quando as pessoas fazem o que supõem ser uma escolha livre. Não é escolha, diz a psicanálise: é o atendimento de uma pulsão inconsciente que faz adivinhar no parceiro as condições para o exercício dos impulsos mais fundos de destruição: ou a própria ou a do outro. Assim diz a psicanálise. Mas a questão continua de pé.

 

Se era amor, se era tanto, por que, diante da frustração ou da recusa de reciprocidade ele tem que virar ódio? Se é amor não pode nunca ser ódio, proclamarão em coro os humanistas e os cristãos. Não era amor!  Quem ama e é rejeitado tem o impulso de ódio e de destruição. É esse impulso (que às vezes pode durar apenas um segundo) que essas histórias populares percebem e ampliam, traduzindo-o numa ação demorada, complexa, planejada, urdida. O público adere porque aí encontra a forma mais simples de ver-se ainda que através do outro; como na dramaturgia e na literatura.

 

Quem for capaz de conhecer o próprio impulso de ódio poderá talvez aplacá-lo, ou diminuir o seu efeito destrutivo.  Quem for capaz de controlar o próprio impulso de ódio talvez até aproveite a energia que está dentro dele (como nas forças da natureza) canalizando-a para obras e ações criadoras e positivas.  Quem for capaz de dirigir o próprio impulso de ódio, talvez despeje a força dele numa atividade artística ou empresarial, desviando-a do objeto amado passível de ser destruído.

 

Tudo bem. Magnífico que assim se faça, conforme o caso e conforme a pessoa! Terapêuticas e religiões (no fundo parecidas) aí estão a mostrar o sentido ético da vida e a importância de transformar a falibilidade e fraqueza humanas em objeto de meditação e de aprimoramento.

Escrito por Fabio Oliveira às 19h32
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20/10/2008


 

“As crianças não têm idéias religiosas, mas têm experiências místicas. Experiência mística não é ver seres de um outro mundo. É ver este mundo iluminado pela beleza.”

 

Rubem Alves

 

Escrito por Fabio Oliveira às 17h19
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14/10/2008


Ouçam a bonita música  “Air in teh String”  de J. S. Bach, na interpretação maravilhosa de Sarah Chang (violino).

 

Escrito por Fabio Oliveira às 17h55
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“Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza - a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável - são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam do lado e fora, migalhas de prazer, aprovação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.”

 

Eckhart Tolle

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 17h50
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13/10/2008


 

 

 

Fantasia da onipotência é má conselheira. A originalidade, só a conseguem os solitários, os que têm a coragem de não ceder diante das várias massificações e seduções envolventes...

 

Artur da Távola

  

(Do livro "Liberdade de Ser, Máximas e Pensamentos")

Escrito por Fabio Oliveira às 20h30
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Ouçam Concierto de Aranjuez de Joaquin Rodrigo, na  interpretação de John Williams (violão) , maestro Daniel Barenboim.

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 20h26
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12/10/2008


 

 

Jean - Yves Leloup  é  um dos pensadores importantes  do mundo contemporâneo. Nascido em 1950, na França, ele é um cidadão do mundo.  Filósofo, terapeuta transpessoal e teólogo. Seu pensamento é poético, universalista, multidimensional. Conferencista reconhecido internacionalmente.

 

 

Palavras de Jean-Yves Leloup e sua mulher Karin sobre o falecimento de Pierre Weil:

 

O nosso amigo Pierre Weil nos deixou - ele deixou seus limites para ser "um" com este Infinito cuja intuição e pressentimento ele tinha desde a sua mais tenra infância. Sentiremos falta da sua presença forte e frágil ao nosso lado, temos o direito de chorar, no entanto, devemos nos lembrar das suas palavras:

 

"Saibam que a morte não existe enquanto desaparecimento definitivo da nossa existência; é apenas uma transformação, uma mudança de estado de consciência, comparável ao sonho e ao sono profundo... Se compreendermos isso, poderemos ficar contentes, lúcidos e estar em paz... enviem do fundo do seu coração um voto para que este estado se comunique a todos os seres vivos..."

 

Nossas lágrimas serão, então, como as lágrimas do mestre, que ele freqüentemente mencionou: lágrimas de compaixão. Que as sementes de consciência e de paz que ele plantou em nós e nas obras que ele fundou continuem a florescer e a dar o seu fruto. De agora em diante, que a sua presença, "clara e infinita luz", nos acompanhe...

 

Jean-Yves Leloup

 

 

Antigamente, dizia-se que aqueles que partiam, partiam para o dia, partiam para Deus.  O dia deve estar brilhando mais forte no lugar onde Pierre está agora... 

 

Envio para vocês um poema de William Blake:

 

"Um veleiro passa na brisa da manhã e parte rumo ao oceano. Ele é a beleza, ele é a vida. Olho até vê-lo desaparecer no horizonte. Alguém diz ao meu lado: "ele partiu!" Partiu para onde?  Partiu para longe do meu olhar, é tudo! Seu mastro continua alto. Seu casco ainda tem força para carregar sua carga humana. O desaparecimento total das minhas vistas está em mim, não nele. E exatamente no momento onde alguém diz ao meu lado: "ele partiu". Existem outros que, vendo-o apontar no horizonte e ir na sua direção, exclamam com alegria: "Ele está chegando!" Isso é a morte..."

