autocultura - fábio oliveira


24/05/2009


 

     

   

A LEI TEM QUE PEGAR

Celina Côrte Pinheiro, médica e escritora

celinacps@yahoo.com

 

O impacto produzido pela chamada Lei Seca, aprovada em junho de 2008, pouco a pouco se arrefeceu. O tema já não é mais o item dominante na pauta de discussões, em ambientes festivos ou não. Tal mudança certamente não se deve à conscientização da sociedade quanto aos riscos envolvidos na dobradinha álcool e direção. O aprendizado raramente se dá pela simples criação de uma lei. A impunidade e as dificuldades para atender os rigores da lei comprometem os resultados e a sociedade volta rapidamente a assumir antigos hábitos. Bastassem as leis, viveríamos em um país sem tantas dificuldades, face à amplitude de nosso ordenamento jurídico. As leis estabelecem desejáveis modelos de conduta.

 

O número de pessoas que admitem ingerir bebidas alcoólicas abusivamente e assumem a direção de veículos retornou ao patamar anterior ao advento da lei, em torno de 2%. Isto sem contar aqueles que omitem a informação ou imaginam não correr qualquer risco após a ingestão de quantidades menores de álcool. Uma simples dose de destilado pode comprometer os reflexos, embora o motorista não perceba seus efeitos.

 

O apelo do ministro Temporão, “A lei tem que pegar... O país precisa desesperadamente que essa lei funcione”, é contundente.  Realmente, a sociedade brasileira necessita desta lei, pois milhares de mortes são contabilizadas anualmente, em decorrência de acidentes de trânsito onde o álcool, na maioria das vezes, se encontra envolvido. O drama é ainda maior quando contabilizamos sobreviventes, com seqüelas graves e irreversíveis. Não se pode, contudo, esperar que a conscientização se dê de forma automática. Campanhas continuadas devem ser elaboradas. Demandam alguns anos para que a obediência ocorra naturalmente. Além disso, a fiscalização necessita ser contínua e eficaz para que a sociedade não entre na acomodação gerada pela impunidade.

 

Enquanto não compreendermos que esta lei foi criada com o intuito de proteger e não apenas punir os cidadãos, continuaremos a vivenciar acidentes no trânsito com progressiva magnitude e complexidade.

Escrito por Fabio Oliveira às 07h20
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23/05/2009


                

               

“A vida é uma simples sombra que passa (...); é uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa”.

 

William Shakespeare

 

“Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governam minha vida: o desejo imenso de amar, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade”.

 

Bertrand Russel

 

“A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável”.

 

Desconhecido

 

“A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade”.

 

Mário Quintana

Escrito por Fabio Oliveira às 14h30
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16/05/2009


            

REQUALIFICAÇÃO URBANA – CONCEITO EQUIVOCADO

autor: Fábio Oliveira

É urgente a ampliação do conceito de ‘requalificação urbana’ no Ceará, pois só se refere ao que diz respeito aos projetos físicos edificados. Esquecem que existem outros aspectos prioritários e que são determinantes.

Não se faz requalificação urbana em lugar nenhum do mundo apenas com a arquitetura física edificada quando a degradação social não tem limites. Talvez esteja aí, o motivo do fracasso da requalificação urbana do Morro Santa Terezinha, da Praia de Iracema, da Ponte dos Ingleses e etc. O próprio Centro Cultural Dragão do Mar está em processo de degradação.

É imensa ingenuidade, senão falta de visão, se pensar que apenas a recuperação do calçadão da Praia de Iracema, do Estoril, da reforma de espigão, a contenção de pedra da praia e a construção do aquário requalificarão a bucólica Praia de Iracema. É necessário se fazer muito mais.

Primeiramente, deveria ser elaborado e implantado aquilo que eu chamo de 'arquitetura social', somente depois se pensaria na arquitetura física edificada. Tal projeto deveria ser elaborado por uma equipe multidisciplinar de alto nível com a participação de diversos órgãos públicos, a nível municipal, estadual e federal. Os recursos para tal projeto deveriam ser alocados na mesma grandeza e disponibilidade com que se faz com os da arquitetura física edificada.

A ‘arquitetura social’ está esquecida, no ostracismo. Foi substituída pelo egocentrismo de obras arquitetônicas fragmentadas. Qualquer projeto de requalificação urbana fracassará com essa mentalidade.

É preciso fazer um projeto de ‘arquitetura social’ que inclua a solução para a prostituição infantil, a mendicância, a marginalidade, o tráfico de drogas, a violência e etc. Caso contrário, os conhecidos inferninhos, a bebedeira excessiva, a droga e etc. se apossarão desse espaço, instituindo a delinquência como atividade cultural. É exatamente isso que estamos presenciando na cidade de Fortaleza.

