autocultura - fábio oliveira


27/11/2008


 

O TRABALHO E SUAS VERTENTES

autor: Fábio Oliveira

 

Entre os diversos trabalhos que o ser humano empreende na existência, dois merecem a nossa atenção:

 

1. O trabalho necessário ao nosso instinto de sobrevivência, pois como seres humanos frágeis, necessitamos de alimento, agasalho, abrigo e etc.

 

2. O outro trabalho é o que busca incessantemente a elevação do nível de consciência. Por indolência, muitos poucos se envolvem com tal trabalho.

 

Porém entre ambos, é o segundo que dá o verdadeiro sentido a vida, que nos projeta às dimensões mais elevadas, e nos conecta com os mistérios mais profundos da nossa existência.

 

Não devemos passar pela vida, preocupados somente com o trabalho do instinto de sobrevivência, pois com certeza, passaremos por essa breve vida sem conhecer outras dimensões sublimes da vida.

 

Não estou dizendo que devemos desprezar o trabalho do nosso instinto de sobrevivência, mas colocá-lo no seu devido lugar. O ser humano não é só o instinto de sobrevivência, mas é possuidor de intuição, sensibilidade, e pode através da percepção e do trabalho pela elevação da consciência acessar outros mundos mais sutis e elevados.

 

A vida que é empreendida apenas na dimensão do instinto de sobrevivência é pobre, limitada, unidimensional, mas quando é acompanhada pelo trabalho incessante da elevação da consciência se torna enriquecedora, não tem fronteiras, e é multidimensional.

 

O trabalho precisa ser entendido de maneira abrangente, integral, e nas suas inter-relações. Caso contrário, passaremos pela existência conhecendo apenas uma pequenina dimensão da grandeza infinita da vida.

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 11h07
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20/11/2008


 

 

INTENCIONALIDADE

autor: Fábio Oliveira

 

Muitos poetizam, mas poucos vivem como poetas;

 

Muitos filosofam, mas poucos vivem como filósofos;

 

Muitos crêem, mas poucos vivem como crentes;

 

Muitos socializam, mas poucos vivem como socialistas;

 

Muitos solidarizam, mas poucos vivem como solidários;

 

Muitos aprofundam, mas poucos vivem com profundidade;

 

Muitos conhecem, mas poucos vivem com conhecimento;

 

Muitos falam bonito, mas poucos vivem como falam;

 

Muitos escrevem maravilhas, mas poucos vivem como escrevem;

 

Muitos sabem, mas poucos vivem como sábios;

 

 

A intencionalidade, sendo sincera, tem a sua importância, mesmo não vivida é válida;

 

A intencionalidade, sendo fingida, é medíocre, não pode ser vivida, e se for é alienante.

 

E assim, muitos caminham em busca da evolução e poucos conseguem ...

 

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 09h13
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19/11/2008


 

ECOLOGIA INTEGRAL

autor: Fábio Oliveira

 

A ecologia integral é um conhecimento obtido através da experiência e da história da vida humana. Porém, a ecologia integral necessita ser pragmática. Assim sendo, faz-se necessária não só a eficiência, mas a eficácia é fundamental. Penso que a eficácia da ecologia integral acontecerá muito lentamente, sendo originada da evolução natural do ser humano. No sentido individual e interno, não tenho dúvidas que os resultados são óbvios. A transformação interior é viável para quem desperta, e o despertar faz parte processo evolutivo. No sentido coletivo faço as seguintes indagações: Como integrar um mundo tão complexo e tão diversificado? Como integrar um mundo quando uma poderosa parte da humanidade tem o egoísmo como sua maior bandeira? Como preservar a natureza diante de tantos interesses poderosos? Como usar a Ecologia Integral para tornar a vida coletiva mais agradável no seu cotidiano? Confesso que eu não sei! A transformação coletiva é bem mais difícil, e também faz parte do processo evolutivo...claro!

Para Teilhard de Chardin, a evolução é algo que transborda os limites da Biologia e envolve todo o desenrolar do universo. Nessa cosmovisão, tudo está ligado a tudo, além de que tudo, estando ligado ao divino, converge em direção a Ele. A origem do universo, a evolução da matéria, o surgimento da vida, o aparecimento do homem, o desenvolvimento da cultura, a presença de Buda, de Cristo e outros, a caminhada do homem em direção ao divino, tudo isto chama-se evolução. Sem dúvida alguma, é uma magnífica visão unitária da qual a matéria, muitas vezes considerada como estofo inferior do homem e que tem de, provisoriamente, manipular, surge com a mais alta dignidade. A evolução parece ser uma propriedade da matéria, pelo menos por enquanto.

