FRAGMENTOS DE DIÁLOGOS
autor : Fábio Oliveira
Entendam bem as minhas palavras. Nem sempre o que chamamos de 'natural' é benéfico para todos os seres. Devemos sempre entender os fenômenos como uma teia de interconexões, onde tudo obedece a "Lei da Causa e Efeito". Entendo que tudo que se origina dos seres humanos e dos fenômenos da natureza é natural, não implicando necessariamente em efeitos benéficos. O fenômeno da natureza, seja humano ou cósmico, é uma busca incessante por uma nova ordem ou equilíbrio. Um tsunami e uma guerra são fenômenos naturais, embora tragam imensos sofrimentos. Não podemos separar os fenômenos humanos dos fenômenos da natureza, pois tudo compõe a natureza. A natureza é uma cadeia de interconexões, interdependentes. Podemos sim, nos aprofundar na análise das causas e efeitos de tais fenômenos, mas sempre tendo a convicção de que alguns são previsíveis, e outros não são possíveis de prever, devido a limitação humana. Procuremos entender o vocábulo 'Natural' como sendo tudo que se refere a natureza, produzido pela natureza, ou de acordo com suas leis. Portanto, as guerras, as diversas formas de violência e etc. são fenômenos naturais (da natureza), mas nem sempre são benéficos. A questão é de hermenêutica, espero que tenham compreendido.
Entendam que a Lei da Causa e Efeito é infalível, e se aplica a todos os fenômenos da natureza, sejam humanos ou cósmicos.
Percebo que o Ser Humano está tentando a duras penas, unir o que fragmentou ao longo de toda uma história equivocada, ou seja, buscando a integração de todos os fenômenos da natureza: ambientais, sociais, mentais, cósmicos e espirituais. Não sei se terá sucesso nessa reconstrução, mas torço que sim.
Alguns insistem em teimar que a Unidade não faz parte da natureza humana, mas não consigo admitir tamanha ingenuidade em tal pensamento. A Unidade é uma Lei Cósmica, Fenomenal e Científica. Percebam a biodiversidade na natureza, mas não confundam 'Diversidade' com 'Unidade', pois não é a mesma coisa. Um detalhe: os artistas (pintores, escultores, músicos, poetas, arquitetos e etc.) conhecem bem a diferença entre 'Diversidade' e 'Unidade'.
Alguém escreveu que "o homem não é gregário, é um animal de bando", tal formulação só vem confirmar o conceito equivocado do que realmente seja 'DIVERSIDADE' e 'UNIDADE'. Tal citação é proveniente de uma visão fragmentada... Pensem nisso!
O ser humano nunca viveu isolado, pois está em constante interação com seus semelhantes, com as diversas formas de vida, com o meio ambiente e com todo o cosmo. Não faz sentido nenhum se conceber o homem isolado, mesmo em bandos, sem dúvida uma grande ilusão, uma visão equivocada, fragmentada e desconhecimento total de uma realidade maior.
Acredito também que os problemas que afligem a humanidade no momento, estejam no homem civilizado, pois admito que a história humana está repleta de contradições, erros e etc. Porém, não precisamos voltar ao tempo das cavernas para a solução dos graves problemas, acredito que possam existir outras alternativas mais viáveis. O problema está no próprio homem, que precisa passar por uma transformação profunda. Tal transformação requer uma nova convivência com seus semelhantes, com as diversas formas de vida, com a Terra e com o Cosmo.
O tão conhecido círculo vicioso: consumo... produção... depredação ambiental, social, mental e espiritual... consumo... produção... depredação ambiental, social, mental e espiritual... e sucessivamente, não pode mais continuar, caso contrário não haverá saída para os seres viventes da Terra. Tal demência se deve a Lei da Oferta e da Procura ou Lei do Mercado, que tem causado sérios problemas ao homem e a Terra, que poucos querem admitir, e muitos até repetem as mesmas fórmulas fracassadas.
O homem não é egoísta por natureza, ele se tornou egoísta, devido a valores condicionados que interessam unicamente ao sistema vigente.
"Transforme o Ser Humano", é aí que reside o grande segredo!
Não considero que a filosofia seja um pensamento racionalista ou objetivista. Acho sim, que a filosofia precisa ser pragmática, ou seja, aliada a experiência. Caso contrário, será apenas 'racionalista e objetivista', o que é muito pouco para um conhecimento tão elevado. Outro detalhe: a ARTE na verdadeira concepção da palavra não é apenas racionalista ou objetivista, é acima de tudo subjetiva.
A racionalidade e a subjetividade são inerentes a vida, pois fazem parte de uma mesma realidade, são interdependentes. Para sobreviver precisamos saber que não devemos pular do 10º andar de um prédio, devemos saber que não se pode avançar o sinal vermelho no trânsito, devemos saber que não se pode pular em uma fogueira, tudo isso é racionalidade. Entretanto, para viver plenamente, precisamos sentir a beleza da vida, perceber a beleza de uma flor, perceber a pureza do sorriso de uma criança, perceber a ternura de uma mulher e entender a unicidade de todos os fenômenos da natureza, precisamos sim da subjetividade. Mais uma vez repito, não faz sentido separarmos a racionalidade da subjetividade. São faces de uma mesma realidade, assim como a onda e o mar, parafraseando o grande Nietzsche.