O projeto arquitetônico físico edificado tem sua função na requalificação urbana, mas está muito longe de ser determinante. Não se trata de crítica aos arquitetos, mas o alerta de que falta outra arquitetura muito mais importante que não depende dos arquitetos e que resolvi chamar de ‘arquitetura social’.

O dinheiro que será gasto nas intervenções na Praia de Iracema e na construção do aquário poderá ir para o lixo, se não aprenderam que a requalificação de um espaço degradado socialmente tem que começar pelos conceitos de uma ecologia integral, envolvendo aspectos sociais, pessoais, ambientais, psicológicos e espirituais.

           

Percebam que só se pensa no concreto e na alvenaria, esquecendo totalmente o ser humano. As obras de requalificação da Praia de Iracema deveriam começar com as obras sociais, somente depois ou pelo menos em paralelo, se pensaria em construções diversas.

      

O pior é que nem as obras que envolvem pedras, alvenaria e concreto estão sendo feitas satisfatoriamente. É o caso do calçadão da Praia de Iracema que antes de ser concluído já necessita ser refeito.

  

Portanto é urgente se mudar o conceito equivocado e limitado que se tem de ‘Requalificação Urbana’, se é que queremos uma cidade mais humana e digna de cidadãos civilizados.

Escrito por Fabio Oliveira às 11h52
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CONTEMPLAÇÃO DA IMPERMANÊNCIA

Chagdud Rinpoche

           

 

Nossas emoções nos empurram de um extremo a outro: da excitação para a depressão, de experiências boas para ruins, da felicidade para a tristeza - um constante ir e vir. O emocionalismo é um subproduto da esperança e do medo, do apego e da aversão. Temos esperança porque estamos apegados a alguma coisa que queremos. Temos medo porque temos aversão a alguma coisa que não queremos.

 

À medida que seguimos nossas emoções, reagindo às nossas experiências, criamos carma - um movimento perpétuo que inevitavelmente determina o nosso futuro. Precisamos interromper as oscilações extremadas do pêndulo emocional para podermos encontrar um eixo de equilíbrio.

 

Quando começamos pela primeira vez nosso trabalho com as emoções, aplicamos o princípio de que o ferro corta o ferro, o diamante corta o diamante. Usamos o pensamento para transformar o pensamento. Um pensamento raivoso pode ter como antídoto um outro que seja compassivo, ao passo que o desejo pode ter seu antídoto na contemplação da impermanência.

Escrito por Fabio Oliveira às 09h07
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SUPREMA REALIDADE

Thich Nhat Hanh

     

Visualizemos o oceano com uma infinidade de ondas. Imaginem que somos uma onda no oceano e, envolvendo-nos, há muitas, muitas ondas. Se a onda olha profundamente para dentro de si mesma, compreenderá que a sua existência ali depende da presença das demais.

 

As suas subidas, descidas, o fato de ser grande ou pequena, dependem inteiramente de como as outras são. Olhando para dentro de você mesmo, você entra em contato com o todo, com tudo - você é condicionado pelo que existe ao seu redor.

 

Nos ensinamentos de Buda, aprendemos que "isto é assim porque aquilo é". "Isto é como isto porque aquilo é como aquilo". Trata-se de um ensinamento muito simples, porém bastante profundo. "Porque as outras ondas são, está onda é. Porque as outras ondas são como aquilo, esta onda é como isto. Tocando-se, você toca o todo."

Quando você é capaz de entrar em profundo contato consigo mesmo e em contato profundo com outros, você entra em contato com a outra dimensão, a da suprema realidade.

Escrito por Fabio Oliveira às 08h48
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08/05/2009


1 ANO DE SAUDADE DE ARTUR DA TÁVOLA

      

        

      

     

AMOR E ÓDIO

Artur da Távola

 

Tema antigo. Ainda e sempre, ódio e amor, andam juntos através da facilidade através da qual o amor que não encontra resposta apodrece e vira veneno. O que salva e o que eleva é constituído da mesma matéria que fermenta, apodrece e mata.

 

Qual será a química explicativa da transformação súbita do que era busca, procura, sentimento de proteção e dedicação em imediata deterioração e ódio?

 

A química da transformação do afeto em raiva e da raiva em ação destrutiva, ainda não foi medida por nenhum laboratório da ciência. Apenas pela literatura e pela dramaturgia. Ou pelo jornalismo diariamente a espelhar os casos de amor terminados com a destruição de uma das partes.

 

A psicanálise também examina a questão. E com profundidade. Para ela, o mecanismo de autodestruição ou de destruição do próximo, já estava presente quando as pessoas resolveram se gostar. O mecanismo destrutivo está, já presente, quando as pessoas fazem o que supõe ser uma escolha livre. Não é escolha, diz a psicanálise: é o atendimento de uma pulsão inconsciente que faz adivinhar no parceiro as condições para o exercício dos impulsos mais fundos de destruição: ou a própria ou a do outro. Assim diz a psicanálise. Mas a questão continua de pé.