Entendam bem: Não estou com essas palavras negando ou tecendo críticas a Ecologia Integral, muito pelo contrário, apenas questiono que os resultados dependem de muitos fatores, alguns até alheios a vontade humana.

Tenho lido sobre os devastadores florestais, que realizam negócios em detrimento da Amazônia. Todos sabemos que grande parte do desflorestamento da Amazônia é utilizado em tapumes para obras da construção civil e madeiras para exportação. Percebo também a preocupação de muitos brasileiros, numa possível internacionalização da Amazônia ou seja "desanexação do Brasil". O que é muito grave e ameaça a nossa soberania. Porém, tenho dúvidas sobre o que deverá acontecer primeiro, se a devastação da Amazônia ou se a desanexação do Brasil.

Acredito que essa causa tem de ser atacada em duas frentes, que seriam: um luta pela nossa soberania, incluindo aí o processo de conscientização, e outra pela preservação ecológica da Amazônia. Nós, defensores da Amazônia, não podemos ficar isentos das irresponsabilidades de alguns, que nesse exato momento tombam a maior reserva ecológica viva do planeta. Tenho receio que a evolução humana preconizada pela Ecologia Integral não chegue à tempo. Porém, nada invalida a nossa caminhada e a obstinação por dias melhores para a humanidade, o meio ambiente e todo o universo. Eu sou partidário da ECOLOGIA INTEGRAL, pois não vejo outra saída. E você, acha que existe outra saída?

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 12h52
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EGOISMO

autor: Fábio Oliveira

 

O egoísmo é a maior virtude da ignorância. Não penso que o egoísmo seja algo intrínseco ao ser humano, mas sim adquirido através de um modelo equivocado de existência. Aquilo que pode ser transformado ou permutado não pode ser a essência. A essência simplesmente “ É ” e nada mais ... O egoísmo está relacionado com o nível de consciência em que nos encontramos na escala evolutiva. O egoísmo pode ser transformado em solidariedade, através de um salto do nível de consciência e de novos paradigmas de vida. O egoísmo é algo que se aprende, como AMAR também se aprende.

 

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 12h34
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13/11/2008


 

AS COISAS   

 autor: Fábio Oliveira

 

No cotidiano da vida, quase todas as coisas são insignificantes. A maioria dos nossos pensamentos, boa parte das ações que fazemos, alguns sentimentos que experimentamos, quase todos os nossos movimentos não tem maiores significados, não possuem muito valor. Pertencem à parte superficial do nosso ser, vêm e vão como ondulações no mar, não deixando nenhum vestígio ou efeito nas profundezas do ser. Porém, em raros momentos, quando entramos em contato com a música de nossa alma, se algo da consciência profunda nos tocar ou se detiver de alguma maneira, essa fração de segundo é a única coisa significante que ocorre no meio de toda a inutilidade do cotidiano da vida. Este é o único ponto precioso, e o resto, um mundo de ilusões e disparates. Para tornarmos a vida significativa, para darmos o seu verdadeiro valor e sentido, nós devemos então nos afastar das trivialidades da superfície e procurar por alguma coisa mais profunda. Na verdade, devemos nos aprofundar muito se quisermos que as coisas deixem de ser insignificantes.

Categoria: eu e minhas palavras
Escrito por Fabio Oliveira às 00h06
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12/11/2008


 

PAPO DISPERSIVO SOBRE A PAIXÃO

Artur da Távola


As pessoas amam bem mais a expectativa do amor possível, que o amor propriamente dito. Daí a intensidade dos impulsos bloqueados, os que estão impedidos de expansão e movimento na direção do objeto amado. Os "grandes amores" da literatura são grandes, não por serem amores, mas por serem impossíveis.

 

Já os grandes amores da vida real só quem sente é que sabe. A impossibilidade de dimensionar um impulso afetivo carrega de energia a fantasia. E esta se encarrega de dar dimensão ao que o exercício da relação, talvez, tirasse. Na paixão impossível só estão as projeções do que idealizamos, pretendemos ou não conseguimos viver em nosso cotidiano. Daí ser fácil entender sua força, sua obsessiva presença na cabeça dos enamorados.

 

É por isso, aliás, que só é musa quem é inatingível. Case-se com a sua musa e acordará com uma jararaca... Case-se com quem ama e será feliz. Quer se ver livre de uma paixão colossal? Vá viver com a pessoa objeto da paixão (observem, por favor, que não estou usando a palavra amor). Aliás, já está nos clássicos e, mesmo, antes destes, nos antigos: "A conquista enobrece e a posse avilta". Ou, como dizia Goethe: "Nas batalhas da paixão, ganha aquele que foge".

 

Quantas vezes as relações humanas terminam ou se interrompem sem terem esgotado o potencial de possibilidades adivinhadas, intuídas, sentidas. Aí, o que não se esgotou clama por vir à tona e, muitas vezes, ameaça ocupar (e às vezes ocupa, efetivamente) todo o "ego".