 

A todos um abraço com muito afeto, Karin

Escrito por Fabio Oliveira às 09h39
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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

 

Fernando Pessoa

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 09h26
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ADEUS, PIERRE WEIL

 

O nosso querido reitor e fundador da UNIPAZ Pierre Weil faleceu hoje. Um homem raro que tinha como projeto de vida, o amor, a paz e causas sublimes. Descansa em paz, irmão!

Escrito por Fabio Oliveira às 23h55
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O VÔO

Menotti del Pichia

 

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.

Não indague se nossas estradas, tempo e vento,
desabam no abismo.

Que sabes tu do fim?

Se temes que teu mistério seja uma noite,
enche-o de estrelas...

No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta.

Canta, canta...

Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.

Desde que nasceste não és mais que um vôo,
no tempo, rumo ao céu?

Que importa a rota!

Voa e canta enquanto resistirem as asas...

Escrito por Fabio Oliveira às 23h33
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02/10/2008


 

 

A GRANDE REFORMA

 

Fábio Oliveira

 

O ser humano só pode atuar dentro do seu campo de ação e de suas possibilidades, agindo localmente, mas pensando global. Não podemos mudar as Leis que regem a natureza, mas podemos fazer muito para evitar o aquecimento global, o desequilíbrio ecológico, a destruição do meio ambiente, a exploração do homem pelo homem, do homem pela natureza e etc. Fazemos parte de um todo integrado e interdependente, portanto as nossas ações por menores que possam parecer formarão uma cadeia global promovendo mudanças.

 

As reformas políticas, sociais e econômicas são muito importantes e necessárias quando têm por objetivo beneficiar a todos (homem, natureza e formas de vida em geral) e não apenas para promover falsos benefícios de uns poucos. E tudo passa pelo nível de consciência em que se encontram as lideranças e a comunidade em geral, dentro de uma dimensão mais ampla, integral.

 

Não podemos separar as reformas promovidas pelas ações humanas, das que são oriundas do processo evolutivo natural. Acredito que ambas fazem parte de uma mesma realidade. As ações humanas externas são reflexos dos pensamentos e dos paradigmas predominantes no interior da mente do homem. Portanto, o externo não passa da mais pura manifestação do que se passa no interior do homem. Daí a razão de muitos acreditarem que só haverá mudanças verdadeiras com a transformação interior. E eles têm razão no seu ponto de vista, não implicando que devemos cruzar os braços e esperar a 'banda passar', como diz o Chico Buarque de Holanda.

 

Outros também têm razão quando preconizam que as mudanças sociais, políticas e econômicas são importantes para que a evolução se processe. Principalmente as ações em que o ser humano tem total controle.

 

Existem certas mudanças que o ser humano pode promover, pois tem o controle total das ações, se não as fazem é por falta de vontade política e outros interesses.  Porém, existem também outras mudanças que fogem totalmente ao controle humano, e não resta outra alternativa que não seja aguardar o processo evolutivo natural.

 

Entendo que todas as tentativas de transformações sociais, políticas e econômicas bem intencionadas são válidas e devem ser feitas, mas a eficiência dos seus resultados é proporcional a mudança que se processa na consciência humana.

 

Acredito que a consciência humana tenha níveis, como bem concebeu o pensador Ken Wilber no seu maravilhoso livro "O Espectro da Consciência", a fim de facilitar o entendimento do processo evolutivo da consciência. Tal processo se dá espontaneamente, mas pode ser induzido por certas ações, dentro de certos limites, claro!

 

Portanto, não se trata de cruzar os braços e aguardar que as transformações ocorram ocasionalmente, e muito menos forçar algo que não temos o mínimo de controle.

 

Devemos sim, colaborar dentro das nossas possibilidades humanas, participando de um cosmo integrado e interdependente. Nada do que se faz no Universo se perde, tudo será aproveitado, mesmo que sutilmente. Portanto, não podemos nos omitir diante da GRANDE REFORMA que se processa.

 

Nós devemos ir com a nossa mente criadora ao encontro da Evolução Natural, auxiliando no processo evolutivo do qual fazemos parte. No caso de nos separarmos, optando pela fragmentação do ‘ir sozinho’, esquecendo que somos uma pequenina bolha d’água no imenso oceano da evolução, com certeza sairemos derrotados e lançados fora do processo, tão quanto um minúsculo inseto diante de um tornado.

 

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 17h31
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01/10/2008


 

“Minha alma tem o peso da luz.  Tem o peso da música.  Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de uma olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.”

Clarice Lispector

“Saudade é ser, depois de ter.”

Guimarães Rosa

“A saudade é a memória do coração.”

Coelho Neto

“A  saudade  é  um  afeto,   excelso amor,  o melhor e  o  mais incorruptível que o passado nos herda.”

Camilo Castelo Branco

“A  saudade  é   um  sentimento  do   coração  que   vem   da  sensibilidade  e  não da razão".

Dom Duarte

 

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 20h09
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Jazz  -   Lonnie's Lament de John Coltrane,  interpretação do saxofonista Felipe Oliveira e Dihelson Mendonça nos teclados

Escrito por Fabio Oliveira às 13h09
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