 

Se era amor, se era tanto, por que, diante da frustração ou da recusa de reciprocidade ele tem que virar ódio?

 

Se é amor não pode nunca ser ódio, proclamarão em coro os humanistas e os cristãos. Não era amor!

 

Quem ama e é rejeitado tem o impulso de ódio e de destruição. É esse impulso (que às vezes pode durar apenas um segundo) que essas histórias populares percebem e ampliam, traduzindo-o numa ação demorada, complexa, planejada, urdida. O público adere porque aí encontra a forma mais simples de ver-se ainda que através do outro; como na dramaturgia e na literatura.

 

Quem for capaz de conhecer o próprio impulso de ódio poderá talvez aplacá-lo, ou diminuir o seu efeito destrutivo.

 

Quem for capaz de controlar o próprio impulso de ódio talvez até aproveite a energia que está dentro dele (como nas forças da natureza) canalizando-a para obras e ações criadoras e positivas.

 

Quem for capaz de dirigir o próprio impulso de ódio, talvez despeje a força dele numa atividade artística ou empresarial, desviando-a do objeto amado passível de ser destruído.

 

Tudo bem. Magnífico que assim se faça, conforme o caso e conforme a pessoa! Terapêuticas e religiões (no fundo parecidas) aí estão a mostrar o sentido ético da vida e a importância de transformar a falibilidade e fraquezas humanas em objeto de meditação e de aprimoramento.

Escrito por Fabio Oliveira às 21h49
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02/05/2009


 

 

     

      

O QUE É ECOLOGIA INTEGRAL ?

     

autor : Vicente L Lopes

Professor (PhD), Texas State University, San Marcos
Personal URL : 
http://www.bio.txstate.edu/~vlopes/lopes.html
Gaian Institute :  http://www.gaianinstitute.org
Integral Ecology :  http://integral-ecology.net

e-mail  :  vlopes@txstate.edu

 

        

Reconciliando Diferenças entre Humanidade e Natureza

 

Ecologia Integral é uma investigação holística sobre a natureza das relações entre seres humanos e meio ambiente. O termo "integral" sugere que a ecologia é relevante em todos os aspectos do conhecimento humano e ação (toda atividade humana deveria ser "ecologizada") e que a ecologia deve fazer uso do espectro inteiro de investigação humana, incluindo as experiências objetivas, subjetivas e intersubjetivas.

 

A Ecologia Integral se origina de um compromisso com uma forma de naturalismo que vê a mente contínua com a natureza, o cultural surgindo do natural, e o ser humano como parte essencial dos processos naturais. Embora parcialmente inspirada pela ciência ecológica e a teoria de sistemas, a Ecologia Integral utiliza conhecimentos derivados de tradições filosóficas muito mais amplas, incluindo os conhecimentos indígenas e formas "não-ocidentais" de saber.

 

A Ecologia Integral rejeita a visão de mundo dominante na sociedade capitalista moderna, a qual se baseia no pensamento mecanicista, na racionalidade instrumental e no crescimento econômico que tornam os seres humanos isolados uns dos outros e da teia de vida. Em vez disso, a Ecologia Integral vê o ser humano e o cosmos que habitamos e co-criamos como uma unidade orgânica total, auto-gerada, auto-sustentada, no qual tudo está entrelaçado, interdependente e em fluxo.

 

Portanto, o objetivo da Ecologia Integral é prover um mapa mais amplo e profundo do mundo que abrace o espectro inteiro da vida (humanos e não-humanos), superando a dualidade entre natureza e psique induzida pelo paradigma Cartesiano. Para a Ecologia Integral, a psique não pode ser entendida como uma dimensão separada do mundo natural que nos envolve, nem a natureza pode ser entendida como uma conglomeração independente de objetos e processos separados da subjetividade humana.

 

Central ao método da Ecologia Integral é a preocupação com a mudança de padrões de comportamento humano que se tornaram um perigo iminente para à sobrevivência da humanidade no planeta Terra, e o cultivo de novas formas de experiência e ação, mais alinhadas com o mundo natural e a ordem cósmica, dentro da qual residimos.

 

Os fundamentos filosóficos e metodológicos da Ecologia Integral podem ser encontrados na filosofia holística de Alfred North Whitehead, Maurice Merleau-Ponty e David Bohm; nos princípios de integridade ecológica de Arne Naess, Laura Westra e David Suzuki; na teoria dos sistemas vivos de Fritjof Capra, Margaret Wheatley e Crawford Holling; e nos métodos de aprendizagem participativa de Paulo Freire, Peter Reason e Fikret Berkes.

 

Escrito por Fabio Oliveira às 13h11
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