 

Não é por outra razão que o apaixonado é o maior dos egoístas. Ao dedicar tudo ao objeto da paixão, está é alimentando a própria necessidade, seja de sofrimento, de idealização, de felicidade ou fantasia. Entupido de impossibilidades, ele clama. E a isso muitos chamam amor. Mas amor é coisa muito diversa... Amor não clama nem reclama: amor dá.

Escrito por Fabio Oliveira às 09h14
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Alan Watts

 

“Nós não viemos a este mundo: viemos dele, como as folhas de uma árvore. Tal como o oceano produz ondas, o Universo produz pessoas. Cada indivíduo é uma expressão de todo o reino da natureza, uma ação singular do Universo total. Raramente este fato é, se é que alguma vez chega a ser, sentido pela maioria dos indivíduos.”

Escrito por Fabio Oliveira às 09h04
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09/11/2008


 

 

OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA

Rubem Alves

 

 

"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz,  paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.  Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.

 

Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam:  "Ela não sai da sua depressão..."  Não era depressão. Era dor.  Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía.  E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia.  Mas era possível livrar-se da dor.

 

O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.

 

Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."

 

Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras, e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico.  Na maioria das vezes são dores da alma.

Escrito por Fabio Oliveira às 12h14
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06/11/2008


Yes we can (sim nós podemos) - Barack Obama

Escrito por Fabio Oliveira às 08h01
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Escrito por Fabio Oliveira às 07h58
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02/11/2008


Jericoacoara grita por socorro

 

Jericoacoara é uma das praias mais belas do mundo, fica localizada no litoral cearense, portanto também patrimônio natural da Terra. Todos são responsáveis pela sua preservação. Todos que abraçaram a causa sublime da ecologia, brasileiros ou estrangeiros, devem unir forças para salvar o que ainda resta de nossas riquezas. O Ceará está passando por momentos de dúvidas e de destruição ambiental sem precedentes. Que todos, no Brasil ou em qualquer parte da Terra, tomem conhecimento do grande dilema ecológico e ajudem de alguma maneira.

 

in english:

 

Jericoacoara screams for help 

 

Jericoacoara, located in the coast of Ceara, is one of the most beautiful beaches in the world and therefore a part of the Earth's natural heritage. As such, everyone is responsible for its preservation. Whoever embraces the noble cause of ecology, Brazilians or foreigners, must join forces to save what remains of our natural wealth. The state of Ceara is going through moments of economic uncertainty and unprecedented environmental destruction. Everyone in Brazil or anywhere on planet Earth should become aware of this great ecological dilemma and help us in any way.

 

 

Escrito por Fabio Oliveira às 17h53
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A PRECE CONSTRUTIVISTA

Gregory Bateson

 

Nenhuma pessoa pode saber tudo.

Nenhuma versão dos acontecimentos pode ser completa.

Nenhuma compreensão da realidade pode ser a versão final do porvir humano.

Qualquer coisa conhecida agora pode tornar-se irrelevante no futuro.

Qualquer coisa que agora é útil pode tornar-se redundante.

Qualquer coisa que agora parece definitiva pode revelar-se insuficiente depois.

Tudo o que chegarmos a saber jamais esgotará o âmbito do desconhecido.

Tudo o que pensamos saber serve apenas para obscurecer a ignorância do que desconhecemos.

Tudo aquilo em que cremos nega necessariamente mundos alternativos.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 14h59
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O INÚTIL
Chuang Tzu

Disse Hui Tzu a Chuang Tzu:


"Todo o seu ensinamento está baseado no que não tem utilidade".

Replicou-lhe Chuang:


"Se você não aprecia o que não tem utilidade,
Não pode começar a falar sobre o que é útil.
Por exemplo, a terra é larga e vasta,
Mas de toda a sua extensão, o homem utiliza
Apenas algumas polegadas,
Sobre as quais se mantém de pé.
Suponhamos, agora, que você tire
Tudo o que ele realmente não usa
De modo que, ao redor de seus pés,
Um golfo se abra
E ele fica de pé no vazio,
Sem nada de sólido,
Com exceção do que se encontra bem debaixo de cada pé.
Por quanto tempo poderá utilizar o que está usando?"

Disse Hui Tzu: "Cessaria de servir a qualquer finalidade".

Concluiu Chuang Tzu:


"Isto prova
A absoluta necessidade
Do que "não tem necessidade".


CHUANG TZU, considerado o maior escritor taoista de cuja existência se tem notícia, 
escreveu sua obra no final do período clássico da filosofia chinesa, de 550 a 250 aC.

Categoria: citação e poesia
Escrito por Fabio Oliveira às 14h50
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